top of page

Resultados de busca

1065 resultados encontrados com uma busca vazia

  • Ex-funcionários do Departamento de Justiça dos EUA criticam "destruição" de unidade de direitos civis

    Ex-funcionários acusam governo Trump de abandonar casos de americanos vulneráveis WASHINGTON - Mais de 200 ex-funcionários do Departamento de Justiça (DOJ) dos Estados Unidos criticaram na terça-feira, 9, o que chamaram de "destruição" contínua de sua Divisão de Direitos Civis, dizendo que o governo do presidente Donald Trump abandonou a missão de proteger os norte-americanos vulneráveis. Em uma carta aberta no 68º aniversário da criação da divisão, eles alegaram que a procuradora-geral Pam Bondi e a procuradora-geral adjunta Harmeet Dhillon eliminaram casos importantes destinados a proteger as pessoas contra assédio e agressão sexual, brutalidade policial e desigualdades nas votações. Eles também acusaram a liderança de mudar a forma como as investigações de direitos civis são conduzidas, exigindo que "encontrem fatos que se encaixem nos resultados predeterminados da administração". "A maioria de nós planejava permanecer na divisão após a eleição de 2024. Mas depois de testemunhar essa administração destruir grande parte do nosso trabalho, tomamos a decisão dolorosa de sair", escreveram eles na carta, que foi publicada pelo Justice Connection -- um grupo de defesa dos funcionários do DOJ fundado por um ex-advogado da divisão. "Agora, devemos soar o alarme sobre a quase destruição da outrora reverenciada joia da coroa do DOJ." A Divisão de Direitos Civis foi criada pela Lei de Direitos Civis de 1957. A lei foi originalmente promulgada para ajudar a desfazer a segregação discriminatória de Jim Crow e proteger os direitos de voto dos negros. O Departamento de Justiça afirmou que está cumprindo a agenda para a qual Trump foi eleito. Em setembro, um porta-voz disse que a Divisão de Direitos Civis foi "restaurada à sua missão original de proteger os direitos constitucionais de todos os norte-americanos, em vez de buscar uma agenda política direcionada contra os oponentes da administração". "QUEREMOS QUE A POPULAÇÃO SAIBA" Na terça-feira foi a primeira vez que muitos ex-advogados da divisão se manifestaram publicamente desde que deixaram o departamento. Robyn Bitner, uma das organizadoras da carta, disse que o grupo espera que ela mostre aos norte-americanos sobre o que está acontecendo e os inspire a agir. "Queremos que o povo norte-americano seja nosso primeiro público", disse Bitner, uma ex-advogada que lidou com investigações de direitos civis envolvendo discriminação contra jovens. "Eles são as pessoas cujos direitos estamos protegendo. Queremos que a população saiba o que está acontecendo." Desde janeiro, a divisão perdeu cerca de 75% de seus advogados, o que, segundo a carta, foi parte de um "esforço coordenado" para expulsar as pessoas. "As novas prioridades da divisão estão realmente enraizadas na política partidária, e não na proteção dos direitos de todos", disse Regan Rush, ex-chefe da seção que liderou as investigações de direitos civis sobre abusos policiais ** Com Reuters **

  • Trump defende histórico econômico em meio à frustração com aumento dos preços

    Trump concordou que os preços estão altos e que os americanos "vão levar algum tempo" para perceber as conquistas WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tentou assegurar aos norte-americanos que a economia do país está saudável em um evento na terça-feira, 9, enquanto os republicanos se preparam para uma dura batalha para manter o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato do próximo ano. Falando em um cassino em Mount Pocono, no nordeste da Pensilvânia, Trump argumentou que suas políticas econômicas, incluindo a imposição de tarifas sobre as importações, estão criando empregos, impulsionando o mercado de ações e atraindo mais investimentos para os Estados Unidos. "Não tenho nenhuma prioridade maior do que tornar os Estados Unidos acessíveis novamente", disse Trump. Dados do governo mostram que o crescimento do emprego desacelerou durante o segundo mandato do republicano, o desemprego subiu para o nível mais alto em quatro anos e os preços ao consumidor continuam altos. De modo geral, o crescimento da economia se recuperou um pouco depois de ter contraído nos primeiros meses do ano. Trump assumiu o crédito por ter reduzido os custos da gasolina e da energia e o preço dos ovos. Ele foi rápido em culpar seu antecessor na Casa Branca, o democrata Joe Biden, pelos altos preços de outros produtos, apesar de já estar no cargo há quase um ano. Alguns participantes carregavam cartazes com os dizeres: "Preços mais baixos" e "Salários maiores". Trump sugeriu, como já fez antes, que os democratas estavam fabricando uma crise de custo de vida para obter ganhos políticos. Mas ele também disse que concorda que "os preços estão muito altos". E sinalizou que pode levar algum tempo para que os norte-americanos sintam os efeitos de suas políticas. "Temos muito tempo", disse Trump, ressaltando que ainda faltam três anos para o fim de seu mandato. Os longos comentários do presidente não deram muitos detalhes sobre o corte de custos e frequentemente desviaram o assunto para outras áreas, como direitos dos transgêneros, migrantes somalis em Minnesota, turbinas eólicas e cercas elétricas na fronteira com a Coreia do Norte. ** Com Reuters **

  • Flórida segue Texas e classifica principal centro muçulmano nos EUA de organização terrorista

