Políticas anti-imigrantes e guerra comercial marcam seis meses de Trump no poder
- Rádio Manchete USA

- 21 de jul. de 2025
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WASHINGTON - A ofensiva contra os imigrantes, o desmonte de estruturas federais e a guerra comercial são as marcas mais visíveis da volta do presidente Donald Trump à Casa Branca completou neste domingo, 20, seis meses, avalia especialista.
Para o cientista político Romuald Sciora, do Instituto IRIS, a retórica de campanha está sendo seguida à risca. "Ele prometeu desmantelar o Estado, enfrentar a imigração com força e travar uma guerra econômica com os aliados tradicionais dos EUA. E está cumprindo o que disse. O custo, no entanto, pode ser altíssimo", avalia.
Donald Trump colocou em prática seu programa e as promessas de campanha ao cortar drasticamente o orçamento do Estado e fechar diversas agências. "Ele cumpriu o que havia prometido: extinguiu o Departamento de Educação e demitiu milhares de funcionários públicos. Também aprovou uma lei orçamentária nos moldes do que havia anunciado durante a campanha", destaca.
"Antes da volta de Donald Trump, eu dizia que os Estados Unidos, em dois anos, se pareceriam mais com a Hungria de Viktor Orbán do que com a América de Obama ou Kennedy. Mas eu estava errado: não foram necessários dois anos — bastaram alguns meses", afirma o pesquisador.
Para Sciora, o balanço é "preocupante" e o os "ataques à democracia são numerosos".
"A administração Trump-Vance enfraqueceu as prerrogativas do Congresso em benefício da Casa Branca, com o apoio da maioria republicana. O poder Judiciário passou a ser, em parte, controlado pelo Executivo. Até o Departamento de Justiça perdeu sua autonomia. Além disso, agências federais foram fechadas, universidades públicas e privadas sofreram intervenções diretas, e os grandes escritórios de advocacia foram alvo de intimidações. Não se via algo assim desde a década de 1930. Nem mesmo Viktor Orbán ousou ir tão longe", avalia.
"Donald Trump se orgulha de apresentar um mercado de trabalho dinâmico, com 150 mil novas vagas por mês e uma taxa de desemprego de 4,1%. Mas 70% desses empregos são precários: sem plano de saúde, sem férias remuneradas, com jornadas exaustivas e salários muito baixos", afirma o pesquisador do IRIS. "São postos que nem um europeu nem um canadense aceitariam. E, diante da menor crise financeira, esses trabalhadores serão os primeiros a perder o emprego".
Segundo Sciora, Trump conduz uma ofensiva sem precedentes, na história recente dos Estados Unidos, contra imigrantes em situação irregular — e até contra alguns migrantes com status legal. "Todas essas ações foram promessas feitas aos eleitores e, de fato, estão sendo cumpridas ou pelo menos levadas adiante", destaca.
Em sua plataforma Truth Social, Trump comemora os primeiros seis meses de governo e afirma ter "ressuscitado um grande país".
"Há um ano, nosso país estava MORTO, quase sem esperança de renascimento. Hoje, os Estados Unidos são o país mais respeitado do mundo", pontua.
** Com Agências **
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