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Repercursão negativa de morte de americanos pelo ICE força saída do chefe anti-imigração de Minnesota


Bovino é considerado como homem de confiança de Donald Trump
Bovino é considerado como homem de confiança de Donald Trump

MINNEAPOLIS - A administração de Donald Trump mudou de tom em relação às ações do ICE após a repercussão negativa do segundo americano assassinado pelos agentes de imigração em Minneapolis e anunciou nesta segunda-feira, 26, a retirada chefe da Patrulha da Fronteira (CBP), Gregory Bovino, e alguns de seus agentes da cidade mais populosa de Minnesota. Em seu lugar, o presidente enviou o "czar da fronteira", Tom Homan, para se reunir com as autoridades locais e liderar as operações em Minnesota.


Em uma publicação nas redes sociais na noite desta segunda-feira, Tricia McLaughlin, secretária-adjunta do DHS, disse que Gregory Bovino não foi exonerado de suas funções e que ele é "uma peça fundamental" da equipe do governo.


A saída de Bovino ocorre em um momento em que a Casa Branca mudou a forma como está lidando com as consequências da morte do enfermeiro Alex Pretti no sábado. A resposta inicial foi retratar a vítima como um "terrorista doméstico" determinado a derramar sangue, versão que recebeu críticas não apenas de oponentes políticos do presidente, mas também de membros das forças de segurança e de seu próprio partido.


Imediatamente após o tiroteio, Bovino afirmou que parecia que Pretti "queria causar o máximo de danos e massacrar policiais". Seus agentes rapidamente divulgaram uma fotografia da arma do enfermeiro, insinuando que isso justificava o uso de força letal.


Já a secretária de Segurança Interna (DHS), Kristi Noem, disse que Pretti queria "causar danos" e estava "empunhando" uma arma, o que foi claramente refutado pelos vídeos que registraram a execução do americano com pelo menos cinco tiros.


A resposta inicial repetiu a estratégia adotada pelo governo Trump três semanas antes, quando agentes federais mataram a tiros outra moradora de Minneapolis, Renee Good.


As autoridades disseram que Good era uma terrorista que havia "usado" seu veículo como arma em uma tentativa de ferir agentes do ICE.


Assim como no caso de Good, a versão dos fatos apresentada pelo governo Trump foi contestada por autoridades locais, testemunhas e pela família da vítima.


Em um comunicado divulgado no domingo (25), os pais de Pretti pediram que a verdade viesse à tona e acrescentaram: "As mentiras repugnantes contadas sobre nosso filho pelo governo são repreensíveis e nojentas."


Em publicações nas redes sociais e em uma entrevista ao The Wall Street Journal, Trump se recusou a atacar Pretti, e também se absteve de endossar as ações dos agentes envolvidos.


Em uma mensagem publicada em seu perfil no Truth Social, ele descreveu a morte como "trágica" e culpou o ocorrido "no caos provocado pelos democratas", mensagem que foi endossada pelo vice-presidente JD Vance.


Trump também confirmou a presença de Homan em Minnesota e disse que o czar da fronteira vai se reportar diretamente a ele.


Quem é Gregory Bovino

Postura de Bovina é comparada à dos oficiais nazistas
Postura de Bovina é comparada à dos oficiais nazistas

Gregory Bovino é a figura pública da campanha do governo Trump para deter e deportar milhares de imigrantes indocumentados dos EUA — um dos poucos agentes que aparecem em frente às câmeras sem máscara.


Apelidado de "comandante-chefe" da Patrulha da Fronteira pela secretária Kristi Noem, Bovino ganhou destaque ao liderar as operações em Los Angeles, Califórnia, em junho do ano passado.


Ele também dirigiu a controversa Operação Midway Blitz em Chicago, Illinois, em setembro, bem como outras ações polêmicas em Charlotte, Carolina do Norte, e Nova Orleans, Louisiana.


Desde o início do ano, ele tem sido visto percorrendo a região metropolitana que engloba Minneapolis e a vizinha St. Paul, Minnesota — onde, diante da rejeição das autoridades locais e estaduais ao envio de centenas de agentes do ICE, Trump ameaçou invocar a Lei da Insurreição.


À sua imagem, Bovino acrescentou na semana passada um longo casaco de estilo militar com lapelas largas e insígnias nos braços e ombros, gerando uma onda de indignação nas redes sociais.


Mas seus críticos não culpam Bovino apenas por sua escolha deliberada de roupas e um corte de cabelo que lembra oficiais nazistas. Eles também o responsabilizam pelas táticas brutais do ICE durante as batidas e contra aqueles que protestam contra elas.


Durante as operações em Los Angeles, ele compartilhou um vídeo promocional mostrando as unidades realizando suas operações ao som de heavy metal.


Em outro vídeo postado nas redes sociais na época, ele pode ser ouvido dizendo: "Estamos tornando Los Angeles um lugar mais seguro, já que não temos políticos cuidando disso."


Em Chicago, ele liderou uma operação que durou um mês e resultou em mais de 3.200 prisões, conforme relatado na época pela CBS News, parceira da BBC nos EUA.


Agentes federais sob seu comando patrulharam bairros predominantemente hispânicos, subúrbios inteiros e centros de transporte, onde foram filmados quebrando janelas de carros e dispersando manifestantes com gás lacrimogêneo.


Bovino celebrou publicamente os resultados da operação e defendeu as táticas dos funcionários sob seu comando como 'exemplares', diante das críticas de líderes locais e especialistas que afirmavam que tais ações violam ordens judiciais sobre o uso da força.


Seu liderança tem sido examinada por diversos tribunais federais e, em novembro, a juíza Sara Ellis emitiu uma ordem para limitar como os agentes do ICE podiam usar a força durante operações em Chicago.


Em sua decisão, Ellis afirmou que Bovino havia mentido ao afirmar que uma pedra lhe foi atirada na cabeça antes de ele usar gás lacrimogêneo contra uma multidão. A magistrada qualificou seu testemunho como "simplesmente não crível".


Ao ser questionado sobre o episódio, Bovino reafirmou sua posição, destacando que suas equipes usam sempre "a menor força necessária", e acrescentou: "Se eu tivesse mais gás, teria usado".


Ele manteve essa postura também ao ser entrevistado após a morte de Renee Nichole Good, baleada por um agente do ICE em Minneapolis no dia 7 de janeiro.


"Meus respeitos para o agente", disse Bovino, reiterando o argumento previamente dado pela secretária Noem, de que o agente atuou em legítima defesa.


Durante uma coletiva de imprensa nas semana passada, ele rejeitou a ideia de que os presos nas operações estejam no alvo do ICE "por razões políticas", enfatizando que o objetivo continua sendo a "eliminação de criminosos violentos" e que lacunas nas ações policiais locais e estaduais tornaram necessária a presença de agentes federais na cidade.


"A segurança pública em Minneapolis não é negociável", acrescentou.



 
 
 

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