Babá brasileira acusa ex-amante de duplo assassinato e pode se livrar da cadeia
- Rádio Manchete USA

- 15 de jan.
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HERNDON - Juliana Peres Magalhães, de 25 anos, completou nesta quarta-feira, 14, dois dias de depoimento no julgamento do ex-amante, Brendan Banfield, acusado de duplo assassinato, em Herndon, na Virgínia, crime que chocou os Estados Unidos em 2023.
A brasileira está presa desde outubro daquele ano, sete meses após o crime, e confessou a participação no homicídio da mulher de Banfield, Christine, de 37 anos, e de Jospeh Ryan, 39. O acordo de delação feito com a promotoria é uma estratégia que pode livrá-la da cadeia. Mas o réu alega inocência.
Apenas depois deste acordo entre Juliana e o Estado, Banfield foi preso pelo duplo assassinato, isso já mais de um ano depois, em setembro de 2024. Ele é acusado de esfaquear a própria mulher a atirar contra Ryan.
Em depoimento no tribunal, Juliana, que era babá da filha de 4 anos do casal, disse que queria desitir do esquema, mas foi convencida pelo amante de que "era tarde demais". Banfield teria dito que perderia dinheiro com a separação e queria garantir a guarda da criança.
Segundo a brasileira, ela e o amante usaram um site de fetiches para atrair Ryan até a casa. O desconhecido acreditava que teria um encontro sexual consensual com Christine, no qual a amarraria e usaria uma faca para cortar as roupas da mulher.
Os dispositivos eram da própria vítima e usados para enviar as mensagens enquanto ela estava em casa para não levantar dúvidas sobre a autoria, contou Juliana. A babá teria se passado pela patroa em uma conversa por áudio com Ryan no aplicativo de relacionamento.
Dia do crime
Na manhã do crime, Banfield saiu de casa enquanto a mulher dormia. Juliana também deixou a residência com a criança e esperou dentro do carro a chegada de Ryan, afimou a paulista na audiência de terça-feira.
A brasileira avisou o amante, que aguardava em uma lanchonete perto dali, quando a vítima chegou. Banfield abriu a porta para Ryan usando o aplicativo que acessava o celular da mulher e voltou para casa.
Juliana e Banfield entraram com a criança e a levaram para o porão antes de subir para o quarto onde estava Christine. Ao entrar, Juliana descreveu que a patroa estava no chão e Ryan estava sobre ela com uma faca. O marido então atirou em Ryan enquanto Christine gritava para Juliana chamar a polícia. A babá ligou para o 911, mas o patrão mandou que desligasse.
Nesse momento, Banfield estava esfaqueando a mulher. Segundo Juliana, foi então que Ryan se levantou e ela o acertou com um segundo tiro.
O inquérito descreve que Juliana ligou para a polícia pouco antes das 7h50 no dia 24 de fevereiro de 2023 e desligou rapidamente. Três minutos depois, a babá voltou a ligar e disse que "sua amiga foi ferida". Banfield, que era agente da Receita Federal, pegou o telefone e relatou que havia atirado contra um homem que invadiu sua casa e esfaqueou sua mulher.
Segundo as autoridades do Condado de Fairfax, Banfield esfregou o sangue de Christine em Ryan para simular que o desconhecido havia a matado.
Envolvimento
Juliana foi contratada através do programa Au Pair para cuidar da filha de 4 anos da família no fim de 2021. A paulista e o patrão começaram a ter um caso no ano seguinte.
Depois do crime, Banfield e Juliana estavam morando juntos na mesma casa onde ocorreu o crime. A polícia encontrou inclusive retratos do novo casal na residência de Herndon.
Delação
A colaboração de Juliana deve livrá-la da pena de 40 anos de prisão. Os promotores concordaram que ela seja condenada ao regime fechado pelo tempo equivalente ao que já esteve reclusa. Entretanto, a sentença só vai ser anunciada após a conclusão do julgalmento de Banfield para "ver o quanto Juliana ainda vai cooperar".
Já Banfield nega o assassinato da mulher e a defesa afirma que as evidências “não se somam”.
O advogado de defesa do americano, Jonh Carroll, questionou a "ausência de memória" de Juliana para detalhes sobre o que ela definiu como "um plano para executar o crime" em uma tentativa de minar sua credibilidade como testemunha. A brasileira argumentou que "isso acontece com quem passa por um trauma muito grande".
Juliana disse ainda que aceitou fazer a delação porque era "o certo a se fazer". Ela assumiu que está conversando com produtores para vender a sua versão para virar um documentário. Em uma carta para a mãe no Brasil, a babá diz que estudava aceitar uma oferta de US$ 10 mil da Netflix.
Os produtores seriam os responsáveis para custear as despesas na cadeia e a comunicação com a família. Até Juliana concordar com a delação, os custos, inclusive com advogado, eram pagos pela mãe de Brendan Banfield.
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