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- Trump cancela parole e manda imigrantes que entraram pelo CBP One saírem imediatamente dos EUA
WASHINGTON - O governo Trump cancelou a permanência temporária (parole) de mais de 900 mil pessoas que entraram nos Estados Unidos através do aplicativo CBP One. A notificação do Departamento de Segurança Interna (DHS) afirma que os imigrantes beneficiados pelo programa democrata "saíam do país imediatamente". De acordo com o DHS, mais de 930 mil estrangeiros foram admitidos pelo aplicativo entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025, quando o aplicativo foi desativado pelo presidente Donald Trump. O programa oferecia autorização de trabalho e permanência legal no país por dois anos para estrangeiros que se qualificavam para proteção humanitário. Mas agora correm o risco de serem expulsos dos EUA. O DHS enviou um e-mail para os beneficiários sobre o fim do programa que também dizia que os imigrantes deviam se "auto-deportar". Em nota, a Coalizão de Defesa de Imigrantes e Refugiados de Massachusetts (MIRA) alerta que muitos imigrantes que entraram pelo CBP One iniciaram um processo de asilo no país e devem conversar com seus advogados, "especialmente se estiverem nos EUA há menos de dois anos".
- Obrigatoriedade de registro de imigrante sem biometria nos EUA está em vigor
WASHINGTON - A obrigatoriedade do registro de imigrantes entrou em vigor nesse fim de semana nos Estados Unidos após um juiz federal negar um pedido de organizações para bloquear a ampliação dos mandatos de coleta de impressões digitais e dados para estrangeiros. O juiz Trevor McFadden decidiu nesta quinta-feira (10) que os contestadores não demonstraram que a política estava prejudicando os imigrantes de forma que justificasse a intervenção de um tribunal. “Como organizações, muitos dos seus danos são muito especulativos, e eles não conseguiram demonstrar que a regra irá corroer suas missões principais”, escreveu McFadden, nomeado por Trump. Leia também: EUA querem registrar imigrantes que entraram no país sem biometria A decisão significa um revés para os grupos de defesa que lutam para bloquear a abrangente agenda de imigração do governo. As organizações, incluindo a Coalition for Humane Immigrant Rights Los Angeles, CASA, Make the Road New York e United Farm Workers, entraram com uma ação judicial no mês passado contra a regra que exige que estrangeiros com 14 anos ou mais se registrem no governo, apresentem dados biométricos e comprovante de endereço — sob ameaça de penalidades criminais. Os contestadores argumentam que ela viola a Lei de Procedimento Administrativo, cria confusão e ameaça as liberdades civis. Eles também alertam para a potencial discriminação racial, riscos legais para imigrantes e interrupção dos serviços de assistência jurídica. ** Com Agências **
- Brasileira é presa em Massachusetts acusada de crimes sexuais contra crianças
(Foto: Cortesia ICE) BOSTON - A brasileira Ilma Leandro de Oliveira foi presa em Falmouth, Massachusetts, por suspeita de abusar sexualmente de uma criança, informou o ICE nesta segunda-feira, 14. A mulher de 53 anos foi indiciada em 20 de março por estupro, negligência, incesto, exposição indecente, atentado violento ao pudor e agressão física contra menor de 14 anos. "Ilma Leandro De Oliveira é acusada de sete crimes diferentes relacionados à vitimização sexual de uma criança em nossa comunidade de Massachusetts", disse Patricia Hyde, diretora interina da do ICE Boston. "Esses são crimes que simplesmente não toleraremos. O ICE Boston continuará priorizando a segurança de nossas crianças, prendendo e removendo qualquer estrangeiro criminoso que represente uma ameaça aos nossos residentes", acrescentou em comunicado. A Patrulha da Fronteira (CBP) dos Estados Unidos já havia prendido Ilma em 20 de setembro de 