EUA expulsam delegado da PF por 'contornar pedidos de extradição' após prisão de Ramagem
- Rádio Manchete USA

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WASHINGTON - Os Estados Unidos solicitaram ao Brasil que o oficial de ligação da Polícia Federal na Flórida, o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, deixe o país após sua atuação na detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) na semana passada.
Em nota divulgada no X, o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, do Departamento de Estado, não cita o nome do delegado, mas classifica sua atuação como uma tentativa de "manipular" o sistema de imigração dos EUA.
"Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso", diz a nota.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, disse que não houve ainda formalização da decisão do governo americano e que, portanto, não cabe ainda um posicionamento diante de uma publicação de rede social.
A postura é semelhante à adotada pelo governo brasileiro em episódios anteriores, quando Trump fez ameaças em discurso, mas não as levou adiante em iniciativas formais.
Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou nesta terça-feira que o governo pode tomar eventuais medidas contra agentes policiais dos EUA baseados no Brasil se houver comprovação de que houve abuso por parte do governo Donald Trump na expulsão de um delegado da Polícia Federal (PF) baseado em Miami.
Condenado
Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão em setembro de 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na mesma ação penal que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, tentativa de golpe de Estado e organização criminosa.
Ele foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro e foi eleito deputado em 2022, mas teve seu mandato cassado em dezembro passado após o STF determinar a perda de mandato por sua condenação.
Ramagem vive nos Estados Unidos desde o ano passado e é considerado foragido pela Justiça brasileira. De acordo com a PF, ele fugiu do Brasil pela divisa do país com a Guiana, de onde pegou um voo para os EUA.
Há uma semana, em 13 de abril, ele foi detido por agentes do ICE, órgão do Departamento de Segurança Interna (DHS). Segundo a Polícia Federal, a detenção de Ramagem foi resultado de uma cooperação policial internacional.
A PF afirma que o oficial de ligação da PF na Flórida (Carvalho) teria enviado dados sobre o paradeiro de Ramagem a autoridades de imigração que resultaram na detenção do ex-deputado.
Ainda segundo as autoridades brasileiras, o ex-diretor da Abin saiu de forma clandestina do país pela fronteira com a Guiana em setembro. De Miami, ele gravava vídeos e votava à distância nas sessões da Câmara, amparado por um atestado médico.
Após a mulher, Rebeca Ramagem, e as filhas do ex-delegado chegarem à Flórida, eles se mudaram para Orlando. A família passou a ser monitorada pelo delegado da PF que trabalha em parceria com autoridades federais americanas.
O oficial de ligação da PF na Flórida (Carvalho) teria então enviado dados sobre o paradeiro de Ramagem a autoridades de imigração que resultaram na detenção do ex-deputado.
Dois dias depois, Ramagem foi solto, após forte pressão de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), entre eles o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o empresário Paulo Figueiredo, ambos radicados nos Estados Unidos.
Desde então, autoridades norte-americanas iniciaram um processo de apuração interna para saber como teria se dado essa cooperação policial.
A apuração tinha o objetivo de identificar, entre outras coisas, se o objetivo das autoridades brasileiras ao acionar o ICE para prender Ramagem era uma tentativa de burlar o processo de extradição do ex-parlamentar, uma vez que a decisão sobre se ele será ou não extraditado ao Brasil depende do Departamento do Estado, enquanto a deportação em casos de irregularidades migratórias depende do DHS.
** Com Agências **
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