EUA mantêm juros entre 3,5% e 3,75% com incertezas sobre guerra no Irã
- Rádio Manchete USA

- há 3 dias
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WASHINGTON - Em meio à guerra no Irã e à disparada no preço do petróleo, o banco central dos Estados Unidos (Fed - Federal Reserve) decidiu nesta quarta-feira. 18, manter a taxa de juros entre 3,5% e 3,75% pela segunda reunião consecutiva.
A medida foi aprovada por 11 votos a 1, sendo que o único a divergir foi Stephen Miran, indicado por Donald Trump neste segundo mandato, que defendeu um corte de 0,25 ponto percentual.
Em comunicado, o Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) afirmou que a "incerteza quanto às perspectivas econômicas permanece elevada" em virtude das consequências incertas do conflito no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro.
Sete das 19 autoridades do Fed preveem que as taxas fiquem inalteradas até o final deste ano. Outros sete consideraram que um corte de 0,25 ponto percentual seria necessário, enquanto cinco defendem duas reduções dessa magnitude.
As projeções publicadas nesta quarta mostram que os banqueiros centrais se tornaram mais pessimistas em relação à inflação nos últimos meses. O aumento de preços nos Estados Unidos, antes estimado em 2,4%, subiu para 2,7% em 2026, enquanto a expectativa para a taxa de desemprego permaneceu em 4,4%.
Os dados mais recentes mostraram que a inflação desacelerou em janeiro, mas o total acumulado em 12 meses subiu de 2,8% para 2,9%.
"Ao avaliar a postura adequada da política monetária, o Comitê continuará monitorando as implicações das novas informações para as perspectivas econômicas. O Comitê estará preparado para ajustar a postura da política monetária conforme apropriado, caso surjam riscos que possam impedir o alcance de seus objetivos", destacou a autarquia.
Pressionado pelo presidente Donald Trump desde o início de seu novo mandato, o chair do Fed, Jerome Powell, disse nesta quarta que não tem intenções de deixar a instituição até que a investigação sobre os gastos da reforma de sua sede seja concluída.
O indicado de Trump, Kevin Warsh, ainda precisa ser sabatinado pelo Senado, e deve assumir em meados de maio, quando termina o mandato de Powell.
A decisão já era esperada por analistas que esperavam o posicionamento do Fed frente ao conflito que levou o preço do petróleo em 9 de março ao seu maior patamar em quatro anos e catapultou o preço médio da gasolina e do diesel, que subiram mais de 25% na comparação com o valor antes da guerra.
Economistas dizem que os impactos domésticos e globais dependem de quanto tempo a guerra vai durar, da estrutura de um novo governo iraniano e se os preços do petróleo subirão ainda mais além de US$ 100 por barril ou se recuarão logo para os níveis anteriores. Nesta quarta, o preço do Brent, referência mundial, chegou a US$ 109,95.
Além do combustível, vários outros preços podem aumentar no país: as companhias aéreas começaram a alertar sobre a alta dos custos de viagem com a elevação do preço do combustível de aviação, e uma autoridade da Casa Branca disse que os EUA estavam buscando outras fontes de fertilizantes agrícolas para evitar impactos nos alimentos.
À medida que os consumidores lidam com os preços mais altos relacionados ao petróleo, eles podem cancelar compras ou tentar reduzir totalmente os gastos, enquanto os parceiros comerciais dos EUA na Europa enfrentam um choque inflacionário ainda mais acentuado.
Ao mesmo tempo, o Fed deve enfrentar novas cobranças de Donald Trump, que teme os efeitos econômicos em sua campanha nas eleições de meio de mandato marcadas para novembro.
A guerra do Irã marca o segundo choque econômico que Trump provocou nas perspectivas do Fed, já que, há um ano, os banqueiros centrais também consideraram as propostas tarifárias do novo governo como um golpe tanto para o crescimento quanto para os preços.
Embora o impacto inicial das tarifas não tenha sido tão alto quanto o esperado, as empresas disseram que ainda estão no processo de repassar os custos mais altos, fato que já fez com que as autoridades, na reunião de 27 e 28 de janeiro do Fed, discutissem a possível necessidade de aumentos nos juros em vez de cortes.
**Com AF**

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