ICE prende professor brasileiro de Harvard envolvido em incidente perto de sinagoga
- Rádio Manchete USA

- 5 de dez. de 2025
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BROOKLINE - O professor brasileiro da Faculdade de Direito de Harvard concordou em deixar os Estados Unidos após ser detido esta semana pelo ICE, informou o Departamento de Segurança Interna (DHS) na quinta-feira, 4. Dias antes, Carlos Portugal Gouvêa havia se declarado culpado de fazer disparo com uma arma de chumbinho perto de uma sinagoga de Massachusetts em outubro.
A agência federal afirma que Gouvêa foi preso no dia anterior porque o seu visto temporário de não imigrante havia sido revogado pelo Departamento de Estado duas semanas após o que o governo do presidente Donald Trump rotulou como "incidente de tiros antissemita" -- uma descrição em desacordo com a forma como as autoridades locais descreveram o caso.
“Trabalhar e estudar nos Estados Unidos é um privilégio, não um direito”, afirma o comunicado assinado pela porta-voz do DHS, Tricia McLaughlin. “Não há espaço nos Estados Unidos para atos descarados e violentos de antissemitismo como este. Eles são uma afronta aos nossos princípios fundamentais como país e uma ameaça inaceitável contra cidadãos americanos que respeitam a lei.”
“A Secretária Noem deixou claro que qualquer pessoa que pense que pode vir para a América e cometer violência e terrorismo anti-americanos e antissemitas deve repensar. Vocês não são bem-vindos aqui", acrescenta a nota.
Gouvêa, professor associado da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), concordou em deixar o país para evitar o processo de deportação, segundo o DHS.
O brasileiro estava afastado de suas funções da Harvard desde sua prisão pela polícia de Brookline, mas a biografia do professor visitante na instituição americana continua ativa e diz que ele "fundou o primeiro escritório de advocacia no Brasil focado em questões de governança corporativa, o PGLaw, liderando a implementação dos primeiros programas de direitos humanos e negócios em empresas públicas brasileiras e outros projetos de grande escala nas áreas de direitos do consumidor, anticorrupção e conformidade com a diversidade”.
O advogado, que continuou atuando no Brasil nesse período, não pôde ser contatado imediatamente para comentar o assunto e a Universidade de Harvard não quis se pronunciar.
Na época do incidente, a USP emitiu uma nota em defesa do professor.
Relembre o caso
A polícia de Brookline prendeu Gouvêa em 1º de outubro após responder a uma denúncia de uma pessoa com uma arma perto do Templo Beth Zion na véspera do feriado judaico do Yom Kippur. O professor disse que estava usando uma arma de chumbinho para caçar ratos nas proximidades, de acordo com um relatório policial.
Em 13 de novembro, o brasileiro concordou em se declarar culpado por disparar ilegalmente a arma de chumbinho e cumprir seis meses de liberdade condicional pré-julgamento. Outras acusações que ele enfrentava por perturbação da paz, conduta desordeira e vandalização de propriedade foram descartadas como parte do acordo judicial.
Apesar das alegações do governo Trump, o Templo Beth Zion disse anteriormente aos membros de sua comunidade que o incidente não parecia ter sido motivado por antissemitismo, uma opinião compartilhada pelo Departamento de Polícia de Brookline, que investigou o caso.
Leia também: Professor da USP é detido em Massachusetts após disparar arma de chumbinho próximo a sinagoga
Segundo o templo, a polícia informou que Gouvêa "não sabia que morava perto de uma sinagoga e que estava atirando com sua arma de chumbinho próxima a ela, nem que era um feriado religioso".
Harvard
A prisão de Gouvêa ocorre no momento em que o governo Trump pressiona Harvard a chegar a um acordo para resolver uma série de alegações feitas contra a instituição, incluindo a de que Harvard não fez o suficiente para combater o antissemitismo e proteger os estudantes judeus no campus.
Harvard recorreu à justiça contra algumas das medidas tomadas pelo governo, levando um juiz a decidir, em setembro, que a Casa Branca encerrou ilegalmente mais de US$ 2 bilhões em bolsas de pesquisa concedidas à universidade.
** Com Agências **

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