2007, após ela entrar ilegalmente no país pelo Texas. As autoridades emitiram uma notificação e uma ordem de remoção acelerada. Sete dias depois, ela foi deportada para o Brasil. Segundo o ICE, a brasileira "voltou ilegalmente aos EUA em data e local desconhecidos, sem ser inspecionado, admitido ou liberado condicionalmente por um oficial de imigração". Além dos crimes de abuso sexual, Ilma também deve ser processada por reentrada ilegal após a deportação. A reportagem não conseguiu localizar a defesa da suspeita até a publicação dessa reportagem. ** Com informações do ICE **
- Juíza bloqueia revogação de status legal de meio milhão de imigrantes nos EUA
BOSTON - Uma juíza federal bloqueou na segunda-feira, 14, a revogação do status legal nos Estados Unidos de centenas de milhares de imigrantes da Venezuela, Cuba, Nicarágua e Haiti, um novo revés para o governo de Donald Trump. A decisão da juíza federal em Boston é a última ordem judicial contra as medidas de Trump para realizar deportações em massa, especialmente de latino-americanos. Em março, o governo americano disse que trabalhava na revogação do status legal de cerca de 532 mil imigrantes desses países que chegaram aos Estados Unidos sob um programa lançado pelo ex-presidente Joe Biden, em outubro de 2022. Leia mais: Trump revoga proteção temporária para mais de 300 mil venezuelanos Esse programa permitia a entrada de até 30 mil imigrantes dos países mencionados, com um histórico nefasto em matéria de direitos humanos, a cada mês durante dois anos. A decisão do tribunal de Massachusetts diz que a administração Trump agiu com base em uma interpretação errônea da lei de imigração, ao considerar a expulsão acelerada de não cidadãos que entraram ilegalmente nos Estados Unidos, mas não daqueles com autorização para estar no país. O republicano prometeu em campanha deportar "milhões" de migrantes sem documentação e recentemente invocou uma antiga lei de 1798 para expulsar centenas de supostos membros da gangue criminosa de origem venezuelana Tren de Aragua para uma mega prisão em El Salvador. ** Com AFP **
- Presidente de El Salvador se recusa a devolver imigrante deportado por engano
WASHINGTON - O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, declarou em encontro com Donald Trump nesta segunda-feira, 14, que não devolverá aos Estados Unidos um imigrante deportado para o país por engano. Um pouco antes, membros do governo republicano já haviam dito que não eram obrigados a trazer o salvadorenho Kilmar Abrego Garcia de volta. Mesmo com autorização para trabalhar nos EUA, Abrego foi detido em março e acusado de envolvimento com a gangue MS-13. A defesa do homem negou e o governo americano admitiu o erro na deportação. A Suprema Corte dos EUA ordenou que a administração federal facilitasse o retorno do imigrante deportado. Entretanto, Bukele rebateu que não pode soltar um criminoso já que os EUA alegaram que o homem integrava uma gangue. Leia também: Suprema Corte pausa retorno imediato de imigrante deportado por erro A defesa de Abrego argumenta que a administração Trump não apresentou nenhuma prova de que o imigrante fizesse parte da gangue. Enquanto isso, Trump chamou repórteres que o questionaram sobre a volta de Abrego ao país de “doentes”. Além disso, um tribunal de apelações dos EUA rejeitou um pedido do governo para suspender a ordem que exige o país a facilitar o retorno de Abrego, alegando a falta de provas da relação criminosa. O imigrante foi enviado ao Centro de Confinamento do Terrorismo em El Salvador em 15 de março. Um juiz de imigração já havia concedido proteção a Abrego contra a deportação, devido a possibilidade de violência de gangues em El Salvador. Diversos manifestantes protestaram em frente a Casa Branca antes da reunião de Trump e Bukele. Entre eles, estava a esposa de Abrego, uma cidadã norte-americana.