    O governador da Flórida acusa o grupo de manter vínculos com o Hamas TALLAHASSEE - Após medida semelhante no Texas, o governador da Flórida, Ron DeSantis, assinou nesta terça-feira, 9, um decreto em que classifica o Centro de Relações Islâmicas-Americanas (Cair, na sigla em inglês), um dos mais importantes no combate à islamofobia nos Estados Unidos, de organização terrorista. Texas e Flórida são governados por políticos do Partido Republicano, o mesmo do presidente Donald Trump, cuja retórica e políticas contra imigrantes nos EUA têm sido agressivas. Após o decreto no primeiro estado, assinado em novembro, o Cair entrou com ação na Justiça dizendo que a designação é inconstitucional e tenta puni-lo por suas posições políticas. Resposta rápida ocorreu também nesta terça. Logo depois de DeSantis assinar o decreto, a diretora interina da organização, Hiba Rahim, anunciou outra ação para contestar a decisão na Flórida. A estratégia continua a mesma: segundo ela, o novo decreto é difamatório e inconstitucional. "Ao nosso governador: a designação não tem base legal nem fática", afirmou em entrevista coletiva. O governador da Flórida acusa o grupo de manter vínculos com o Hamas, organização terrorista responsável pelo ataque contra Israel em 7 de outubro de 2023. A Cair nega qualquer relação. Nos decretos, DeSantis e o governador do Texas, Greg Abbott, impõem a mesma classificação à Irmandade Muçulmana, grupo fundado em 1928 e considerado terrorista por países como o Egito e a Rússia. O Hamas, em seus primeiros anos, surgiu como braço palestino desse grupo. Nem o governo dos EUA nem as agências de segurança americanas classificam o Cair ou a Irmandade Muçulmana dessa forma. No entanto, Trump iniciou no mês passado processo para aplicar a designação a determinadas ramificações da Irmandade Muçulmana em países como Líbano, Egito e Jordânia. Embora o Cair nunca tenha sido acusado de algum crime, o FBI, a polícia federal americana, suspendeu sua cooperação com o centro em 2008, fato citado nos decretos para justificar a classificação de organização terrorista. As consequências da medida são severas. A ordem assinada por DeSantis determina que órgãos estaduais adotem medidas para impedir que o Cair receba contratos, empregos ou recursos públicos. No Texas, os dirigentes do centro agora não podem mais comprar terrenos, e o procurador-geral deve abrir um processo para expulsar a organização do estado. Fundado em 1994 em Washington, o Cair ganhou projeção nacional no início dos anos 2000 ao denunciar a explosão de casos de racismo e islamofobia nos EUA após os ataques de 11 de Setembro. O conselho processou uma série de empresas por discriminação no ambiente de trabalho e hoje possui filiais em uma série de estados americanos. Recentemente, a organização foi criticada por suas posições contra as ações de Israel na Faixa de Gaza e por falas de alguns de seus membros, que classificaram sionistas como inimigos de muçulmanos. A nível federal, republicanos pedem que o governo Donald Trump investigue possíveis ligações financeiras entre o Cair e o Hamas. ** Com AF **

  • Arquidiocese de NY inicia mediação para indenizar vítimas de abuso sexual

    Cardeal Timothy voltou a pedir perdão por mensagem para cerca de 300 mil católicos NOVA YORK - Quase 25 anos após o escândalo de pedofilia na Igreja Católica ter vindo à tona através de uma reportagem do jornal The Boston Globe, a Arquidiocese de Nova York lançou uma campanha de arrecadação de US$ 300 milhões para indenizar aproximadamente 1,3 mil pessoas que alegam ter sido vítimas de abuso sexual cometido por padres e funcionários leigos ao longo de décadas. A mediação, anunciada pelo cardeal Timothy Dolan, ganhou força após reuniões recentes entre líderes arquidiocesanos e advogados das vítimas nas últimas semanas para discutir a estrutura de um acordo abrangente entre a Igreja e seus acusadores. Em mensagem enviada a aproximadamente 300 mil católicos de Nova York, Dolan voltou a pedir perdão "pela falha daqueles que traíram a confiança neles depositada, ao não garantirem a segurança de nossos jovens", e reconheceu que o escândalo trouxe "vergonha" à Igreja. Entre os acusadores, cerca de 300 são representados pelo advogado Jeff Anderson, uma das figuras mais atuantes em processos de abuso sexual envolvendo instituições religiosas. Ele avaliou a iniciativa como "um passo na direção certa", embora ressalte que muito ainda precisa ser resolvido antes da conclusão do processo. Para arrecadar os US$ 300 milhões iniciais, a arquidiocese vem promovendo cortes no orçamento, reduzindo pessoal e vendendo propriedades. Entre os ativos negociados está a sede localizada na Primeira Avenida, vendida no ano passado por US$ 100 milhões e atualmente em processo de reforma. A movimentação em Nova York ocorre no mesmo dia em que a Arquidiocese de Nova Orleans, na Luisiana, confirmou um acordo judicial que prevê o pagamento de pelo menos US$ 230 milhões a centenas de sobreviventes de abuso. A quantia foi aprovada por um juiz federal responsável pelo processo de falência da instituição na Louisiana. O arcebispo Gregory Aymond afirmou estar satisfeito com o desfecho da negociação, mas reconheceu que "muitas vítimas continuam a enfrentar o trauma causado pelo abuso" e que o acordo representa apenas parte do caminho para a reparação. ** Com Ansa **

