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Relatório denuncia abusos contra imigrantes em prisão da Flórida

Atualizado: 24 de jul. de 2025


Denúncia afirma que imigrantes são mantidos em situações degradantes em prisões do ICE
Denúncia afirma que imigrantes são mantidos em situações degradantes em prisões do ICE

TALLAHASSEE - Os testemunhos coletados por três organizações, incluindo a Human Rights Watch (HRW), em centros de detenção de imigrantes na Flórida, relatam abusos físicos, assédio verbal e tratamento degradante, segundo um relatório que alerta para casos "potencialmente mortais".


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez campanha com a promessa de deportar milhões de imigrantes em situação irregular.


Entre outras medidas, seu governo designou alguns imigrantes como "inimigos estrangeiros", realizando deportações aos seus países de origem, negando a possibilidade de solicitar asilo à maioria e ampliando o uso de um processo acelerado de expulsão.


Além disso, uma lei aprovada desde que Trump retornou ao poder em janeiro obriga o ICE a prender todos os migrantes acusados de uma série de crimes.


O relatório divulgado nesta segunda-feira pelas organizações HRW, Americans for Immigrant Justice e Sanctuary of the South, denuncia abusos em três instalações na Flórida: o Krome North Service Processing Center (Krome), o Broward Transitional Center (BTC) e o Federal Detention Center (FDC) em Miami.


No documento, Chauhan e Pedro descreveram uma transferência em abril em que foram detidos junto com dezenas de homens em uma cela durante a madrugada "com os pés algemados e as mãos amarradas atrás das costas". "Eles foram então deixados na sala por horas", afirma o relatório.


"Eram as 17h da tarde e ninguém havia almoçado. Alguns nem tomaram café da manhã. Podíamos ver a comida através das grades da nossa cela de detenção em recipientes de poliestireno em um carrinho. A comida estava à nossa frente, mas os guardas se recusaram a nos dar", disse Chauhan à HRW.


"Às 7h horas, finalmente nos deram o almoço, mas apenas depois de outro guarda protestar em nosso nome. Estávamos algemados, de modo que não podíamos alcançar os pratos com as mãos. Tivemos de colocar os pratos nas cadeiras e depois nos abaixar e comer com a boca, como cachorros", acrescentou. "Tínhamos de comer como animais", lembrou Pedro.


Em geral, os detidos denunciaram "buscas invasivas injustificadas, comportamento humilhante por parte dos oficiais e transferências punitivas", segundo o texto de quase 100 páginas.


"Este tratamento não só pode causar um dano psicológico duradouro, mas também viola os padrões internacionais de direitos humanos e as próprias pautas de detenção do ICE", denunciam as organizações.


De acordo com o documento, pelo menos duas mortes recentes podem estar relacionadas à negligência médica.


"Estes não são incidentes isolados, mas o resultado de um sistema de detenção fundamentalmente falho e repleto de abusos graves", considerou Belkis Wille, executiva da HRW, em um comunicado.


A reportagem entrou em contato com o ICE para comentar o assunto, mas até o momento não obteve resposta.


** Com AFP **


 
 
 

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