Vendas do Walmart aumentam com os consumidores dos EUA focados em preços baixos
- Rádio Manchete USA

- 20 de nov. de 2025
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NOVA YORK - O Walmart anunciou nesta quinta-feira, 20, que seu lucro subiu 34%, para US$ 6,1 bilhões, no último trimestre, à medida que consumidores buscavam preços mais acessíveis em meio ao aumento dos custos e à persistente incerteza econômica.
A maior varejista dos Estados Unidos registrou um aumento de 4,5% nas vendas em lojas abertas há pelo menos um ano - uma desaceleração em relação ao mesmo período do ano anterior. Os clientes fizeram menos visitas às lojas, mas gastaram mais quando foram.
A busca por preços acessíveis tem sido prioridade para muitos americanos, que enfrentam inflação elevada e novas tarifas. Um mercado de trabalho incerto também ampliou as preocupações. Embora empregadores tenham criado 119 mil vagas em setembro, a taxa de desemprego subiu para 4,4%, um sinal leve de fragilidade. A paralisação do governo por 43 dias - a mais longa da história dos EUA - somada a demissões e pedidos de exoneração entre funcionários federais, pode levar parte da população a buscar preços mais baixos.
Houve “bolsões de moderação” entre famílias de baixa renda que reduziram seus gastos, em linha com tendências mais amplas do varejo, disse o diretor financeiro do Walmart, John David Rainey. Consumidores de renda mais alta também seguem comprando na rede - um sinal de que estão procurando economizar onde for possível.
“O Walmart está mais bem protegido do que quase qualquer outra empresa, dada a proposta de valor que oferecemos”, disse Rainey em teleconferência com analistas. “Gostamos da proposta de valor que entregamos aos nossos clientes, e é por isso que estamos ganhando participação de mercado.”
A empresa tem cerca de 7,4 mil itens com preços temporariamente reduzidos - mais da metade deles na seção de alimentos. Esses descontos frequentemente se tornam permanentes, disse o CEO do Walmart, Doug McMillon. Neste ano, mais de 2 mil itens tiveram reduções que passaram a ser definitivas, acrescentou McMillon.
O Walmart elevou novamente sua projeção anual, um sinal de confiança de que os consumidores continuarão comprando nas lojas físicas, no comércio eletrônico e no Sam’s Club, seu programa de fidelidade. A empresa agora prevê aumento de vendas entre 4,8% a 5,1% no fiscal.
Os resultados são acompanhados de perto porque ajudam a definir o tom para o período crucial de compras de fim de ano, que tradicionalmente começa na semana que vem com a Black Friday - embora alguns analistas considerem todo o mês de novembro. Executivos da empresa já observar fortes vendas nos primeiros dias do quarto trimestre.
Os números robustos do Walmart contrastam com os de concorrentes que apresentaram uma visão mais cautelosa sobre o consumidor. Nesta semana, Target, Lowe’s e Home Depot reduziram suas projeções de lucro para o ano.
As ações da varejista subiram mais de 6% no início do pregão desta quinta-feira.
As vendas de alimentos e de mercadorias em geral, como roupas e produtos de saúde e bem-estar, impulsionaram o crescimento do Walmart. O negócio de comércio eletrônico avançou 28% e contribuiu para o aumento das vendas online e para a melhora do lucro operacional.
“Continuamos trabalhando para resistir à pressão de alta nos custos dos produtos e para gerenciar nosso mix”, disse McMillon.
O presidente dos EUA, Donald Trump, tem citado repetidamente o Walmart como exemplo de queda de preços, mencionando um relatório da varejista que mostrava que o custo de uma refeição de Ação de Graças seria 25% menor do que no governo Biden. A ressalva é que o pacote deste ano tem menos itens do que o do ano passado, segundo análises.
Apesar dos resultados sólidos, alguns sinais de fraqueza apareceram no último trimestre. No Sam’s Club, as vendas comparáveis aumentaram 3,8%, abaixo dos 7% registrados no ano anterior. Tanto o número de transações quanto o valor médio das compras diminuíram.
Mudanças estão previstas para os próximos meses: McMillon deixará o cargo no fim de janeiro e será substituído por John Furner, atual chefe das operações do Walmart nos EUA.
A empresa também anunciou que transferirá a listagem de suas ações para a Nasdaq, onde passará a negociar ao lado de gigantes da tecnologia como Nvidia, Microsoft e Netflix. A varejista tem aumentado seus investimentos em tecnologia e os funcionários dessa área já representam um terço da força de trabalho corporativa.
“O Walmart tem as habilidades e o poder financeiro para continuar sua trajetória ascendente”, afirmou o diretor administrativo da consultoria de varejo GlobalData, Neil Saunders, em comunicado.
** Com NYT **

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