  • Mulher dá à luz em rodovia após ter atendimento negado em hospital em Indiana

    Médico e enfermeira não acreditaram que Mercedes estava em trabalho de parto CROWN POINT - Uma mulher que teve a internação rejeitada por um hospital durante o parto e acabou dando à luz no meio de uma rodovia em Indiana acredita que foi vítima de racismo. Mercedes Wells, que teve o quarto filho no dia 16 de novembro, tentou dar entrada Hospital Franciscan Health, de Crown Point, mas foi orientada a ir embora e voltar depois porque estava com apenas 3 cm de dilatação. "Minha filha está sendo expulsa deste hospital, e ela está em trabalho de parto ativo", afirma Sana Strickland, mãe de Mercedes em imagens gravadas no dia. Segundo Mercedes, a enfermeira não acreditou que ela estava prestes a dar à luz, mesmo com contrações ocorrendo a cada minuto. Após ser rejeitada, a mulher partiu com o marido, Leon Wells, em busca de outro hospital no Condado de Lake. Oito minutos mais tarde, no entanto, o bebê veio ao mundo no carro, em plena rodovia. O parto foi realizado por Leon que recebeu orientações dos atendentes do 911 (serviço de emergência dos EUA) por telefone no momento. "Ela (Mercedes) disse: 'Preciso fazer força.'... Ele estava dirigindo com uma mão, arrancou a calça dela com a outra, olhou para baixo e disse que conseguia ver a cabeça do bebê (...). "Ele depois pegou um cobertor, segurou o bebê e o colocou no peito da minha cunhada, com o cordão umbilical ainda conectado, e eles continuaram dirigindo.", contou Cherice Joy Thompson, irmã de Leon, à CBS. Mercedes e a filha, Alena, foram levadas ao Munster Community Hospital, a meia hora do local de onde foram rejeitadas. A experiência de Mercedes não é incomum entre mulheres negras nos Estados Unidos . O racismo estrutural leva a grandes disparidades na saúde, como revelam dados da taxa de mortalidade materna do país obtidos pela DW. Em 2022 e 2023, a cada 100 mil bebês nascidos vivos, uma média de 50 mulheres negras morreram, em comparação com uma média de 17 mulheres brancas. Ou seja, mulheres negras têm três vezes mais chances de morrer durante o parto do que mulheres brancas. "Estou feliz que ela esteja aqui, mas estou com raiva. Estou frustrado. Sabe... por quê? Estamos em 2025", diz Leon Wells, marido de Mercedes. O Hospital Franciscan Health Crown Point afirma que tanto a enfermeira quanto o médico envolvidos no caso foram demitidos. Agora, a instituição quer tornar obrigatório o “treinamento em competência cultural” para toda a equipe de obstetrícia. ** Com Agências**

  • Trump anunciará auxílio de US$ 12 bilhões para agricultores

    Produtores rurais foram cabos eleitorais importantes para Trump em 2024 WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou nesta segunda-feira, 8, um pacote de ajuda de US$ 12 bilhões para os agricultores, o mais recente esforço do governo para apoiar uma importante fatia do eleitorado prejudicada pelas consequências financeiras de suas políticas comerciais. O pacote de ajuda visa apoiar um bloco de eleitores leais que majoritariamente apoiou Trump, apesar de enfrentar bilhões em vendas perdidas devido à guerra comercial com a China. Trump anunciou a ajuda em uma mesa redonda na Casa Branca ao lado do secretário do Tesouro, Scott Bessent, da secretária de Agricultura, Brooke Rollins, e de membros do Congresso. Os produtores de milho, algodão, sorgo, soja, arroz, gado, trigo e batatas participaram da cerimônia, informou um funcionário da Casa Branca. “Esse alívio proporcionará a certeza necessária aos agricultores à medida que colocam a safra deste ano no mercado e olham para as safras do próximo ano, e os ajudará a continuar seus esforços para reduzir os preços dos alimentos para as famílias americanas”, disse Trump. Rollins disse que US$11 bilhões da ajuda serão destinados aos agricultores de culturas agrícolas e serão desembolsados até 28 de fevereiro, enquanto US$1 bilhão será destinado para frutas, legumes e outras culturas para finalizar os detalhes. Bessent afirmou que os pagamentos serão uma “ponte de liquidez durante um período de ajuste” para apoiar os agricultores até que eles vejam os benefícios dos acordos comerciais e de outras políticas de Trump. O dinheiro para o pacote virá da Commodity Credit Corporation, um fundo discricionário do USDA, e será compensado pela receita tarifária, garantiu Rollins a jornalistas na Casa Branca nesta segunda-feira, sem fornecer detalhes. Os pagamentos serão calculados com base em quantos acres os agricultores plantaram, seus custos de produção e outros fatores, disse Richard Fordyce, subsecretário de produção e conservação agrícola do USDA. A expectativa era que o governo anunciasse um resgate para o setor totalizando até US$15 bilhões em outubro. Rollins disse anteriormente que a paralisação de 43 dias do governo federal atrasou o lançamento. EQUIPAMENTOS MAIS BAIXOS Agricultores têm enfrentado custos mais altos para insumos agrícolas, como sementes e fertilizantes, que o governo Trump disse estar examinando. Os produtores de soja esperam ver seu terceiro ano consecutivo de perdas em 2025, de acordo com a American Soybean Association. Trump disse na Casa Branca que ajudaria ainda mais os agricultores eliminando regulamentações ambientais para máquinas agrícolas e que esperaria que fabricantes como a John Deere reduzissem os preços dos equipamentos. “Os equipamentos agrícolas ficaram muito caros, e grande parte da razão é porque eles colocam esses excessos ambientais nos equipamentos, que não fazem nada além de complicá-los”, disse Trump. Um porta-voz da John Deere garantiu que a empresa apoia o auxílio aos agricultores e que está “fazendo todo o possível para ajudar os agricultores dos EUA a reduzir os custos dos insumos”. Trump também disse que pediu ao presidente da China, Xi Jinping, para aumentar o acordo de compra de soja negociado recentemente com a China. “Acho que ele vai fazer mais do que prometeu fazer”, opinou Trump. Durante seu primeiro mandato, Trump concedeu cerca de US$23 bilhões em ajuda aos agricultores prejudicados por suas políticas comerciais. Os produtores deverão receber um valor quase recorde de US$40 bilhões em pagamentos do governo neste ano, impulsionados por ajudas emergenciais para desastres e medidas econômicas. A renda agrícola líquida poderá cair em mais de US$30 bilhões em 2026 devido a um declínio nos pagamentos do governo e aos baixos preços das safras, de acordo com uma estimativa do Instituto de Pesquisa de Políticas Alimentares e Agrícolas da Universidade de Missouri. ** Com Reuters **

