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Mais de 100 mil pessoas concorrem a 10 mil vagas no ICE

Atualizado: 9 de set. de 2025

 

 

Candidatos fazem fila para ingressar no ICE
Candidatos fazem fila para ingressar no ICE

NOVA YORK  -  A coluna do jornalista Andrés Oppenheimer no Miami Herald trouxe dados alarmantes sobre o número de pessoas que se apresentaram para trabalhar no ICE: 100 mil candidatos a 10 mil vagas. O serviço é capturar imigrantes ilegais ou sem documentos.


Isso não teria nada de mal se os novos agentes estivessem exclusivamente dedicados a deportar criminosos, mas a missão é mais abrangente. O ICE quer pegar todos os que se encontram em situação irregular no país.


Várias organizações civis temem que essa força ampliada do ICE não será um corpo bem treinado e devidamente supervisionado, focado em prender delinquentes estrangeiros.


Ao contrário: temem que se converterá em um esquadrão quase paramilitar de agentes encapuzados, mal preparados, que perseguirão principalmente trabalhadores agrícolas e da construção civil, babás e empregados de salões de beleza, restaurantes e cafeterias.


Em cidades como Miami, onde mais da metade da população é de origem estrangeira, as batidas do ICE poderiam desencadear um terror generalizado. Entre outras coisas, a agência federal poderia prender por erro cidadãos americanos.


Este não é um temor hipotético. Kenny Laynez Ambrocio, um cidadão americano de 18 anos, foi detido recentemente pela Patrulha Rodoviária da Flórida e a Patrulha de Fronteira enquanto viajava em uma caminhonete de jardinagem, segundo reportou o Miami Herald em 13 de agosto.


Em seu site oficial, o ICE afirma estar recrutando “patriotas” para “prender assassinos, pedófilos, membros de gangues, estupradores e outros imigrantes ilegais criminosos”. A agência acrescenta que precisa de “americanos dedicados” para “eliminar o pior do pior de nosso país”.


Graças ao recorde de 170 milhões de dólares para atividades migratórias, aprovado recentemente pela lei “Big Beautiful” de Trump, o ICE oferece aos candidatos um bônus de 50 mil dólares nos próximos anos.


O Conselho Americano de Imigração, a União Americana de Liberdades Civis (ACLU) e outros grupos estão dando o sinal de alerta, argumentando, entre outras coisas, que esses novos agentes estarão sujeitos a padrões de contratação muito mais baixos que os do FBI e outras agências federais. Isso pode, segundo especialistas, disparar as violações de direitos humanos.


Aaron Reichlin-Melnick, pesquisador do Conselho Americano de Imigração, disse que tudo indica que será contratado “um grande número de agentes com pouca formação, sem o treinamento adequado, sujeitos a uma investigação mínima e que serão colocados nas ruas sem a supervisão adequada”.


Em tempo: A maioria dos detidos pelo ICE nos últimos meses são pessoas sem antecedentes penais, segundo um estudo recente do Instituto Cato e vários relatórios da imprensa baseados em dados do ICE. O vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, declarou à Fox News em maio que o governo Trump estava se propondo a prender 3 mil indocumentados por dia.


É provável que as consequências dessas batidas ampliadas do ICE tenham um impacto muito além das separações familiares e do sofrimento humano dos indocumentados.


Muitos imigrantes pararam de ir a restaurantes ou centros comerciais por medo de serem detidos, o que certamente afetará a economia.


Se o ICE realmente se concentrasse em prender e deportar criminosos, essa onda de contratações seria motivo de aplauso. Mas o que está acontecendo sugere uma realidade muito mais alarmante.


** Com Agências **

 

 
 
 

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