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Mulher é solta após 22 anos ficar 22 anos presa no Texas e enfrenta risco de deportação


Carmem ao sair da prisão na madrugada desta quarta-feira (Foto: Divulgação/Montinique Monroe via Innocence Project)
Carmem ao sair da prisão na madrugada desta quarta-feira (Foto: Divulgação/Montinique Monroe via Innocence Project)

HOUSTON - A hondurenha Carmen Mejia, de 54 anos, foi libertada na primeira hora desta quarta-feira, 11, após passar 22 anos presa pela morte de um bebê de 10 meses que agora os tribunais do Texas reconhecem ter sido resultado de um acidente doméstico. As informações são do Innocence Project, organização que atuou na revisão do caso.


Embora sua inocência tenha sido reconhecida dois dias antes, ela permaneceu detida temporariamente devido a um pedido de custódia do ICE emitida em razão da antiga condenação. Em 10 de março, porém, a agência informou que revogaria a ordem após a decisão judicial, permitindo sua libertação.


“Nunca perdi a fé e a esperança — nunca as perdi em 22 anos”, afirmou Carmem ao deixar o Complexo Correcional do Condado de Travis.


A exoneração ocorreu depois que o juiz P. David Wahlberg, do Tribunal Distrital do Condado de Travis, rejeitou formalmente a acusação de homicídio apresentada contra ela em 2003. A decisão foi baseada em um parecer do Tribunal de Apelações Criminais do Texas que concluiu que novas evidências demonstravam que Carmen era “de fato inocente”.


Reinterpretação da Justiça

O caso teve origem em julho de 2003, quando a mulher cuidava de um bebê de dez meses em casa, enquanto também estava com seus quatro filhos. Segundo a reconstrução feita anos depois, a filha mais velha tentou dar banho na criança enquanto a mãe amamentava outro filho. O aquecedor da casa, uma residência antiga sem dispositivos modernos de segurança, permitia que a água atingisse temperaturas extremamente altas.


Em poucos segundos, a água chegou a cerca de 64 °C, causando queimaduras graves no bebê, que morreu no hospital no mesmo dia. Na época, investigadores e peritos sustentaram que as lesões só poderiam ter sido provocadas intencionalmente por um adulto, tese que levou à condenação de Carmen por homicídio e lesão corporal contra uma criança. Ela recebeu pena de prisão perpétua.


Décadas depois, especialistas em queimaduras e segurança doméstica apresentaram novos pareceres afirmando que os ferimentos eram compatíveis com um acidente causado por água excessivamente quente. A própria médica legista responsável pela autópsia revisou sua avaliação e alterou a causa da morte para acidental em 2025.


Além disso, depoimentos gravados dos filhos de Carmem — que corroboravam a versão de acidente — haviam desaparecido antes do julgamento original, impedindo que o júri tivesse acesso às imagens.


Com base nas novas evidências, especialistas do próprio Estado retiraram depoimentos que sustentavam a hipótese de crime. O tribunal concluiu então que nenhum delito havia ocorrido.


Separação Familiar

A condenação teve impactos profundos na vida de Carmen. Quando foi presa, seus quatro filhos tinham menos de oito anos. Eles foram adotados em um processo fechado e passaram mais de duas décadas sem contato com a mãe.


Apenas durante as audiências de revisão do caso, a partir de 2024, três das filhas voltaram a encontrá-la. Agora em liberdade, a hondurenha afirma esperar reconstruir o vínculo familiar após anos de separação.


Apesar da libertação, seu futuro ainda depende de decisões das autoridades migratórias. Nascida em Honduras, Mejia chegou aos Estados Unidos em 1995 e possuía Status de Proteção Temporária (TPS), que lhe permitia trabalhar legalmente no país até sua prisão.


** Com Agências **



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