  • Brasileira ex-cunhada de porta-voz de Trump é liberada do ICE sob fiança

    Bruna chegou aos Estados Unidos ainda criança e era beneficiada pelo Daca NOVA YORK - Um juiz de imigração determinou nesta segunda-feira, 8, a libertação de Bruna Ferreira, 33, ex-cunhada da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, sob fiança de US$ 1,5 mil. Morando nos Estados Unidos desde os seis anos de idade, a brasileira foi detida pelo ICE no dia 12 de novembro, acusada de estar no país ilegalmente. Bruna é mãe de um menino de 11 anos, cuja guarda ela compartilha com Michael Leavitt, irmão de Karoline. Mas autoridades ligadas ao Departamento de Segurança Interna (DHS) alegaram que ela é uma mãe ausente, fato negado por ela. A brasileira aguarda agora ser solta do centro de detenção do ICE em Louisiana, que tem sido destino frequente de imigrantes presos por todo o país e usualmente o último lugar antes do embarque para deportação. A escolha do estado é atribuída a autoridades locais que são mais alinhadas ao governo Trump e ao ICE do que em outros lugares. Segundo a defesa da brasileira, Bruna está sob proteção do Daca, um programa criado pela gestão Barack Obama para regularizar o status de permanência daqueles que chegaram quando eram crianças no país. Ela não tem antecedentes criminais, conforme confirmado pela imprensa americana. Desde a detenção, a Casa Branca descreve Bruna como uma criminosa e diz que ela é uma mãe ausente na vida do filho, do ex-companheiro e de Karoline, ferrenha defensora da campanha do presidente para deportar milhões de pessoas. O governo afirma ainda que Bruna e Karoline não conversam há anos e que a brasileira nunca morou com o próprio filho. Leia mais: Brasileira mãe do sobrinho da porta-voz de Trump presa pelo ICE está sem falar com o filho Em entrevista ao jornal The Washington Post , Bruna falou sobre sua relação com a secretária de Imprensa. "Pedi a Karoline para ser a madrinha do meu filho, no lugar da minha única irmã. Cometi um erro ao confiar neles. Não consigo imaginar por que estão criando essa narrativa", afirma. Na entrevista, ela mostrou fotos de família, registros do tribunal e seu perfil nas redes sociais. Ela afirmou que, um dia, considerou Karoline como sua irmã. Bruna relatou ao jornal que conheceu Michael Leavitt em uma festa. Eles ficaram noivos e tiveram um filho enquanto viviam em New Hampshire, mas a relação teria se desgastado e terminado antes do casamento, em 2011. Desde então, eles dividem as obrigações com a criança, de acordo com o relato de Bruna e com documentos judiciais. A brasileira disse se sentir ofendida com as calúnias ditas sobre ela pela Casa Branca e pelo DHS, que coordena o ICE. Ela afirma que seu filho é parte da família Leavitt e que vê os parentes do ex-companheiro com frequência. Bruna afirma considerar absurda a declaração de que não convive com o filho. De acordo com o depoimento, antes da prisão, ela geria dois negócios de limpeza e vestuário, além de levar o filho à escola, ir a jogos escolares, dar presentes e procurar dar ao filho "tudo o que um jovem precisa", segundo disse ao jornal americano. **Com informações do Post e da agência Folha**

  • Suprema Corte dos EUA vai revisar ordem de Trump que restringe cidadania por nascimento

    Decisão da Suprema Corte só deve sair em junho do ano que vem WASHINGTON - A Suprema Corte dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira, 5, que irá analisar o decreto do presidente Donald Trump que tenta acabar com a chamada "cidadania por nascimento" — uma jurisprudência que garante automaticamente a nacionalidade americana a quem nasce no país, O julgamento deve acontecer nos próximos meses, e uma decisão pode ser anunciada em junho ou julho de 2026. Se optar por derrubar a cidadania por nascimento, a Suprema Corte não só dará a Trump uma das suas maiores vitórias até aqui como também alterará profundamente a vida de centenas de milhares de pessoas que nascem nos EUA todos os anos. Publicado no mesmo dia em que voltou à Casa Branca, em 20 de janeiro, o decreto de Trump definia que, a partir daquele momento, somente a pessoa com um dos pais cidadão ou residente permanente teria direito à cidadania americana. A medida foi rapidamente declarada inconstitucional: em fevereiro, um juiz federal suspendeu os efeitos do decreto, decisão referendada por tribunais de segunda instância. Agora, o caso chega ao órgão máximo do Judiciário dos EUA — como queria o governo Trump, que aposta em uma vitória na Suprema Corte, em que há forte maioria conservadora. A maior parte dos juristas americanos, entretanto, entende que o decreto é inconstitucional e que a 14ª emenda da Constituição dos EUA é clara: "Todas as pessoas nascidas ou naturalizadas nos Estados Unidos, e sujeitas à sua jurisdição, são cidadãs dos Estados Unidos". A estratégia do governo deve ser questionar o trecho "e sujeitos à sua jurisdição". A 14ª emenda, criada após a Guerra Civil, tinha como objetivo reconhecer os ex-escravizados como cidadãos. A maioria dos juristas acredita que a emenda deve se aplicar a qualquer pessoa nascida no país, exceto filhos de diplomatas. Desde então, o entendimento da Suprema Corte tem sido o de que a emenda vale para qualquer pessoa nascida em território nacional, com exceção de filhos de diplomatas, que têm imunidade e não estão, portanto, sujeitos à jurisdição americana. A exceção também existe no Brasil. Ao argumentar a favor do decreto na segunda instância, o governo Trump disse que filhos de imigrantes que vivem em solo americano de forma ilegal não estariam sob jurisdição de Washington porque seus pais têm residência permanente no país de origem e "devem lealdade" a ele, não aos EUA. Até agora, o argumento não prosperou na Justiça. Juízes federais que referendaram decisões inferiores derrubando o decreto disseram que a mudança poderia tornar apátridas muitas pessoas nascidas nos EUA todos os anos, privando-as de direitos essenciais, como acesso à educação e programas assistenciais. Ativistas conservadores nos EUA há muito defendem a derrubada da cidadania por nascimento, também conhecida como "jus solis" — direito do solo —, sob o argumento de que ela incentiva a imigração e só existe nos países das Américas. De fato, a maioria dos países na Europa, Ásia e África praticam alguma forma de "jus sanguinis", o direito do sangue, quando só têm direito à cidadania filhos de cidadãos do país, sejam eles nascidos em território nacional ou não. A explicação para a diferença de legislação entre as Américas e o restante do mundo está na história do colonialismo e no desenvolvimento do nacionalismo ao redor do mundo no século 19. Nessa época, países europeus viram surgir movimentos a favor da criação de Estados nacionais para cada povo -ideia que levou à unificação da Itália e da Alemanha, por exemplo, e incentivou a dissolução do Império Austro-Húngaro ao fim da Primeira Guerra Mundial. Dessa forma, uma nação passou a ser definida em muitos casos pela etnia e idioma, e os países utilizaram o conceito de cidadania desenvolvido pelo Império Romano, definido pela identidade dos pais, para determinar quem seria parte da nova nação. Hoje, muitos países europeus modificaram essa interpretação restrita de cidadania. Nas Américas, por outro lado, o desejo dos países recém-independentes de atrair imigrantes e forjar uma identidade nacional distinta das potências coloniais europeias incentivou a adoção de um conceito amplo de cidadania, não apenas restrito a um povo. Em alguns países, como os EUA, a adoção do "jus soli" também esteve relacionada ao fim da escravidão. **Com AF**

