Dólar sobe após discurso de Trump sobre guerra no Irã
- Rádio Manchete USA

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WASHINGTON - O dólar sobe nesta quinta-feira, 2, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar em discurso na noite anterior que pretende continuar os ataques contra o Irã.
O pronunciamento reverte o otimismo dos últimos pregões, de que a guerra no Oriente Médio poderia estar próxima do fim, e reforça a busca por ativos de segurança.
Às 15h25, a moeda norte-americana avançava 0,13%, cotada a R$ 5,164. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outras seis moedas fortes, subia 0,47%, a 100,04 pontos.
Em pronunciamento à nação na quarta, Trump voltou a afirmar que os objetivos militares do país na guerra do Irã estão "quase completos", apesar de evitar esclarecê-los.
No discurso, Trump disse que a guerra continua até que todos os objetivos sejam "totalmente cumpridos". "Nós vamos levá-los de novo para a Idade da Pedra, aonde eles pertencem", disse Trump, afirmando novamente que isso deve acontecer "rapidamente" e que o Irã está "completamente derrotado".
O republicano também minimizou o impacto do fechamento do estreito de Hormuz, onde um quinto do petróleo mundial circula, para o mercado da commodity. "Nós não precisamos do Oriente Médio, não precisamos do petróleo deles", disse.
"O discurso trouxe pouca clareza sobre os próximos passos do conflito. Em alguns momentos, Trump sinalizou que os Estados Unidos estariam próximos de sair da guerra, mencionando um horizonte de curto prazo. Apesar disso, ele não apresentou um plano para os próximos passos", afirma Lucca Bezzon, especialista de inteligência de mercado da StoneX, que vê essa combinação gerando incerteza nos mercados.
"O que antes era um ambiente de maior apetite por risco, sustentado pela perspectiva de um possível cessar-fogo entre os países envolvidos, dá lugar agora a um cenário de maior aversão", afirma.
Em relatório, a Ágora Investimentos afirma que o clima de cautela prevalece nos mercados globais nesta quinta-feira, após as declarações mais duras de Trump. "Esse ambiente externo mais defensivo tende a pressionar os ativos brasileiros ao longo do dia".
Na quarta-feira (1º), o dólar fechou em queda de 0,43%, a R$ 5,157, enquanto a Bolsa encerrou o dia em alta de 0,26%, aos 187.952 pontos.
Antes de pronunciamento, Trump diz que Irã pediu cessar-fogo; regime não comenta
Nos últimos dias, o pregão vinha sendo marcado pela expectativa do fim da guerra. Durante a quarta, Trump afirmou que o Irã pediu um cessar-fogo na guerra. Segundo o republicano, a proposta será analisada apenas quando o estreito de Hormuz, que está praticamente fechado desde o início do conflito, for reaberto por Teerã.
"Vamos considerar isso [cessar-fogo] quando o estreito de Hormuz estiver aberto, livre e desobstruído. Até lá, estamos reduzindo o Irã a nada ou, como dizem, de volta à idade da pedra", afirmou.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, contudo, disse que a declaração do americano era falsa e sem fundamento, segundo a TV estatal.
A sinalização de continuidade do conflito impactou os mercados de commodities e de juros futuros pela manhã, mas a expectativa de reabertura do estreito de Hormuz freou a alta.
No início da tarde, a agência oficial de notícias do Irã, IRNA, informou que o país está elaborando um protocolo com Omã para monitorar o tráfego no estreito, citando o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kezem Gharibabadi. A notícia foi interpretada como uma sinalização de normalização do fluxo.
Às 15h20, o contrato de junho do Brent, referência global, subia 7,70%, a US$ 108,95 (abaixo da máxima de US$ 109,72, quando chegou a avançar 8,4%). O contrato de maio do WTI (West Texas Intermediate), referência nos EUA, avançava 11,32%, a US$ 111,45, no mesmo horário. As altas repercutiam no pregão brasileiro, com as ações da Petrobras subindo mais de 2%.
No mercado de juros futuros, a perspectiva de reabertura do estreito também freava a alta. As taxas DI, que refletem as expectativas para a trajetória da Selic e do CDI, operavam mistas às 15h20.
A taxa do DI para janeiro de 2028 subia a 13,75%, ante 13,715% do ajuste da sessão anterior (alta de 4 pontos-base). Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,9%, ante 13,855 da sessão anterior (alta de 5 pontos-base).
A guerra no Oriente Médio tem influenciado decisões de política monetária ao redor do mundo. O tema foi citado tanto pelo Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) quanto pelo Banco Central do Brasil nas decisões deste mês, diante do risco de pressão inflacionária global.
Na visão da XP, um conflito prolongado e preços de petróleo altos por mais tempo são os principais pontos de atenção do conflito, à medida que as expectativas de inflação local sobem acima da meta do Banco Central.
O banco, contudo, vê o Brasil bem posicionado, "dada sua alta exposição ao petróleo e o potencial de seguir atraindo fortes fluxos estrangeiros, especialmente quando as tensões arrefecerem".
** Com AF **

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