- Trump recua e anuncia pausa de 90 dias no tarifaço para 'quem não retaliou'
WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, fez um recuo em sua guerra comercial nesta quarta-feira, 9, ao anunciar uma "pausa" de 90 dias nas tarifas aplicadas para dezenas de países, com exceção da China, sobre a qual imporá taxas de 125% em resposta à retaliação de Pequim. "Devido à falta de respeito que a China demonstrou em relação aos mercados globais (...), estou aumentando a tarifa imposta à China pelos Estados Unidos para 125%, com efeito imediato", escreveu Trump em sua rede, Truth Social. "Esperamos que em um futuro próximo, a China se dê conta de que os dias em que roubava os Estados Unidos e outros países não são mais sustentáveis ou aceitáveis", acrescentou. Horas após utilizar um linguajar chulo para sugerir que seus parceiros o estariam bajulando para negociar acordos comerciais "sob medida", o republicano voltou atrás, ao menos parcialmente. Como mais de 75 países solicitaram negociações, ele autorizou "uma pausa de 90 dias e uma tarifa recíproca substancialmente reduzida durante esse período, de 10%, também com efeito imediato", acrescentou. "Essa foi a estratégia dele desde o início", declarou o secretário do Tesouro, Scott Bessent, referindo-se ao presidente, que aposta nas tarifas para reduzir o déficit comercial americano, sanear as contas públicas e realocar várias atividades industriais. Bessent apontou o dedo para a China, que considera "um problema" para o mundo. A pausa dá um refresco ao mercado de ações. Por volta das 18h30 GMT (15h30 de Brasília), o Dow Jones operava em alta de 5,61%; o índice Nasdaq, de 7,44%, e o S&P, de 6,22%. O mesmo ocorreu com o petróleo: o preço do barril de petróleo Brent do Mar do Norte subiu 0,97%, para 63,43 dólares, e o do West Texas Intermediate teve uma elevação de 1,17%, para 60,28 dólares. Ambos haviam perdido 5% durante a sessão. Trump recomendou que se aproveitasse a queda nos mercados para "comprar" ações. "Fiquem tranquilos! Tudo vai dar certo", prometeu o presidente americano nesta manhã em sua rede social, depois que as tarifas adicionais sobre produtos de 60 parceiros comerciais entraram em vigor. Para dar uma ideia da ofensiva tarifária, a UBS Investment Research publicou uma análise segundo a qual o preço de um iPhone 16 Pro Max de 256 GB, montado na China, poderia passar de US$ 1.199 (R$ 7.265) para US$ 1.549 (R$ 9.386), um aumento de 29%. Isto antes do anúncio das tarifas maiores a Pequim. A China reagiu de imediato. Anunciou que aumentará suas tarifas alfandegárias sobre produtos americanos para 84%, em vez dos 34% inicialmente previstos, a partir das 04h01 GMT (01h01 de Brasília) da quinta-feira. "Continuaremos tomando medidas firmes e enérgicas para proteger nossos direitos e interesses legítimos", advertiu um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China. E não se descarta uma escalada diplomática entre China e Estados Unidos, cuja relação já é tensa. Pequim instou, nesta quarta-feira, seus cidadãos a redobrarem a cautela ao viajarem para os Estados Unidos. Antes da pausa, a União Europeia, sujeita desde meados de março a tarifas americanas de 25% sobre o aço e o alumínio e, desde quarta-feira, a um imposto de 20% sobre todos os seus produtos, adotou, nesta quarta-feira, suas primeiras contramedidas sobre mais de 20 bilhões de euros (R$ 133,7 bilhões) em bens "fabricados nos Estados Unidos". A lista inclui produtos agrícolas como soja, aves e arroz. Também prevê sobretaxas de até 25% sobre madeira, motocicletas, produtos plásticos e equipamentos elétricos. Na próxima semana, mais medidas podem ser anunciadas. Bruxelas afirma estar disposta a suspendê-las "a qualquer momento" se alcançar um acordo "justo e equilibrado" com Washington. A guerra comercial global gera temores de aumento da inflação e queda no consumo e no crescimento econômico. Se continuar, poderá alterar a globalização como a conhecemos, com suas cadeias de produção espalhadas por diversos países e seus gigantescos navios de carga carregados de camisetas baratas ou sofisticados componentes eletrônicos. ** Com AFP **