  • ICE e Arquidiocese reclamam de manifesto pró-imigrante de igreja de Dedham

    Diretor do ICE afirma que a manifestação coloca os agentes federais em perigo DEDHAM - O ICE está exigindo que a igreja Saint Susanna, de Dedham, Massachusetts, retire o cartaz que alerta sobre a agência e substitui a sagrada família no presépio. O pedido foi endossado pela Arquidiocese de Boston. “A imigração esteve aqui”, dizia uma grande placa ao lado da manjedoura vazia na Paróquia de Saint Susanna. “A Sagrada Família está segura no santuário da nossa Igreja. Se você vir a imigração, ligue para o LUCE.” Segundo o padre Stephen Josoma, é tradição da igreja usar o presépio para “mostrar o que está acontecendo e, este ano, meu Deus, parecia estar bem diante dos nossos olhos”. “Eles [os imigrantes] fizeram tudo o que deveriam fazer, mas o status deles pode estar em risco. Algumas pessoas da nossa comunidade corriam perigo de serem mortas se elas voltassem”, diz Josoma. “É uma política cruel e nós, como país, podemos fazer muito melhor para lidar com os diversos problemas que enfrentamos.” Mas o diretor do ICE, Todd Lyons, afirma que a postura política do padre Josoma coloca os agentes federais em risco. "Isso aumentou mais de 1.150% as agressões contra os nossos oficiais." Leia mais: Igreja de Massachusetts substitui sagrada família em presépio por alerta sobre ICE Para ecoar a demanda do ICE, a porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS), Tricia McLaughin, diz que a ação da igreja de Dedham não é apenas ofensiva ao cristianismo, mas a encenação "nunca acontece". "O ICE não separa famílias", garante. Entretanto, o jornal MassLive cita um relatório da ProPublica atestando que pelo menos 600 menores estão sob custódia do Estado desde o início do ano porque os pais ou responsáveis foram presos pelo ICE. Já o porta-voz da Arquidiocese de Boston, Terry Donilon, define a mensagem como "politicamente dividida" e pontua que a paróquia Saint Susanne não pediu autorização para alterar o presépio. "As normas da igreja proíbem que os símbolos sagrados sejam usados para qualquer outra prática que não adorar à Deus." Donilon afirma que a Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) defende o tratamento humano de imigrantes, especialmente daqueles nos centros de detenção. "Nós defendemos uma reforma nas leis e procedimentos de imigração. Dignidade humana e segurança nacional não estão em conflito", opina. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste material sem a autorização da MANCHETE USA. Todos os textos estão protegidos por copyright. Reproduções autorizadas devem conter crédito de AUTORIA para MANCHETE USA ( mancheteusa.com )

  • Brasileira mãe do sobrinho da porta-voz de Trump presa pelo ICE está sem falar com o filho

