Câmara dos EUA aprova divulgação dos arquivos de Epstein
- Rádio Manchete USA

- 18 de nov. de 2025
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WASHINGTON - Em voto quase unânime, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira, 18, por 427 votos a 1, a liberação dos arquivos do Departamento de Justiça sobre Jeffrey Epstein, avançando em um assunto que tem gerado desgaste do presidente Donald Trump e cobranças de sua base. Cinco parlamentares se abstiveram.
A aprovação, que precisava de maioria de dois terços para ser bem-sucedida, acontece dois dias após Trump abandonar sua oposição à medida. O texto exige a divulgação de todos os materiais não confidenciais sobre Epstein e o suposto esquema de tráfico sexual e exploração de menores que o financista teria operado.
Aprovado na Câmara, a lei agora vai ao Senado, onde tem chances de ser apreciada ainda nesta terça, segundo o líder da maioria, o republicano John Thune. Se passar pelo Senado sem alterações, a lei vai para a mesa de Trump, que prometeu sancionar o texto.
O único voto contrário na Câmara foi do republicano Clay Higgins, deputado trumpista da Louisiana. Em publicação no X, Higgins explicou sua posição, dizendo que a lei "revela a identidade de milhares de inocentes, entre testemunhas, familiares, etc".
"Se for aprovada da forma como está, uma revelação tão ampla de uma investigação criminal, liberada para uma mídia raivosa, irá resultar em pessoas inocentes sendo prejudicadas", afirmou o parlamentar.
Trump, cujas relações com Epstein têm sido exploradas por críticos e apoiadores, há muito tempo alimenta teorias conspiratórias sobre o abusador que cultivou muitos amigos ricos e poderosos —Epstein foi condenado por crimes sexuais na justiça estadual da Flórida em 2008. Ele foi preso por acusações semelhantes, mas mais graves, em 2019, quando morreu na prisão.
Desde que o republicano retornou ao poder, o assunto se tornou um raro ponto fraco para ele, em particular para alguns de seus apoiadores mais radicais, que têm se mostrado descontentes com declarações de Trump e atos do governo sobre o caso.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos de outubro descobriu que apenas 4 em cada 10 republicanos aprovam a forma como Trump lida com o assunto, bem abaixo dos 9 em cada 10 que aprovam seu desempenho geral.
Trump afirma que nunca teve nenhuma ligação com os supostos crimes de Epstein e tem se referido ao assunto como uma "farsa democrata", usada para desviar o foco do que seriam pontos positivos de seu governo e falhas da oposição.
A campanha parlamentar pela divulgação dos materiais sobre o financista foi liderada pelo republicano Thomas Massie, o que indica a dificuldade do governo de resistir à medida. Massie coletou 218 assinaturas de colegas da Câmara para uma petição para forçar a votação da medida, algo que vinha sofrendo resistência do presidente da Casa, o também republicano Mike Johnson.
O fato de Trump anteriormente se opor à divulgação do material azedou as relações com uma de suas mais fortes apoiadoras no Congresso, a deputada republicana Marjorie Taylor Greene, que criticou duramente mais de uma vez o Departamento de Justiça por não divulgar mais detalhes sobre Epstein. Trump rebateu, chamado Greene de traidora.
A súbita reviravolta do presidente veio no domingo (16), quando ele afirmou: "Os republicanos da Câmara deveriam votar para divulgar os arquivos de Epstein, porque não temos nada a esconder."
O principal democrata da Câmara, Hakeem Jeffries, teve outra avaliação. "Donald Trump parece ter se acovardado no escândalo Epstein. Ele cedeu. É uma rendição completa e total", disse ele em uma entrevista coletiva na segunda-feira (17).
Painéis digitais em Times Square exibem mensagens relacionadas a Donald Trump e Jeffrey Epstein. Um painel destaca a frase 'Of course he knew about the girls' em letras vermelhas, enquanto outro mostra texto com trechos como 'that dog that hasn't barked is trump' e 'victim spent hours at my house with him'. Pessoas caminham em primeiro plano, algumas com roupas de inverno.
Johnson disse aos repórteres que ele e Trump estavam preocupados em proteger as vítimas de Epstein de exposição pública indesejada. "Não tenho certeza se a liberação faz isso, e isso é parte do problema", disse o republicano na segunda-feira —argumento que repetiu antes de votar a favor da lei. Os apoiadores da medida dizem que as preocupações de Johnson são infundadas.
Há dúvidas, no entanto, sobre o alcance real da divulgação dos materiais, porque a medida permite ao Departamento de Justiça manter sob sigilo documentos sujeitos a investigações —ao mesmo tempo, Trump pediu ao departamento para investigar a relação de Epstein com importantes nomes democratas, como o ex-presidente Bill Clinton e o ex-secretário do Tesouro Larry Summers.
Na segunda, Summers disse estar "profundamente envergonhado" após as revelações de seus diálogos com Epstein e anunciou que se afastaria da vida pública. Professor de Harvard, ele continuará a dar aulas na instituição, entretanto.
Epstein se declarou culpado de uma acusação estadual de prostituição de menores na Flórida em 2008 e cumpriu 13 meses de prisão. O Departamento de Justiça dos EUA, em 2019, o acusou de tráfico sexual de menores na esfera federal em um caso muito mais amplo, jogando luz em um esquema que pode ter vitimado mais de 200 mulheres. Epstein se declarou inocente dessas acusações e morreu na prisão antes do julgamento, no que foi considerado um suicídio.
Emails divulgados na semana passada por um comitê da Câmara mostraram que o financista acreditava que Trump "sabia sobre as garotas", embora não estivesse claro o que isso significava. A Casa Branca disse que os emails divulgados não continham prova de irregularidades por parte de Trump.
** Com Ag. Folha **

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