- Polícia fecha bordel de luxo e expõe político e executivos de Boston
Esquema discreto atraía clientes considerados influentes em Massachusetts BOSTON - Um bordel que operava em apartamentos luxuosos perto da Universidade Harvard, em Cambridge, atraiu uma clientela inesperada: executivos de biotecnologia, médicos, advogados e políticos. Cobrando até US$ 600 por hora, o estabelecimento mantinha registros detalhados de seus frequentadores — e agora esses dados viraram prova em uma investigação criminal que expôs dezenas de homens influentes da região de Massachusetts. Entre os nomes revelados está o do vereador de Cambridge, Paul Toner, que enfrenta pedidos de renúncia após ser identificado como cliente do esquema. Outros profissionais de destaque em áreas como medicina e tecnologia também tiveram suas carreiras abaladas, alguns deixando cargos sem explicação pública. A queda do esquema O caso, batizado pela imprensa local de "The Cambridge Brothel Hearings" ("As audiências sobre bordéis de Cambridge", em tradução livre), ganhou repercussão após a Justiça negar um pedido de sigilo feito por treze dos acusados. Segundo uma matéria publicada pelo jornal The Washington Post, eles argumentaram que a exposição traria "consequências embaraçosas", mas o tribunal manteve a transparência das audiências. A operação foi desmontada após a prisão da cafetina Han Lee, de 42 anos, condenada a quatro anos de prisão por liderar uma rede de prostituição e lavagem de dinheiro. Nascida na Coreia do Sul, Lee administrava o negócio com critérios rígidos: exigia crachás de trabalho, referências e até selfies dos clientes antes de autorizar os encontros. Segundo investigadores, o método servia tanto para evitar a polícia quanto para garantir a segurança das profissionais — muitas delas jovens asiáticas que usavam nomes como Tulip e Tiki. Executivos no centro do escândalo Dentre os clientes identificados está Jonathan Lanfear, CEO da HiberCell, empresa de biotecnologia focada em tratamentos contra o câncer. Mensagens apreendidas mostram que ele agendou encontros múltiplas vezes, pagando US$340 dólares por hora. Ao ser abordado pela polícia, Lanfear disse que "visitava um amigo". Outro nome de destaque é o de Anurag Bajpayee, engenheiro do MIT e cofundador da Gradiant (startup de tratamento de água avaliada em US$ 1 bilhão). A empresa emitiu nota afirmando que "confia na Justiça" e que Bajpayee segue à frente dos projetos. Regulação do trabalho sexual A maioria dos acusados enfrenta acusações de contravenção, com penas que podem incluir multas e serviço comunitário. Enquanto alguns veem o escândalo como uma questão moral, ativistas destacam o lado sombrio da indústria do sexo. "A exposição desses homens é importante para frear a demanda que alimenta a exploração", disse ao Washington Post Ivette Monge, sobrevivente de tráfico sexual que trabalha com a ONG Ready Inspire Act. Já o vereador Paul Toner, único político envolvido, negou qualquer ilegalidade e recusou-se a renunciar. "Todos têm direito ao devido processo legal", afirmou, em discurso na Câmara Municipal. (Com informações do Wall Street Journal e agências internacionais).
