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Trump diz que TVs que o criticam podem 'talvez' perder concessão


WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu que algumas redes de TV deveriam ter suas licenças retiradas, ao manifestar seu apoio ao órgão regulador de radiodifusão em uma disputa sobre a suspensão do apresentador de TV Jimmy Kimmel.


A rede de televisão ABC retirou o programa do comediante do ar por tempo indeterminado após seus comentários sobre o assassinato do influenciador conservador Charlie Kirk enquanto ele discursava na Universidade Utah Valley em 10 de setembro.


A emissora cancelou o programa depois que a Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês), liderada por um indicado de Trump, ameaçou tomar medidas regulatórias, levantando preocupações de que o governo Trump esteja restringindo a liberdade de expressão de seus críticos.


Licença revogada

Ao falar sobre o assunto com repórteres a bordo do avião presidencial na quinta-feira, 19, quando voltava de uma visita de Estado ao Reino Unido, Trump sugeriu que "talvez a licença devesse ser retirada" de veículos de comunicação.


"Li em algum lugar que as redes estavam 97% contra mim, novamente, 97% negativas, e mesmo assim eu ganhei facilmente [na eleição do ano passado]", observou o presidente.


"Eles só me dão publicidade ruim. Quer dizer, eles ganharam uma licença. Eu acho que talvez a licença deles devesse ser retirada."


O que Kimmel disse

Em um monólogo no seu programa de TV na segunda-feira, Kimmel disse que a "gangue Maga" [em referência ao Make America Great Again, o movimento político conservador de Trump] estava "tentando desesperadamente caracterizar esse rapaz que assassinou Charlie Kirk como algo diferente de um deles" e tentando "ganhar pontos políticos com isso".


Ele também comparou a reação de Trump à morte de seu aliado político de 31 anos a "como uma criança de quatro anos lamenta a morte de um peixinho dourado".


Kimmel condenou o ataque e enviou "amor" à família Kirk logo após o assassinato.


Ameaça

Juristas dizem que a primeira emenda da Constituição dos EUA, que protege a liberdade de expressão, impediria a FCC de revogar licenças devido a divergências políticas.


Mas Joe Strazullo, ex-roteirista do Jimmy Kimmel Live!, disse à BBC que havia uma atmosfera de medo entre os roteiristas do programa.


"É de partir o coração ver a ameaça de eles ficarem sem trabalho", disse. "Ninguém sabe exatamente o que está acontecendo ainda, e eles estão resolvendo as coisas nos bastidores."


O presidente da FCC, Brendan Carr, acusou Kimmel de ter "a conduta mais doentia possível" e disse que empresas como a ABC, de propriedade do grupo Disney, poderiam "encontrar maneiras de mudar sua conduta e tomar medidas... ou haverá mais trabalho para a FCC".


"Continuaremos responsabilizando essas emissoras pelo interesse público — e se as emissoras não gostarem dessa solução simples, elas podem entregar sua licença à FCC", disse Carr à rede conservadora Fox na quinta-feira.


A FCC tem poder regulatório sobre as principais redes, como a ABC, bem como sobre as emissoras locais que transmitem o seu conteúdo. Proprietários das transmissoras locais também podem influenciar as principais redes, recusando-se a transmitir programas.


Suspensão

A suspensão de Kimmel foi anunciada logo após a Nexstar Media, uma das maiores donas de emissoras de TV dos EUA, dizer que não transmitiria o programa do apresentador "no futuro próximo", pois seus comentários foram "ofensivos e insensíveis".


Carr elogiou a Nexstar — que atualmente está buscando a aprovação da FCC para uma fusão de US$ 6,2 bilhões com outra empresa de mídia, a Tegna — e disse que espera que outras emissoras sigam seu exemplo.


Apoio a Kimmel e indignação

Escritores, atores e democratas proeminentes condenaram a suspensão de Kimmel.


O ex-presidente dos EUA, Barack Obama, disse que o governo Trump levou a cultura do cancelamento a um "nível novo e perigoso ao ameaçar rotineiramente com ações regulatórias as empresas de mídia, a menos que elas amordacem ou demitam repórteres e comentaristas dos quais não gostam".


Apresentadores de programas noturnos se uniram em apoio a Kimmel.


Em um raro episódio do The Daily Show no meio da semana, o comediante Jon Stewart zombou da restrição à liberdade de expressão sob o atual governo.


Stewart descreveu a si mesmo como um "apresentador patrioticamente obediente" e seu programa como "em conformidade com o governo". Em seguida, referiu-se a Trump como um "querido líder" que vem "agraciando a Inglaterra com seu lendário calor e esplendor".


Em um segmento posterior de seu programa, Stewart entrevistou Maria Ressa, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2021 por sua luta pela liberdade de expressão e democracia nas Filipinas durante o governo do ex-presidente Rodrigo Duterte.


O que está acontecendo nos EUA é "idêntico ao que aconteceu nas Filipinas", disse Ressa. "É tanto déjà vu quanto Transtorno de Estresse Pós-Traumático."


O ator Ben Stiller disse que o que aconteceu com Kimmel "não está certo". A estrela da série Medíocres, Jean Smart, disse que ficou "horrorizada com o cancelamento".


"Isso é censura descarada", disse Stephen Colbert em seu programa rival na CBS. "Com um autocrata, você não pode ceder um centímetro."


A CBS anunciou em julho que não renovaria o programa de Colbert, alegando que isso se devia a pressões financeiras.


O Writers Guild of America e o Screen Actors Guild, dois sindicatos de Hollywood, condenaram a suspensão de Kimmel como uma violação dos direitos constitucionais de liberdade de expressão.


Mas outros sustentaram que a FCC e a ABC agiram adequadamente.


"Quando uma pessoa diz algo que muitas pessoas consideram ofensivo, rude e idiota em tempo real e depois é punida por isso, isso não é cultura do cancelamento", disse Dave Portnoy, fundador da empresa de mídia Barstool Sports.


"Isso são consequências para suas ações."


O apresentador do programa noturno Fox, Greg Gutfeld, argumentou que Kimmel havia "deliberada e enganosamente" culpado os "aliados e amigos" de Kirk por sua morte.


O apresentador britânico Piers Morgan disse que Kimmel causou "indignação compreensível em toda a América", acrescentando: "Por que ele está sendo tratado como uma espécie de mártir da liberdade de expressão?"


Entretanto, uma das colegas de Carr na FCC, a democrata Anna Gomez, criticou a posição do regulador.


Ela disse que "um ato indesculpável de violência política por parte de um indivíduo perturbado nunca deve ser explorado como justificativa para censura ou controle mais amplo".


** Com BBC **


 
 
 

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