EUA descartam investigar ação letal do ICE em Minneapolis e acusam democratas e viúva
- Rádio Manchete USA

- 19 de jan.
- 4 min de leitura

MINNEAPOLIS - Na contramão dos pedidos de organizações internacionais e de direitos humanos, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) afirma que não vai investigar o ação do ICE que matou a americana Renee Nicole Good no. Ao contrário, abriu um inquérito contra o governador de Minnesota, Tim Walz, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e a viúva Rebecca Good sobre uma possível obstrução da aplicação da lei federal.
A investigação, que representa uma escalada no confronto entre o presidente americano, Donald Trump, e os líderes democratas da região, é fruto de declarações de Walz e Frey sobre os milhares de oficiais do ICE e da patrulha de fronteira dos EUA que atuam na região desde as últimas semanas.
Trump chegou a sugerir que poderia invocar a Lei de Insurreição e enviar tropas para a cidade para conter qualquer violência.
Quase 3 mil agentes federais de imigração foram enviados para Minneapolis, segundo o órgão, com o objetivo de prender pessoas suspeitas de estarem nos EUA ilegalmente e investigar alegações de fraude no estado. O Departamento de Segurança Interna (DHS) chamou a implantação massiva de a maior operação de sua história.
A presença em larga escala de agentes federais na região desencadeou uma reação local generalizada, provocando protestos e confrontos, especialmente após o assassinato de Good no dia 7 de janeiro.
"A única pessoa que não está sendo investigada pelo tiroteio de Renee Good é o agente do ICE que atirou nela", declarou o governador, fazendo referência à investigação federal sobre a morte da mulher de 37 anos.
Tanto Walz quanto Frey repreenderam abertamente o aumento da atividade federal em Minneapolis. O prefeito chegou a entregar uma mensagem pública para os agentes federais deixarem a cidade. Walz não confirmou a investigação, mas acusou o governo federal de “armar o sistema de justiça e ameaçar oponentes políticos”, o que ele chamou de “tática perigosa e autoritária”.
O vice-procurador-geral Todd Blanche na quarta-feira culpou os dois democratas pela agitação em seu estado e prometeu tomar medidas contra eles.
“A insurreição de Minnesota é o resultado direto de um governador fracassado e um prefeito terrível, encorajando a violência contra a aplicação da lei”, escreveu Blanche em um post no X. “É nojento. Walz e Frey — Estou focado em impedir seu terrorismo por qualquer meio necessário. Isso não é uma ameaça. É uma promessa."
Já o foco da investigação sobre Rebecca recai sobre os laços da viúva com grupos ativistas e sobre sua atuação no protesto do qual o casal participava como observador legal.
Vídeos mostram a mulher pedindo ao agente do ICE para tirar a máscara e dizendo para ele ir comer alguma coisa. Ela filmou toda a ação até Ross disparar à queima-roupa contra Renee.
O advogado da família, no entanto, afirmou que não houve qualquer contato do FBI ou de autoridades federais indicando que Rebecca seja formalmente alvo da investigação.
A condução do caso provocou uma crise interna no Ministério Público. Pelo menos seis procuradores federais em Minnesota pediram demissão após receberem ordens para investigar Rebecca Good.
Enquanto isso, Blanche afirmou que “no momento não há fundamento” para investigar o agente Jonathan Ross. Fontes ouvidas pelo The New York Times indicam que a divisão de direitos civis do DOJ não abriu inquérito para apurar eventual violação de direitos federais no caso, tornando “cada vez menos provável” que Ross enfrente acusações criminais.
ALVEJADA E SEM SOCORRO
O laudo necroscópico feito no corpo de Renee ainda não foi divulgado, mas a avaliação médica registrada na ocorrência do dia 7 de janeiro constatou que quando os socorristas chegaram no local Renee "não respirava, estava inconsciente e com pulso fraco".
A mulher de 37 anos, mãe de três filhos, foi atingida por dois disparos no lado direito do tórax, um no antebraço esquerdo e outro possivelmente no lado esquerdo da cabeça na altura da orelha., afirma o legista da maior cidade de Minessota.
Nos documentos, os socorristas detalham que chegaram ao local cinco minutos depois da primeira denúncia e a vítima foi retirada do veículo e colocada, inicialmente, em um banco de neve próximo.
Na sequência, ela foi encaminhada a uma calçada próxima para os socorristas terem um ambiente mais adequado para o trabalho, facilitar o acesso de ambulâncias e separar a vítima "de uma situação que estava se agravando, envolvendo policiais e curiosos", destaca o boletim.
Vídeos da ação mostram que agentes do ICE não deixaram um morador que se identificou como médico se aproximar de Renee nem socorreram a vítima. Os oficiais recebem treinamento para prestar os primeiros socorros.
Testemunhas disseram que os carros do ICE impediram a aproximação da ambulância e os paramédicos chegaram à pé até Renee.
Os médicos tentaram reanimá-la a caminho do hospital, mas ela não resistiu.
DEZENAS DE CHAMADAS PARA O 911
O relatório do Corpo de Bombeiros de Minneapolis divulgado na sexta-feira, 16, descreve dezenas de chamadas para o Serviço de Emergência e mostra contradições entre a versão do público e do DHS.
As dezenas de ligações para o Serviço e Emergência começaram às 9h39. Um deles declarou que viu "um agente do ICE disparar dois tiros em direção ao para-brisa do lado da motorista". Essa pessoa afirmou que Renee "tentou fugir, mas bateu no veículo estacionado mais próximo", destacando que viu "sangue por todo o [corpo da] motorista e depois na parceira dela que estava tentando prestar socorro".
"Ela está morta. Eles atiraram nela", disse outra pessoa que ligou para o socorro. Ela acrescentou que havia 15 agentes de imigração no local e eles atiraram porque a mulher não abriu a porta do carro. Um terceiro solicitante, que disse telefonar em nome dos agentes de segurança interna, destacou que os policiais estavam presos em um carro e havia "agitadores no local", havendo disparos feitos por moradores.
Outra ligação dizia que havia pelo menos 15 homens do ICE e uma mulher foi baleada "porque não quis abrir a porta".
Uma das chamadas o interlocutor dizia ser um representante do Departamento de Segurança Interna (DHS) e que alguns de seus homens ficaram presos em um veículo e "tiros foram disparados por seus agentes".
Segundo depoimentos, três pessoas observavam a ação do ICE, uma delas pode ser Rebecca. Renne chegou mais tarde e ficou apenas alguns minutos com o carro atravessado na via até tentar sair e ser alvejada.
Da Redação

.png)



Comentários