EUA cortam financiamento de vacinas contra doenças respiratórias
- Rádio Manchete USA

- 6 de ago. de 2025
- 3 min de leitura

WASHINGTON - O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira, 5, que vai cancelar contratos e cortar o financiamento de algumas vacinas que estão sendo desenvolvidas para combater vírus respiratórios como a Covid-19 e a gripe.
O secretário Robert F. Kennedy Jr. disse através de um comunicado que 22 projetos, totalizando US$ 500 milhões, voltados ao desenvolvimento de vacinas com tecnologia de mRNA serão interrompidos.
A decisão de Kennedy é a mais recente de uma série de medidas que colocam em prática suas antigas críticas às vacinas no comando da pasta da saúde.
O secretário já recuou nas recomendações em torno das vacinas contra a Covid-19, demitiu o painel responsável por recomendar a imunização e se recusou a fazer uma defesa contundente da vacinação mesmo diante do agravamento de um surto de sarampo.
O secretário de saúde criticou as vacinas de mRNA em um vídeo publicado em suas redes sociais, explicando a decisão de cancelar projetos conduzidos pelas principais farmacêuticas do país, como Pfizer e Moderna, que oferecem proteção contra vírus como a gripe, a Covid-19 e o H5N1.
"Para substituir os programas problemáticos de mRNA, estamos priorizando o desenvolvimento de estratégias vacinais mais seguras e abrangentes, como vacinas de vírus inteiro e plataformas inovadoras que não entram em colapso quando os vírus sofrem mutações", disse Kennedy no vídeo.
Especialistas em doenças infecciosas afirmam que a tecnologia de mRNA usada nas vacinas é segura e creditam seu desenvolvimento, iniciado ainda no governo Trump, por ter ajudado a conter a pandemia de coronavírus em 2020. Eles alertam que futuras pandemias serão mais difíceis de controlar sem essa linha de pesquisa.
"Não acho que já tenha visto uma decisão mais perigosa em saúde pública nos meus 50 anos de carreira", disse Mike Osterholm, especialista em doenças infecciosas e preparação para pandemias da Universidade de Minnesota.
Ele observou que a tecnologia de mRNA oferece vantagens importantes, como a produção rápida — algo crucial no caso de uma nova pandemia que exija uma nova vacina.
"O abandono dos projetos de mRNA é uma atitude míope, especialmente diante das preocupações com uma possível pandemia de gripe aviária", afirmou o Dr. Paul Offit, especialista em vacinas do Hospital Infantil da Filadélfia. "Ela (vacina mRNA) certamente salvou milhões de vidas", acrescentou.
Cientistas também estão usando a tecnologia de mRNA para muito mais do que vacinas contra doenças infecciosas — pesquisadores ao redor do mundo exploram seu uso em imunoterapias contra o câncer.
Tradicionalmente, vacinas exigem o cultivo de partes dos vírus, muitas vezes em ovos de galinha ou em grandes tanques de células, para depois purificar esse material. A abordagem do mRNA começa com um pequeno trecho de código genético que carrega instruções para produzir proteínas.
Os cientistas escolhem a proteína-alvo, injetam esse “manual de instruções” e o corpo fabrica apenas o suficiente para gerar proteção imunológica — criando sua própria dose de vacina.
Em comunicado na terça-feira, o HHS afirmou que "outros usos da tecnologia de mRNA dentro do departamento não são afetados por este anúncio".
A técnica é utilizada em vacinas aprovadas contra a Covid-19 e o vírus sincicial respiratório (RSV), mas ainda não foi aprovada para vacinas contra a gripe.
A Moderna, que estava desenvolvendo uma vacina combinada contra Covid-19 e gripe com mRNA, afirmou acreditar que o uso da tecnologia pode acelerar a produção das vacinas contra a gripe em comparação com os métodos tradicionais.
O abandono dos projetos de mRNA sinaliza uma “mudança nas prioridades de desenvolvimento vacinal”, segundo o HHS, que acrescentou que passará a “investir em soluções melhores”. Nenhum detalhe foi fornecido sobre quais seriam essas novas tecnologias.
"Quero deixar absolutamente claro: o HHS apoia vacinas seguras e eficazes para todo americano que desejar", disse Kennedy em seu comunicado.
** Com AP **

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