    Bruna diz que desde sua prisão não fala com o filho embora tenha tentado contato através do pai da criança WASHINGTON - O jornal The Washington Post fez uma entrevista exclusiva com a brasileira Bruna Ferreira, mãe do sobrinho da porta-voz de Donald Trump, Karoline Leavitt, que segue presa após ter sido detida há quase um mês pelo ICE. Diretamente do centro de detenção onde ela está na Louisiana, Bruna conta que não fala com o filho de 11 anos desde que foi levada por agentes na tarde do dia 12 de novembro, apesar de várias tentativas de contato por meio do ex-noivo, Michael Leavitt. Pouco antes de ser presa, ela havia deixado a criança na escola, em New Hampshire, onde ele mora com o pai, com a promessa de buscá-lo no fim do dia. "A imagem do meu filho me esperando na fila do transporte escolar e não ter ninguém para buscá-lo é algo que não sai da minha cabeça. É muito triste que as coisas tenham acontecido dessa forma", relembrou ela, às lágrimas, expondo o medo de ser enviada ao Brasil e de não conseguir ver o filho por anos: "Ele precisa de mim agora, que eu o coloque na cama e o leve para fazer compras de Natal. Ele não precisa de mim daqui a 20 anos". Diferente do que afirma o governo Trump, os documentos judiciais mostram que diversos juízes determinaram ao longo da última década que o casal compartilhasse a guarda de Michael e resolvesse suas diferenças fora dos tribunais. A brasileira também chamou as declarações do governo Trump, de que ela nunca morou com o filho, de falsas e “repugnantes”. A brasileira deu à luz seu filho em março de 2014. Meses depois, o casal terminou o noivado e a batalha pela guarda do filho logo se tornou acirrada. No tribunal, o ex-casal trocou acusações de abuso e negligência. Ela o acusou de ter lhe feito ameaças de deportação. Leia também: Brasileira mãe de sobrinho de porta-voz da Casa está sob custódia do ICE Em abril de 2015, Leavitt entrou com um pedido de guarda principal do filho em um tribunal de New Hampshire, alegando que Bruna o havia empurrado durante uma discussão quando o casal viajou para a Flórida. Contou que ela voltou para casa sem ele, buscou a criança na casa dos avós e ameaçou levá-lo para o Brasil. A brasileira desmente as acusações e, em documentos judiciais, acusou Leavitt de abuso, afirmando que, no dia do seu chá de bebê, ele a empurrou embriagado, socou paredes e quebrou portas. Michael também negou tudo. O The Washington Post destaca que em abril de 2020, Bruna retornou ao tribunal alegando que Michael Leavitt lhe devia milhares de dólares em pensão alimentícia e se recusava a deixá-la passar tempo com o filho. Ela também afirmou que Michael Leavitt havia usado intimidação com base em seu status imigratório para impedi-la de visitar o menino. Ele negou as alegações nos autos do processo. Dias depois, a juíza do tribunal de família, Polly Hall, ordenou que Leavitt compartilhasse a guarda, conforme exigido pelo plano parental. Em 2021, o casal concordou que o filho moraria com o pai durante a semana enquanto frequentava a escola em New Hampshire. Ferreira o visitaria e o levaria para casa na maioria dos fins de semana. Ela também tinha permissão para levá-lo ao Brasil durante as férias de verão e para obter a dupla cidadania brasileira para ele, conforme mostram os documentos do processo. Desde que a brasileira foi presa pelos agentes do ICE, o gabinete de imprensa da Casa Branca tem a retratado como uma mãe ausente que não fazia parte da vida de Karoline Leavitt há anos. Em mensagens trocadas com o "Post", o irmão dela Michael Leavitt, de 35 anos, corroborou as declarações e afirmou que Bruna nunca morou com o filho. No entanto, em documentos judiciais que ele apresentou em New Hampshire em 2015, ele escreveu que compartilhavam uma casa e os registrou no mesmo endereço. Bruna Ferreira também mencionou o apartamento que dividiam em um artigo de jornal local de 2014. Michael Leavitt não aceitou dar entrevista ao The Washington Post, porém trocou algumas mensagens de texto com os jornalistas responsáveis pela reportagem. Negou ter qualquer envolvimento com a detenção dela e que não queira que o filho tenha uma relação com a mãe. "Não tive qualquer envolvimento no fato de ela ter sido detida pela polícia. Não tenho controle sobre isso e não tive qualquer participação nisso. (...) Quero que meu filho tenha um relacionamento com a mãe, como sempre demonstrei". Questionada sobre sua relação com Karoline, a porta-voz da Casa Branca e ex-cunhada, Bruna diz que elas não são "melhores amigas", mas que não é verdade que as duas não têm contato há anos. Ela, inclusive, a escolheu para ser madrinha do filho. Dreamer Moradora de Massachusetts há muitos anos, Bruna Ferreira chegou aos Estados Unidos em 1998, aos 6 anos de idade, para se juntar aos pais, após ter sido criada pela avó no Brasil. Em 2012, tornou-se elegível para um programa da era Obama destinado a imigrantes indocumentados que chegaram ao país ainda crianças. Na entrevista que deu ao jornal americano, a brasileira contou que, antes da prisão, sua rotina consistia em trabalhar administrando suas duas empresas - de limpeza e de roupas -, frequentar aulas de ioga e passar tempo com o filho. Que o leva para a escola, torce por ele em seus jogos esportivos e mantém seu quarto cheio de ursinhos de pelúcia, videogames e luvas de boxe, “tudo o que um menino precisa”. De acordo com os advogados de defesa de Bruna, Michael e o pai, Bob Leavitt, disseram à irmã dela nas últimas semanas que Ferreira deveria se "autodeportar" e tentar retornar legalmente, uma medida que, segundo seus advogados, seria desastrosa: de acordo com a lei federal, a brasileira ficaria proibida de retornar aos EUA por uma década. "É uma armadilha", garante o advogado dela, Todd C. Pomerleau. **Com informações do Post **

  • Padre de Maryland assume a tutela de 26 crianças com pais sob risco de deportação