- Trump quer multa de $ 1 mil por dia para ilegal que não deixar os EUA
Multas poder ser retroativas em até 5 anos e somar US$ 1 milhão WASHINGTON - O governo Trump planeja multar os imigrantes sob ordens de deportação em até US$ 998 por dia se eles não deixarem os Estados Unidos, de acordo com documentos vazados para a imprensa. A administração republicana planeja aplicar as penalidades retroativamente por até cinco anos, o que poderia resultar em multas de mais de US$ 1 milhão, disse uma fonte envolvida nas negociações sob condição de anonimato. O governo Trump também está considerando confiscar os bens dos imigrantes que não pagarem as multas, de acordo com emails do governo vistos pela reportagem. As mensagens mostram que a Casa Branca pressionou o Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) a lidar com a questão das multas, apreensões de propriedades para imigrantes que não pagam e a venda de seus bens. A divisão de confisco de bens civis do Departamento de Justiça poderia ser outra opção para as apreensões, segundo um e-mail. A porta-voz do Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS), Tricia McLaughlin, confirmou a intenção do governo. Em um comunicado que os imigrantes que estão ilegalmente nos EUA devem usar um aplicativo móvel anteriormente conhecido como CBP One —renomeado como CBP Home sob Trump— para "se deportar e deixar o país agora". "Se não o fizerem, sofrerão as consequências", declarou McLaughlin. "Isso inclui uma multa de U$ 998 por dia para cada dia em que o estrangeiro ilegal tiver atrasado em sua ordem de deportação final." O DHS já havia alertado sobre as multas em uma postagem na rede social em 31 de março. As multas decorrem de uma lei de 1996 que foi aplicada pela primeira vez em 2018, durante o primeiro mandato de Donald Trump. O presidente Donald Trump deu início a uma ampla repressão à imigração após assumir o cargo em janeiro, testando os limites da lei dos EUA para aumentar as prisões e deportações. As multas planejadas têm como alvo os cerca de 1,4 milhão de imigrantes que receberam ordem de remoção por um juiz de imigração. ** Com informações da Reuters **
- Juíza suspende lei que criminaliza imigrante na Flórida
Lei prevê pena mínima de 9 meses de prisão para imigrante indocumentado MIAMI - Uma Corte federal de Miami suspendeu por duas semanas uma lei que criminaliza imigrantes ilegais na Flórida. Na decisão de sexta-feira, 4, a juíza Kathleen Williams impede que os estrangeiros sejam processados pelo Estado. Segundo a SB 4-C sancionada em fevereiro, um estrangeiro de 18 anos ou mais que intencionalmente entre ou tente entrar na Flórida após chegar nos Estados Unidos, sem passar pela avaliação e inspeção das autoridades imigratórias, comete uma contravenção de primeiro grau". A pena mínima para esse tipo de crime é de nove meses de prisão. A reincidência da violação aumenta o tempo de encarceiramento para um ano. Leia também: Nova lei na Flórida pune imigrantes capturados pelas polícias locais A decisão da juíza é uma resposta à ação judicial movida pela Coalizão de Imigrantes da Flórida, Associação de Fazendeiros da Flórida e outros indivíduos. Para Williams, os demandantes tiveram sucesso ao demonstrar que a lei viola a Cláusula de Supremacia da Constituição dos EUA, afirmando que a aplicação da política de imigração é uma responsabilidade federal. A liminar vale por 14 dias, até uma nova audiência marcada para 18 de abril. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste material sem a autorização da MANCHETE USA. Todos os textos estão protegidos por copyright. Reproduções autorizadas devem conter crédito de AUTORIA para MANCHETE USA ( mancheteusa.com )
- Suprema Corte autoriza governo Trump a usar Lei do Inimigo para deportar imigrantes
