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Pai reencontra filha após mais de 100 dias preso pelo ICE em caso raro de fiança


Reencontro de Márcio com a filha revela a dor das famílias separadas pela repressão à imigração
Reencontro de Márcio com a filha revela a dor das famílias separadas pela repressão à imigração

 

BOSTON – Depois de passar 110 dias preso pelo ICE, o empresário brasileiro Márcio Pires, 42, andou na contramão da história de milhares de imigrantes e foi solto, apesar de ter entrado no país em 2005 através do sistema que era conhecido como cai-cai, quando o estrangeiro se entregava voluntariamente à Patrulha de Fronteira (CBP) e solicitava asilo ao governo americano. 


Mesmo com a maior parte dos imigrantes beneficiados pelo cai-cai sendo alvo do ICE para deportação, Pires conseguiu resistir aos dias nos presídios à espera de uma audiência na Justiça.


O brasileiro foi preso em Massachusetts e transferido no mesmo dia para New Jersey onde dividiu com outras 47 pessoas uma cela com capacidade para apenas 17. “Nós nos revezávamos para dormir deitado, espalhados pelo chão”, conta Pires.


Neste centro de detenção um preso conseguiu entrar com um celular e filmar a superlotação na cela. A ação provocou a transferência de Pires e outros detentos para o Texas onde permaneceu por quase quatro meses.


O empresário era diariamente questionado por agentes do ICE sobre a possibilidade de assinar a deportação voluntária. 


“Eu tinha o objetivo de ficar no país e por telefone perguntei a minha esposa se ela estava aguentando. Quando ela disse sim eu decidi buscar forças e aguardar para ser ouvido por um juiz”, explica.


Pai de quatro filhos com idades entre sete e 21 anos, Pires conta que os presos raras vezes recebiam atenção e alguns simulavam desmaios para atrair os carcereiros e, assim, receber assistência. 


Enquanto estava detido, a esposa de Pires contratou o advogado de imigração Danilo Brack para entrar com o pedido de habeas corpus e obter a chance de ir diante de um juiz. 


“Eu estava apreensivo porque o juiz não estava ouvindo nenhum advogado, mas o Dr. Danilo conseguiu me representar e tive o direito a uma fiança, algo que quase ninguém estava recebendo”, conta.


Pires saiu do presídio usando uma tornozeleira GPS que foi retirada na sexta-feira, 6, um mês depois de conquistar a liberdade. 


“O caso do Márcio tem pontos atípicos. Primeiro, o juiz mandou me ligar e iniciar a audiência duas horas antes. Depois se confundiu com as pastas e alegou que meu cliente tinha uma serie de crimes. Ele estava vendo a ficha da pessoa errada. Pires não tinha nenhum crime e, ao contrário, mostrei que ele paga impostos, tem um filho com necessidades especiais e que é o único provedor da família”, explica o defensor.


A fiança foi estipulada em 7,5 mil dólares e o brasileiro terá outra audiência em Corte no futuro, "provavelmente em Massachusetts onde ele mora”, segundo Danilo Brack.


Vale ressaltar que, de acordo com os dados do Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC), até dezembro de 2025, os juízes de imigração realizaram 15.540 audiências de fiança, das quais apenas 4.062 resultaram em concessão de caução.


A volta do empresário para casa chamou a atenção da comunidade brasileira nos EUA. A filha de 7 anos correu ao encontro dele e o abraçou ainda dentro do carro que o trazia. “Foi uma cena que me emociona todas as vezes que vejo até hoje”, diz Brack. 


Para mostrar que está cumprindo as ordens judiciais, Pires comparece regularmente ao escritório do ICE em Massachusetts, estado onde é sócio da empresa Gilmar General Construction há mais de cinco anos. 


“Neste período em que estive preso meu sócio Giovani Penedo manteve a companhia em atividade e agora só quero descontar o tempo perdido com o trabalho e minha família”, finaliza Pires.


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