    Padre Rivas reconhece a responsabilidade, mas assume o papel de acolher a comunidade que enfrenta o medo HYATTSVILLE - Um sacerdote de Maryland se comprometeu a assumir a tutela temporária de 26 menores, caso seus pais sejam deportados diante da crescente caçada aos imigrantes sob o governo Trump. Da noite para o dia, o padre Vidal Rivas poderá ficar encarregado de cuidar de um bebê de 12 meses ou de um adolescente de 17 anos, que precisaria acolher em sua casa, alimentar, vestir e criar até que ele termine o ensino médio. Ele também poderá precisar se encarregar dos trâmites para que diversas crianças possam viajar para o país de origem dos seus pais e acompanhá-los até seu reencontro. "É uma responsabilidade muito grande, que mudaria completamente a vida da minha família", reconhece o carismático sacerdote, que comanda a Igreja Episcopal de São Mateus em Hyattsville. "Minha esposa e eu temos consciência disso, sabemos o que isso significa." Em tempo: Religiosos episcopais podem se casar segundo a tradição anglicana. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou seu segundo mandato em janeiro, com a promessa de realizar "a maior deportação da história do país". E, desde então, muitos imigrantes sem documentos trataram de deixar tudo resolvido, caso sejam detidos e expulsos do país. Eles procuraram, no seu entorno mais próximo, pessoas de confiança, como o padre Rivas, para que cuidem dos seus filhos durante a sua ausência. Esta medida faz parte do que organizações e especialistas judiciais chamam de "plano de preparação familiar", algo cada vez mais praticado por famílias com situações migratórias mistas, em que pelo menos um dos seus membros não tem documentos. "Isso implica manter conversas incômodas e tomar decisões dolorosas", explica Kristina Lovato, diretora do Centro de Imigração e Bem-Estar Infantil (CICW, na sigla em inglês) da Universidade da Califórnia em Berkeley. "Mas ser precavido facilita tudo na hora de lidar com uma emergência e suas consequências." Subúrbio de Washington O município de Hyattsville, ao qual pertence a igreja, é um subúrbio da capital americana, Washington. Mais de 40% dos seus quase 21 mil moradores são latinos e um terço deles nasceu em outro país. Por isso, a cidade não está livre das detenções. "As pessoas têm muito medo, mas dizer isso é pouco", destaca o padre Rivas. "Na verdade, é terror de sair e até de ficar no templo." Vidal Rivas é oriundo de El Salvador e chegou aos EUA em 1998. "Eu mesmo sou imigrante e, embora tenha vindo com residência pelos sacerdotes que me trouxeram para trabalhar neste país, acompanhei a dor do meu povo [durante a guerra civil salvadorenha, 1980-1992] e agora vejo isso aqui. Olho as pessoas em sofrimento todos os dias." Por isso, o padre e membros da sua paróquia decidiram tomar ações para que os fiéis e a comunidade em geral possam se sentir mais seguros. Os serviços religiosos, agora, são realizados a portas fechadas. Diversos voluntários vigiam a entrada e as vizinhanças. Eles também começaram a incentivar os devotos a se prepararem para qualquer eventualidade relativa à migração, procurando guardiões temporários para seus filhos, como permite a legislação estadual. "Com isso, descobrimos que muitas famílias não têm membros com residência permanente [green card] ou cidadania americana", lamenta Rivas. "É muito triste ver que eles não encontram ninguém e entram em grande desespero." 'Minha filha não ficará no limbo' Mimi (nome fictício) é uma mulher sem documentos de 40 anos e mãe solteira de uma adolescente de 16. E, como tantas outras pessoas, ela encontrou essa figura no próprio padre Rivas. "Passei muitos dias e noites pensando nisso", contou ela à BBC News Mundo. "E, embora seja uma decisão muito difícil, sei que é a melhor." Ela afirma que se sente aliviada por saber que, se for deportada, sua filha não ficará "no limbo". Mimi explica que a possibilidade de que "possa vir um assistente social e levá-la, que ela fique nas mãos do governo ou que a deem em adoção" seria seu maior pesadelo. A mãe combinou com o padre Rivas que ele deverá se encarregar de todo o necessário para que a menor, diagnosticada no espectro autista, se encontre com ela no seu país de origem. "Gostaria que minha filha continuasse estudando, que terminasse seus estudos, mas, com esta situação, nunca nos separamos e não acredito que ela queira ficar sem mim." Esta é a missão recebida por Rivas de alguns dos pais de outros 25 menores, para quem foi nomeado tutor temporário. Outros pediram que seus filhos fiquem nos EUA, pelo menos até terminarem o ensino médio. Para que isso seja possível e amparado pela lei, todos os fiéis preencheram e assinaram um formulário de designação parental para o início da tutela de reserva. "É a ampliação de uma figura legal existente em Maryland desde a epidemia de Aids, nos anos 1970", explica a advogada especializada em direito de família Cam Crockett. Ela exerce a profissão no Estado há 40 anos e foi uma das promotoras da lei atual de tutela de emergência. O Congresso estadual aprovou esta lei por unanimidade em maio de 2018. Além dos casos de incapacidade mental ou debilidade física, ela permite que os adultos designem um tutor reserva para seus filhos, para o caso de detenção pelas autoridades de migração ou deportação. "Ela é ativada quando ocorre a emergência e dura seis meses, mas os pais podem revogá-la a qualquer momento", prossegue Crockett. Os progenitores não perdem o pátrio poder, mas especificam no formulário o que o tutor pode fazer em seu nome, desde matricular os menores na escola ou interná-los em hospitais, até reservar voos e hotéis para eles, receber dinheiro ou tomar decisões financeiras. "O que sugerimos é que se pense muito bem antes de escolher o potencial tutor, já que ele poderá precisar comparecer a um tribunal ou tomar um voo para outro país", explica a advogada. Caso os pais desejem que a situação se estenda por mais de 180 dias, eles precisam buscar a tutela permanente ou avaliar uma custódia por terceiros. Para isso, a especialista recomenda consultar um advogado para examinar cada caso específico. Autorizações diferentes Mas a tutela de reserva não existe desta forma em todos os Estados americanos. "Por isso, é muito importante que os interessados procurem bom assessoramento jurídico no Estado onde morem, pois as leis mudam de um Estado para outro", destaca a advogada Sharon Balmer Cartagena, diretora do Projeto de Defesa da Infância, Juventude e Família da organização Conselho Público. "Existem muitos grupos, também online, em que as pessoas aconselham sobre este tema, mas um conselho muito bom para o Texas pode ser muito ruim na Califórnia", explica ela. Na Califórnia, onde trabalha Balmer Cartagena, a tutela temporária não existe. Naquele Estado americano, a tutela outorga à pessoa designada a custódia legal e física completa da criança. Para recuperar o pátrio poder, os pais da Califórnia precisam apresentar um pedido ao juiz, que irá decidir qual é a melhor opção para o menor. "Pode ser uma boa alternativa se os pais concordarem que a pessoa designada praticamente se transforme em progenitora dos seus filhos", prossegue a especialista. "Mas o que acontece se o tutor, digamos que um primo, decidir que já não é benéfico para o menor que ele mantenha contato com seus pais? Ele estará no seu direito se decidir desta forma." "A tutela se destina a crianças que ficarão com outra pessoa de forma permanente", explica Balmer Cartagena. "Não a recomendamos para quem desejar que seus filhos se reúnam algum dia com eles no país de origem. Eles deveriam optar por uma declaração juramentada de autorização de cuidadores." Por meio deste acordo mais simples, cada vez mais famílias sem documentos ou de status misto residentes na Califórnia deixam a cargo dos seus irmãos, primos, padrinhos ou amigos decisões escolares ou médicas que afetam seus filhos. Famílias mistas Existem atualmente mais de seis milhões de famílias em condições migratórias mistas nos EUA. Este número representa cerca de 5% do total, segundo números da organização Pew Research Center. Segundo os dados do CICW, pelo menos um dos progenitores de 5,9 milhões de crianças não tem documentos. A este número, é preciso somar mais de 500 mil crianças que têm pais amparados pelo Status de Proteção Temporal (TPS), que o atual governo tenta revogar para cidadãos de diversos países, e pela Ação Diferida para os Chegados na Infância (Daca).   Especialistas defendem que este programa, criado durante o governo do ex-presidente americano Barack Obama (2009-2017), atualmente está "se enfraquecendo". Desde o início do ano até o mês de setembro, mais de 400 mil pessoas foram deportadas dos EUA, segundo os últimos números publicados pelo Departamento de Segurança Interna (DHS). E os dados oficiais mais recentes indicam que, em 16 de novembro, o ICE mantinha 65.135 pessoas em centros de detenção espalhados pelo país. Este é o maior número registrado pela agência desde a sua criação, em 2003. Dentre as pessoas detidas, 48% não tinham acusação, nem condenação penal nos EUA. Elas permaneciam em custódia por violações civis das leis americanas de imigração. ** Com BBC **