Advogados afirmam que lei impede direito de defesa dos imigrantes WASHINGTON - A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou na noite desta segunda-feira, 7, uma ordem judicial que impedia o governo de Donald Trump de usar uma lei do século XVIII para deportar imigrantes. A decisão permanece em vigor até que se resolva os litígios em instâncias inferiores. A “Lei do Inimigo Estrangeiro” foi usada para deportar mais de 200 imigrantes - a maioria venezuelanos - para El Salvador, sem a apresentação devida de provas de sua ligação com uma organização criminosa, e sem oferecer aos imigrantes as devidas ferramentas legais para evitar as expulsões. A Suprema Corte, que tem maioria de magistrados de viés conservador, não analisou se os venezuelanos deportados se enquadram na lei, que estabelece a "remoção sumária de inimigos estrangeiros envolvidos em 'invasões ou incursões predatórias' no território dos Estados Unidos". Ao invés disso, apontaram que a ação deveria ter sido apresentada no Texas, onde os imigrantes que lutam contra a expulsão estavam detidos, e não no Distrito de Columbia, onde foi emitida a ordem suspendendo as deportações. Mas em um ponto que deve ser explorado pelos advogados, os magistrados concordaram que todos devem receber oportunidades de defesa nos tribunais. A decisão teve o apoio de 5 juízes e foi rejeitada por 4. “Como o tribunal enfatiza, a discordância com os dissidentes não é sobre se os detidos recebem revisão judicial de suas transferências — todos os nove membros do tribunal concordam que a revisão judicial precisa estar disponível”, escreveu o juiz Brett Kavanaugh em seu voto. “A única questão é onde essa revisão judicial deve ocorrer", ressaltou. Em sua rede social, o Truth Social, o presidente disse que "a Suprema Corte manteve o Estado de direito em nossa nação ao permitir que qualquer presidente, seja ele quem for, proteja nossas fronteiras e nossas famílias e nosso país". "UM GRANDE DIA PARA A JUSTIÇA NA AMÉRICA!", escreveu o republicano. Deportação No mês passado, como parte de sua ofensiva anti-imigração, Trump emitiu uma ordem centrada na organização criminosa venezuelana Tren de Aragua, alegando que uma invasão e uma “incursão predatória” estava em curso nos Estados Unidos. O argumento abriu caminho para a invocação da Lei do Inimigo Estrangeiro e a deportação de cerca de 200 imigrantes, a maioria venezuelanos, acusados de ligação com a gangue para uma prisão em El Salvador. No dia 15 de março, o presidente salvadorenho, Nayib Bukele — que ofereceu suas prisões para receber imigrantes deportados e acusados de ligação com o crime organizado —, publicou fotos dos homens com as cabeças raspadas e com algemas. Contudo, organizações de defesa dos direitos humanos alegam que a maioria dos deportados não tinha qualquer tipo de condenação criminal. Enquanto os aviões já estavam no ar rumo a El Salvador, o juiz federal James Boasberg emitiu uma ordem suspendendo os voos enquanto o caso era analisado — em suas redes sociais, Bukele ironizou a decisão, afirmando que ela havia chegado “tarde demais”, e Trump chegou a pedir a destituição do magistrado. Um recurso foi apresentado junto a um tribunal de apelação, que manteve a suspensão e criticou a forma como ocorreram as deportações: durante a sessão, uma das juízas disse que "os nazistas receberam tratamento melhor". No dia 28, o governo levou o caso à Suprema Corte, e a assessora jurídica interina da Casa Branca, Sarah Harris, disse que o caso trata da autoridade presidencial e do papel dos juízes, além de “questões fundamentais sobre quem decide como são conduzidas operações sensíveis relacionadas à segurança nacional". "A Constituição dá uma resposta clara: o presidente", afirmou a assessora. Na visão de grupos como a União Americana pelas Liberdades Civis, que encabeça a luta contra a política migratória de Trump, o presidente distorceu a lei do século XVII sob alegação de "caçar uma gangue criminosa", agindo "completamente em desacordo com a delegação limitada de autoridade de guerra que o Congresso escolheu dar a ele". Segundo advogados dos deportados, eles "foram confinados, incomunicáveis, em uma das prisões mais brutais do mundo, onde a tortura e outros abusos de direitos humanos são desenfreados". Eles estão detidos em uma penitenciária conhecida como Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), capaz de abrigar 40 mil detentos. Na quarta-feira passada, em argumentações à Suprema Corte, Harris disse que o governo não negava que os imigrantes deveriam ter o direito a uma revisão de seus casos, mas que “as questões urgentes agora são ‘questões processuais’ sobre onde e como os detidos devem contestar suas designações como estrangeiros inimigos”. Ela ainda alegou que os advogados agiam de maneira “sensacionalista”. ** Com Agências **
- Suprema Corte pausa retorno imediato de imigrante deportado por erro
