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EUA investigam empresas brasileiras por preços da carne


Preço da carne subiu 18% nos EUA em relação ao ano passado
Preço da carne subiu 18% nos EUA em relação ao ano passado

WASHINGTON - O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira, 4, uma investigação para analisar supostas violações de regras de concorrência na indústria de processamento de carne, em ação que atinge empresas brasileiras.


O processo, que envolve JBS, Cargill, Tyson Foods e National Beef, tramita em meio à disparada dos preços da carne bovina no país e à redução do rebanho. Nos EUA, um quilo de carne moída chegou a US$ 6,75 em janeiro deste ano, de acordo com Federal Reserve Economic Data, um aumento de 18% em comparação com o ano passado.


"Há muito trabalho que já foi feito e muito ainda a fazer. Estamos avançando o mais rápido possível", afirmou o procurador-geral interino Todd Blanche.


O procurador, que detalhou que o departamento já revisou cerca de 3 milhões de documentos, entrevistou pecuaristas e produtores e vai anunciar, no fim desta semana, um acordo que deve afetar os preços do frango, carne suína e peru.


Consultadas, JBS e MBRF —conglomerado formado pela união entre Marfrig e BRF, que controla a National Beef nos EUA — afirmaram que não comentarão a decisão do governo americano. Cargill e Tyson Foods não responderam até a pulbicação dessa material.


Peter Navarro, conselheiro do comércio da Casa Branca, destacou que metade das quatro maiores empresas do setor são brasileiras. Ele relembrou que, no último ano, quando o presidente impôs tarifas ao Brasil em resposta a ações consideradas prejudiciais aos EUA, o lobby da carne — que, segundo ele, é representado por interesses brasileiros — teria pressionado o governo americano.


Navarro disse ainda que, nesse contexto, a carne que deveria estar abastecendo o mercado interno acabou sendo desviada para outros destinos, citando a China como exemplo.


No fim do ano passado, uma reportagem do jornal americano The New York Times, afirmou que a Casa Branca solicitou uma análise das práticas das empresas frigoríficas após o presidente Donald Trump, em uma publicação nas redes sociais, ter acusado as gigantes do mercado de inflacionar artificialmente os preços e colocar em risco o abastecimento alimentar do país.


Já na época, um comunicado da administração Trump nomeou especificamente JBS, Cargill, Tyson Foods e National Beef como alvos da investigação.


A secretária de Agricultura Brooke Rollins afirmou que essas empresas controlam cerca de 85% do mercado de processamento de gado nos EUA. "Esse nível de concentração disparou de apenas 25% em 1977 para 71% em 1992, e agora para impressionantes 85%", escreveu ela em uma publicação nas redes sociais.


"Juntas, essas empresas operam por meio de dezenas de negócios subsidiários, criando um cenário que deixa muitos de nossos produtores de gado com opções limitadas de comercialização. Para alguns pecuaristas, isso significa menos oportunidades de marketing, complicando um mercado já desafiador", disse Rollins. Ele defendeu ser necessário "trabalhar para enfrentar isso e proteger nossos pecuaristas e consumidores".


Também disse que o governo pretende "promover justiça e concorrência", a fim de garantir que os produtores "tenham opções e um campo de jogo nivelado".


Em uma imagem publicada pelo Departamento de Agricultura, dois braços aparecem se cumprimentando e na foto está escrito: "Departamento de Agricultura e Departamento de Justiça lutando pela manipulação dos preços".


Após o anúncio da investigação, o deputado republicano Jason Smith afirmou que apoia a investigação de "possíveis práticas anticompetitivas na indústria de abate de carne". "Nossos fazendeiros merecem uma chance justa, competição real e preços transparentes", disse.


** Com AF **

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