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Veja os produtos fora do tarifaço de Trump e os que seguem no alvo



WASHINGTON - O decreto do tarifaço dos Estados Unidos assinado na quarta-feira, 30, pelo presidente Donald Trump sobre os produtos brasileiros traz um longa lista de exceções, deixando 694 itens isentos da taxa de importação adicional de 40% - totalizando 50% com os 10% anunciados em abril.


Em cálculo preliminar, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) estima que US$ 18,4 bilhões das exportações para os EUA, 43,4% do total, serão poupados.


O levantamento não considera produtos que, embora estejam entre as exceções, são alvo de investigações de práticas comerciais desleais, abertas pelo governo americano, como aço, alumínio, autopeças e outros.


No total, o Brasil exporta para os EUA em torno de 4 mil produtos.


Veja abaixo alguns produtos e setores que ficaram fora da sobretaxa adicional:

  • aviões e peças aeronáuticas (como turbinas, pneus e motores)

  • suco de laranja

  • castanhas

  • vários insumos de madeira

  • celulose

  • gasolina leve

  • óleos combustíveis

  • ferro-gusa

  • minério de ferro e outros minerais

  • carvão e derivados

  • equipamentos elétricos (incluindo lustres)

  • energia elétrica

  • fertilizantes e compostos químicos

  • fibras têxteis

  • pedras e metais preciosos

  • gases industriais e gás natural

  • petróleo e derivados (que já vinham sendo tirados das listas de tarifas dos EUA para os países)

  • ventiladores e ares-condicionados

  • motores e baterias

  • helicópteros

  • móveis

  • máquinas e equipamentos

  • pneus


Veja agora os produtos e setores que seguem no alvo de Trump:

  • café

  • carne

  • cacau

  • frutas

  • açúcar

  • indústria têxtil e de vestuário

  • calçados

  • aço e alumínio (que já estavam taxados para todos os países)

  • automóveis e autopeças

  • cobre

  • semicondutores

  • fármacos

  • pescados

  • armas


Quem ganhou e quem perdeu?

Segundo Lia Valls, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) e professora da Uerj, o tamanho da lista de bens isentos da sobretaxa de 40% parece ser resultado da pressão feita pelas empresas americanas, que importam esses produtos.


"O que isso mostra, na verdade, é a dificuldade de negociação com o Brasil. Um alívio não é", afirma Lia, lembrando que setores importantes, alguns formados por empresas de menor porte, como o calçadista, continuarão afetadas.


José Augusto de Castro, presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), explica que a pressão das companhias tem a ver com o fato de que alguns setores da indústria americana dependem de fornecedores brasileiros. Por isso, chamou a atenção a ausência do café da lista de exceções.


"Deduzo que os que seriam mais afetados teriam dificuldade de arranjar substituto. Especulamos que o café possa ser incluído por ser de difícil substituição. A Colômbia, por exemplo, não tem produção suficiente para atender", avalia Castro.


Pescados e carnes: setores mais preocupados

Fora da lista de exceções, a Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca) vê com grande preocupação a confirmação da tarifa de 50%, lembrando que os EUA absorvem 70% das exportações do setor. A entidade diz que não há alternativas viáveis de mercado e pede medidas emergenciais do governo para manter empresas e empregos.


Já o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, observa que a nova taxa deve gerar um impacto de cerca de US$ 1 bilhão no setor apenas no segundo semestre deste ano.


A medida, anunciada pelo presidente Donald Trump, entra em vigor em 6 de agosto e, somada à alíquota atual de 26,4%, elevará a carga tributária total para mais de 76%, comprometendo a viabilidade das exportações para o segundo maior mercado de carne bovina do Brasil.


Segundo Perosa, o Brasil exportaria cerca de 400 mil toneladas de carne bovina aos EUA em 2025, mas a tarifa obrigará o redirecionamento de parte da produção para outros países ou para o mercado interno — este último com risco de queda de preços e prejuízos à cadeia produtiva.


O dirigente, no entanto, avaliou como positivo o prazo estendido para a entrada em vigor da medida para cargas já em trânsito. O governo dos EUA vai permitir a entrada sem sobretaxa de todas as mercadorias que chegarem ao país até 5 de outubro, beneficiando cerca de 30 mil toneladas já embarcadas ou em alto-mar.


Roupas e calçados em apuros

A indústria têxtil e de confecção é uma das mais aflitas por não ter entrado na lista de exceções. Em entrevista ao Valor, Fernando Pimentel, presidente da Abit, associação que representa as empresas do setor, afirmou que a tarifa de 50% praticamente inviabiliza exportações de roupas para os EUA. Somente fios coo os cordéis de sisal ficaram isentos da taxa adicional.


Ele afirmou que a entidade vai manter "todos os esforços para que o setor seja integralmente contemplado no grupo que ficaria só com a adicional de 10%". Apesar de a indústria têxtil não ter sido contemplada, Pimentel classificou como uma surpresa positiva o fato de o decreto de Trump vir acompanhado de uma lista tão detalhada de exceções, englobando, nos cálculos dele, cerca de 40% do comércio bilateral.


O setor calçadista, que tem nos EUA seu principal parceiro comercial, também fala em "danos irreversíveis". Em comunicado, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) lamentou a manutenção das tarifas, "apesar de todos os esforços, de empresários e do corpo diplomático brasileiro", e estimou que, com a medida, as exportações para o país sejam inviabilizadas.


Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados, acredita num impacto imediato em 8 mil empregos no setor e pede programas do governo para ajudar as empresas atingidas.


** Com Agência Globo **

 
 
 

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