Jennifer faz apelo para governo americano trazer o marido de volta (Foto: Divulgação) WASHINGTON - A Suprema Corte dos Estados Unidos suspendeu temporariamente nesta segunda-feira, 7, a decisão de um tribunal federal que determinava o retorno imediato do Kilmar Abrego Garcia deportado por um “erro administrativo”. A decisão permanece até um veredito final sobre o caso. A ordem, emitida pela juíza Paula Xinis exigia que o salvadorenho retornasse aos EUA até a meia-noite desta segunda-feira. O Departamento de Justiça recorreu à Suprema Corte e criticou a exigência da juíza como um “excesso judicial” e afirmou que os EUA não podem garantir o sucesso de negociações com governos estrangeiros sob prazos tão curtos, dizendo ainda que “não controlam El Salvador”. Ao pausar a ordem do tribunal de Maryland, o presidente da Corte, John Roberts, abriu caminho para que o caso seja analisado pelo plenário. Kilmar Abrego Garcia O salvadorenho Kilmar Abrego Garcia é casado com a americana Jennifer Vasques Sura com quem tem um filho de cinco anos também nascido nos EUA, além de criar os dois filhos dela de um relacionamento anterior. Em 2019, uma decisão assinada por um juiz de imigração, impedia sua deportação para El Salvador sob o risco de perseguição por gangues. “Em 15 de março, embora o ICE estivesse ciente de sua proteção contra remoção para El Salvador, Abrego Garcia foi removido para El Salvador devido a um erro administrativo”, adimitiu o governo Trump. Jennifer reconheceu o marido em uma foto de detentos entrando na admissão na notória mega-prisão CECOT de El Salvador. Para os advogados do imigrante, o caso é um “erro kafkiano” e não há nenhuma evidência de que o governo seja incapaz de trazê-lo de volta. “Abrego Garcia nunca foi acusado de nenhum crime, em nenhum país. Ele está preso no exterior exclusivamente a mando dos EUA”, escreveram. ** Com Agências **
- Promotores pedem sentença superior a 7 anos de prisão para George Santos
NOVA YORK - Promotores federais de Nova York pediram nesta sexta-feira, 4, uma sentença de prisão superior a sete anos para George Santos, o ex-congressista republicano cuja carreira desmoronou após a revelação de que grande parte de seu currículo era fruto de uma série de mentiras. A promotoria defende a pena de 87 meses para Santos, a fim de refletir a “gravidade de seus crimes sem precedentes”. A sentença de Santos, de 36 anos, marcada para o dia 25 de abril e, embora as diretrizes recomendam uma pena entre seis e sete anos de prisão, a decisão final cabe ao juiz responsável pelo caso. Acusações Em 2023, os promotores acusaram Santos de 23 crimes federais enquanto ele ainda era deputado federal por Nova York. Ele se declarou culpado em agosto do mesmo ano, após ser expulso da Câmara, de duas dessas acusações: fraude eletrônica e roubo de identidade qualificado. O republicano também admitiu uma série de outros crimes. Na busca por riqueza e vitória eleitoral, segundo os promotores, Santos fabricou seu passado e participou de vários esquemas, incluindo a falsificação de valores arrecadados em sua campanha e o roubo de doações. “Ele mentiu para sua equipe de campanha, seus apoiadores, seu suposto empregador, colegas no Congresso e para o público americano”, escreveram os promotores. “A conduta de Santos zombou do nosso sistema eleitoral”, acrescentaram. Em um documento separado apresentado também na sexta-feira, os advogados de Santos pediram uma sentença de dois anos, o mínimo permitido para o crime de roubo de identidade qualificado,seguida de liberdade condicional. Segundo a defesa, Santos reconheceu a gravidade de seus crimes e concordou em pagar quase US$ 375 mil em restituição. “A conduta dele, embora envolva desonestidade e abuso de confiança, decorreu em grande parte de um desespero equivocado relacionado à sua campanha política, e não de uma malícia inerente”, escreveram os advogados. Eles alegaram ainda que o constrangimento público enfrentado por Santos e sua expulsão do Congresso tornavam improvável que ele cometesse crimes semelhantes no futuro. Os promotores discordaram, escrevendo que uma sentença significativa era necessária para refletir a “amplitude, alcance e natureza predatória” dos crimes cometidos por Santos. A insistência desafiadora do ex-congressista de que era vítima de uma “caça às bruxas” e sua recusa em renunciar mesmo após surgirem provas de sua culpa “só agravaram a situação” e enfraqueceram suas alegações posteriores de arrependimento, afirmaram os promotores. Eles