Corpo de brasileira desaparecida nos EUA há três anos é encontrado na fronteira com o Canadá
- Rádio Manchete USA
- há 2 horas
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NOVA YORK - O corpo da brasileira Letícia Oliveira Alves, de 36 anos, foi encontrado em uma área de floresta na província de Quebec, no Canadá, e teve a identidade confirmada no fim de fevereiro, confirmou a família essa semana. A goiana estava desaparecida desde dezembro de 2023 nos Estados Unidos e havia sido incluída na Difusão Amarela da Interpol, mecanismo usado para ajudar a localizar pessoas desaparecidas.

Segundo a força policial provincial de Quebec (Sûreté du Québec), caçadores localizaram o corpo na floresta da cidade de Coaticook, próxima à fronteira com os estados americanos de Vermont e New Hampshire. De acordo com o porta-voz da corporação, Louis-Philippe Ruel, não havia sinais aparentes de violência e a principal hipótese investigada é que a morte tenha ocorrido por hipotermia, após exposição prolongada ao frio intenso.
Familiares contaram ao jornal O Globo que o corpo foi encontrado ainda em abril de 2024, mas a confirmação oficial da identidade da brasileira só aconteceu quase dois anos depois, no dia 26 de fevereiro.
Letícia era formada em Química pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e possuía mestrado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Ela deixa uma filha de 12 anos, que permaneceu em Goiânia sob os cuidados da avó e não participou das viagens feitas pela mãe ao exterior. A família tenta agora arrecadar recursos para realizar o traslado do corpo ao Brasil, enquanto aguarda a conclusão dos trâmites diplomáticos junto ao Ministério das Relações Exteriores.
Histórico do desaparecimento
Informações reunidas pela polícia e repassadas ao GLOBO pelo irmão da vítima, Frederico Oliveira Alves, indicam que o caso começou a ser investigado após comunicação feita pela mãe da brasileira às autoridades. O desaparecimento foi registrado inicialmente pelo Grupo de Investigação de Desaparecidos de Goiânia (GID), que relatou não conseguir mais contato com Letícia desde dezembro de 2023.
De acordo com o relato da família, Letícia atuava como missionária da Igreja Adventista e teria iniciado uma viagem pela América do Sul. O primeiro destino mencionado foi a Argentina, seguida por passagem pela Bolívia. Posteriormente, a brasileira teria seguido para os EUA, chegando inicialmente ao Mississippi em junho de 2023.
Em meio às buscas, surgiram indícios de que ela poderia estar em Boston, em Massachusetts, possivelmente no endereço de um abrigo localizado na Harrison Avenue. O Consulado-Geral do Brasil na cidade chegou a ser acionado pela família, mas não conseguiu confirmar a presença da brasileira no local.
Consultas em bancos de dados também não encontraram informações de voos ou histórico migratório em nome de Letícia. Posteriormente, no entanto, investigadores identificaram um registro de detenção do ICE associado ao nome “Leticia Alpes Oliveira”, com a mesma data de nascimento da brasileira — o que levantou a hipótese de erro de grafia.

Ainda segundo o histórico policial, Letícia teria sido impedida de entrar no Canadá em janeiro de 2024, na região de Buffalo, em Nova York. Após a abordagem na fronteira, ela permaneceu por cerca de três meses sob custódia de autoridades migratórias dos EUA e foi liberada em abril daquele ano, mediante compromisso de comparecer a uma audiência de imigração prevista para 2026 em Boston.
A investigação também apontou que a goiana poderia ter sido acolhida em um abrigo feminino na cidade, voltado para mulheres em situação de vulnerabilidade. No entanto, contatos realizados por autoridades brasileiras não conseguiram confirmar a permanência dela no local, devido às regras de confidencialidade da instituição.
A investigação também aponta que Letícia teria usado o nome “Sara Mars”, mas não divulga mais detalhes.
** Com informações de O Globo **

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