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PF retira credenciais de policial dos EUA em retaliação a expulsão de delegado


BRASÍLIA - O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou nesta quarta-feira, 22, que retirou as credenciais de um servidor do departamento de imigração dos Estados Unidos que atuava em Brasília. Com isso, o policial americano deixou de ter acesso à PF.


Andrei afirmou ter tomado a decisão pelo “princípio da reciprocidade” após os EUA negarem credenciais de serviço do delegado da PF, Marcelo Ivo de Carvalho do país. O agente brasileiro atuou no caso da prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem na última semana.


“Não vamos expulsar ninguém aqui do Brasil. O Itamaraty está tratando, eu estava em viagem ao Exterior. O Itamaraty também no campo da reciprocidade diplomática tem feito reuniões, contatos, mas repito. É preciso que seja feita alguma formalização da nossa contraparte para que as coisas aconteçam”, disse o diretor-geral da PF em entrevista à Globonews.


O diretor-geral da PF afirmou que retirou as credenciais de um policial americano que até então trabalhava dentro de uma unidade da PF na capital federal. Ele explicou que, sem as credenciais, o agente deixa de ter acesso à unidade em que trabalhava, em Brasília, e a bases de dados usadas para as cooperações entre as polícias dos EUA e do Brasil. Era a mesma situação do delegado brasileiro que atuava em Miami, segundo Andrei.


Em um comunicado divulgado na segunda-feira (20) pelo Departamento de Estado, o governo dos EUA afirmou que o oficial brasileiro teria tentado “manipular” o sistema de imigração, “contornando pedidos formais de extradição” e “estendendo perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”.


Andrei Rodrigues afirmou na entrevista que Carvalho não foi expulso dos EUA, mas que teve as credencias de acesso negadas no sistema da unidade em que trabalhava em cooperação internacional. Por isso, o diretor-geral da PF entendeu que seria “mais prudente” que o brasileiro retornasse ao país.


“Não há nenhuma expulsão de funcionário brasileiro. Ele voltou por determinação minha, em razão desse episódio, para que nós consigamos esclarecer se há um processo formal no Departamento de Estado, no próprio ICE...seja onde for”, disse Andrei.


O episódio ocorreu uma semana depois que Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado foi detido pelo ICE, em 13 de abril, e solto dois dias depois. O ex-delegado fugiu para os EUA em setembro do ano passado.


Em nota oficial, a PF alegou que a prisão de Ramagem se tratou de uma cooperação policial internacional entre autoridades dos Brasil e EUA já que o ex-deputado é considerado foragido da Justiça brasileira.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ter sido informado na manhã da terça-feira (21) sobre o episódio de Marcelo Ivo. Em conversa com a imprensa na porta de um hotel em Hannover, na Alemanha, Lula afirmou que as autoridades brasileiras podem agir com “reciprocidade” contra os EUA.


“Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa. Ou seja, nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas nós não podemos aceitar essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas personalidades americanas querem ter com relação ao Brasil”, afirmou Lula.


** Com AE **


 
 
 

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