também citaram a participação de Santos no Cameo — uma plataforma de vídeos com celebridades —, sua colaboração em um documentário e a recente estreia de seu podcast “Pants on Fire With George Santos” como evidência de que ele tenta “transformar seus crimes em trampolim para fama e riqueza”. Segundo os promotores, Santos mentiu sobre suas credenciais e histórico pessoal por anos, antes mesmo de se candidatar. Descrevendo-o como “um mentiroso patológico e fraudador”, argumentaram que ele provavelmente voltaria a cometer crimes semelhantes se não fosse preso por um longo período. Um dos advogados de Santos, Joseph W. Murray, afirmou em comunicado que estava “muito decepcionado e, na verdade, envergonhado” com o pedido de sentença feito pelos promotores, classificando-o como “draconiano”. “George aprendeu muito durante esse processo, aceitou a responsabilidade por suas ações e está comprometido em fazer o que é certo e seguir em frente de forma positiva — o que, ao que parece, incomoda o governo”, escreveu Murray, acrescentando que considera seu cliente um amigo pessoal e “um jovem de coração incrivelmente bom”. Uma publicação feita no sábado pela conta do podcast de Santos na plataforma X afirmou que os promotores “usaram uma linguagem rebuscada para atacar” o ex-congressista. “Resumindo: eu NÃO vou sucumbir às suas táticas destruidoras de alma — e isso os enfurece”, dizia a publicação. Santos surgiu no cenário nacional em 2022, após sua eleição ao Congresso ter ajudado o Partido Republicano a conquistar a maioria na Câmara. Jovem, gay e filho de imigrantes brasileiros, Santos se apresentou como o novo rosto do Partido Republicano e um orgulhoso apoiador de Donald Trump. Mas antes mesmo de tomar posse, o jornal The New York Times revelou que ele havia inventado grande parte de seu currículo. Outras reportagens do Times e de outros veículos revelaram uma série de mentiras absurdas sobre conexões pessoais com o Holocausto, os ataques de 11 de setembro e o massacre na boate Pulse em Orlando, além de fraudes financeiras e diversas violações de financiamento de campanha. Santos foi expulso do Congresso no final de 2023, após um relatório do Comitê de Ética da Câmara apontar evidências de que ele havia violado a lei federal. Quem é George Santos? Filho de imigrantes brasileiros, George Santos, de 36 anos, se apresentou como a "nova cara do Partido Republicano" e construiu uma figura de candidato nas eleições legislativas de novembro de 2022, baseada em mentiras sobre sua educação, religião, experiência profissional, bens e salários. Ele chegou a falsificar sua história familiar, afirmando ser descendente de judeus sobreviventes do Holocausto que fugiram da barbárie nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Uma investigação realizada pelo jornal The New York Times, quando ele já estava no Congresso dos EUA, revelou suas mentiras. Entre os crimes pelos quais Santos é acusado estão fraude eletrônica, lavagem de dinheiro, apropriação indevida de fundos públicos e mentir ao comitê eleitoral federal. Segundo a promotoria, o ex-deputado enganou doadores de sua campanha ao transferir dinheiro para sua própria conta e usá-lo para pagar dívidas pessoais, comprar roupas de grife ou fazer pagamentos com os cartões de crédito de seus próprios apoiadores sem autorização. Ele também é acusado de receber benefícios de desemprego aos quais não tinha direito durante a pandemia de coronavírus, antes de sua eleição. Em dezembro passado, a Câmara dos Representantes expulsou o republicano, tornando-o o sexto congressista a ser obrigado a abandonar seu cargo na história da instituição. Mais de dois terços de seus colegas votaram para expulsá-lo, incluindo mais de cem republcianos. A comissão de ética da Câmara o acusou de ter "desacreditado gravemente" o órgão legislativo. Sua ex-tesoureira de campanha, Nancy Marks, se declarou culpada no ano passado por manipular os registros financeiros da campanha em coordenação com Santos, incluindo a declaração fraudulenta de um empréstimo fictício de 500 mil dólares (R$ 2,73 milhões, na cotação atual) que Santos afirmou ter feito à sua campanha. Ela pode ser sentenciada a três ou quatro anos de prisão. O arrecadador de fundos de campanha de Santos, Sam Miele, também se declarou culpado de uma acusação de fraude eletrônica. ** Com NYT **
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