  • Seleção jogará em estádios ‘brasileiros’ na primeira fase da Copa

    Estádio MetLife em NJ foi palco dos jogos mais importantes da Copa do Mundo de Clubes neste ano     Nova York – O Brasil conheceu sua agenda para os primeiros jogos da Copa do Mundo 2026 neste sábado. A Fifa revelou datas, horários e locais das partidas em cerimônia que ocorreu um dia após o sorteio dos grupos, também em Washington. O Brasil estreia contra Marrocos, no dia 13 de junho (sábado), às 6pm, no MetLife Stadium, em East Rutherford. O estádio será também a casa da final do torneio, em 19 de julho. “No nosso entendimento, os horários nos atenderam, porque serão dois jogos no final de tarde aqui nos Estados Unidos, uma temperatura mais amena e uma noite. Então, aquela nossa preocupação em relação à temperatura já diminui bastante. E agora, a partir deste domingo, nós iniciaremos as nossas visitas ou revisitar os Base Camps e hotéis que já vistoriamos antes, para confirmarmos junto à Fifa a nossa prioridade”, diz o coordenador executivo geral das seleções masculinas do Brasil, Rodrigo Caetano. A CBF tem até dia 9 para apontar as prioridades para hotéis e centros de treinamentos. No dia 14, a Fifa confirma os locais com a entidade brasileira. Grupo C (do Brasil) 13 de junho - Brasil x Marrocos - MetLife Stadium (New York/New Jersey) – 18 horas 13 de junho -  Haiti x Escócia  — Gillette Stadium (Boston) – 21 horas 19 de junho - Brasil x Haiti — Lincoln Financial Field (Filadélfia) – 21 horas 19 de junho -  Escócia x Marrocos  — Gillette Stadium (Boston) – 18 horas 24 de junho - Escócia x Brasil — Hard Rock Stadium (Miami) – 18 horas 24 de junho -  Marrocos x Haiti  — Mercedes-Benz Stadium (Atlanta) – 18 horas   Compra de Ingressos A Copa do Mundo 2026 já ultrapassou a marca de dois milhões de ingressos vendidos, e a terceira fase de vendas começa em 11 de dezembro, quando torcedores poderão se inscrever para o sorteio que distribui entradas para jogos avulsos. A compra só pode ser realizada por meio do site oficial da FIFA, mediante criação ou uso de uma FIFA ID. A próxima etapa de vendas será o  Sorteio de Escolha Aleatória , sistema no qual os torcedores se inscrevem e aguardam o resultado para saber se foram contemplados. As inscrições estarão abertas  de 11 de dezembro a 13 de janeiro , sempre em  FIFA.com/tickets . O horário de abertura é às 11h locais nos países-sede. Quem já possui uma FIFA ID deve apenas entrar no site e se registrar no sorteio. Quem ainda não tem precisa criar uma conta. O horário de inscrição não altera as chances: basta concluir o processo dentro do período estipulado. Passo a passo para participar do sorteio Acesse  FIFA.com/tickets . Faça login com sua FIFA ID ou crie uma nova conta. Escolha os jogos desejados, a categoria de preço e o número de ingressos. Envie a solicitação. Aguarde o resultado, que será informado por e-mail em fevereiro. Se o pedido for aceito total ou parcialmente, o pagamento será debitado automaticamente. A confirmação garante apenas o ingresso, não a entrada nos países-sede – é necessário atender às regras de imigração de Estados Unidos, Canadá e México. Da Redação

bottom of page