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  • Polícia localiza em Massachusetts brasileira de 13 anos desaparecida há mais de um mês

    Karoline voltou para cusódia do DCF após mais de um mês desaparecida ( Foto: Divulgação Polícia) WORCESTER – Após um mês desaparecida, a brasileira Karoline Ferreira de Moura, de 13 anos, foi localizada em Massachusetts. A informação foi dada primeiro pelo MassLive na terça-feira, 2, e confirmada pela polícia local à MANCHETE USA. A adolescente, que tinha sido vista pela última vez em 20 de julho, voltou para a custódia do Estado. Ela estava sob os cuidados do DCF (Departamento de Crianças e Famílias) desde a prisão de sua mãe, Rosane Ferreira de Oliveira, 40 anos, em uma das ações mais truculentas do ICE. Leia também: Caçula de família alvo de ação truculenta do ICE está desaparecida Durante as buscas, a irmã mais velha, Clara Augusta, 23, disse à MANCHETE USA que Karoline estava com medo de voltar a ficar sob a guarda do DCF e queria ir viver com ela no Brasil. Clara era a mulher com o bebê no colo que aparece nas imagens da operação do ICE na Eureka Street quando Rosane foi detida em maio. Ela resolveu deixar os Estados Unidos após o marido ser deportado. Leia também: Advogado acusa ICE de assinar deportação sem aval do cliente Nayara, de 17 anos, que tentou impedir que os agentes federais levassem Rosane, também estava sob a custódia do DCF. Porém, o destino dela foi diferente: ela fugiu e conseguiu reencontrar Clara no Brasil. Não está claro como ela conseguiu sair do país. Rosane segue no Centro de Detenção do Condado de Stafford, em Dover, New Hampshire, de onde luta para ficar nos EUA através de um pedido de asilo que já estava em andamento antes de sua prisão. Primeira pista A MANCHETE USA deu a primeira pista para localizar a menor. Após a publicação sobre o desaparecimento de Karoline em 29 de julho, Angélica Almeida entrou em contato com nossa reportagem, informando que havia dado carona para a adolescente de 13 anos no domingo, 27, uma semana após ela ter sido vista pela última vez, de acordo com a polícia de Worcester. Angélica conta que um homem identificado por Kaycky Brenno entrou em um grupo no Facebook buscando carona para a irmã que sairia de Worcester para a Pensilvânia. Mais tarde o destino foi alterado para Nova Jersey. Leia também: Menor desaparecida pode estar em Nova Jersey Ela pegou Karoline no 111 da Fairfield Street, em Worcester, e a levou até o número 2 da Wilson Dr, em Maple Shade, Nova Jersey. Angelica diz que Brenno não pagou pelo serviço. A MANCHETE USA fez contato com Kaycky Brenno pelo mesmo número de telefone pelo qual contratou a carona. Inicialmente ele negou conhecer Karoline mas poucos minutos depois por mensagens no WhatsApp disse a nossa reportagem que a adolescente estava em Worcester no 33 da Vernom Street. Depois disso, as autoridades levaram mais de um mês para encontrar a menor em Massachusetts, de onde desapareceu. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste material sem a autorização da MANCHETE USA. Todos os textos estão protegidos por copyright. Reproduções autorizadas devem conter crédito de AUTORIA para MANCHETE USA ( mancheteusa.com )

  • Número de brasileiros deportados dos EUA em 2025 supera total dos últimos três anos

    BRASÍLIA - O número de brasileiros ilegais deportados pelos Estados Unidos em oito meses já é maior do que o total nos últimos três anos, de acordo com os números da Polícia Federal. Desde o início do ano, 1.844 brasileiros foram expulsos dos EUA. Do total, apenas 114 saíram durante os últimos 20 dias da administração de Joe Biden. Nos anos anos ateriores, no governo democrata, o pico foi 1.660 em todo o ano passado. Em 2023, foram 1.265; e 2022, 1.423. A expectativa do governo brasileiro é de que até o fim deste ano o número de deportados aumente de forma significativa sob a política anti-imigrante de Donald Trump. Segundo o Ministério dos Direitos Humanos, em agosto os EUA passaram a mandar para o Brasil um voo por semana. Antes, era um a cada 15 dias. “Sempre houve um processo de deportação. O que mudou é uma estruturação de uma política de deportação. E o que a gente está percebendo é uma intensificação da política e há um mês, essa periocidade semanal”, afirma Élida Lauris, secretária nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos. ** Com Assessorias **

  • Vice da diplomacia dos EUA diz a missão brasileira que tarifas têm questão política

    WASHINGTON - Integrantes de uma missão empresarial que está em Washington desde o início desta semana, para abrir canais de diálogo que possam reverter o tarifaço do presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros e evitar novas medidas protecionistas, foram recebidos, nesta quarta-feira, 3, pelo vice-secretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau. Segundo relato do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, Landau afirmou que o impasse com o Brasil tem uma questão política, inédita tanto para o Brasil como para os EUA. O subsecretário de Estado americano costuma criticar o governo e o Judiciário brasileiros, assim como o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que neste momento está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Ao anunciar uma sobretaxa de 50% sobre produtos do Brasil, Donald Trump disse que uma das justificativas para a medida é o processo contra Bolsonaro. Porém, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já avisou que aceita interferência em assuntos internos. "Logo de imediato o secretário Landau colocou muito abertamente que a principal questão diz respeito à característica política do problema, que é algo inédito para eles, algo inédito para nós, e que precisamos conduzir sob um prisma de encontrar caminhos no setor político", disse Alban. QUERO MEU XP LEGACY Segundo o presidente da CNI, “de forma muito honesta”, foi colocado a Landau que não é da competência dos empresários brasileiros discutirem essa questão. Ele relatou ter afirmado que, se for chamado, o setor privado brasileiro estará à disposição para encontrar soluções e convergências no campo econômico. Ainda de acordo com Ricardo Alban, Landau informou que, devido ao teor político da questão, o assunto está sendo tratado pelo Departamento de Estado, ou seja, pela diplomacia americana. O titular do cargo, Marco Rubio, estava em viagem ao México quando a reunião ocorreu. "O Departamento de Estado é responsável por essa negociação, justamente por essa condicionante política que está envolvida no processo", disse Alban. Na última terça-feira, os membros da comitiva que viajou para os EUA se reuniram com a embaixadora do Brasil naquele país, Maria Luiza Viotti. Nesta quarta-feira, estiveram com congressistas americanos e foram representados pelo consultor da CNI, Roberto Azevêdo, em uma audiência pública relativa a uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio (USTR) sobre suspeita de práticas comerciais desleais pelo Brasil. O processo envolve temas como desmatamento, tarifas preferenciais em acordos comerciais com outros países, corrupção e meios de pagamento como o Pix. Azevêdo, que foi diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), assegurou que o Brasil respeita as normas internacionais e não prejudicam a economia dos EUA. Também participou da audiência pública a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defendeu o agronegócio brasileiro. ** Com Agência Globo **

  • Governo Trump cortou ilegalmente financiamento de Harvard, diz Justiça

    BOSTON - Uma juíza determinou nesta quarta-feira, 3, que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encerrou ilegalmente cerca de US$2,2 bilhões em subsídios para a Universidade de Harvard e não pode mais cortar o financiamento de pesquisa para a prestigiada instituição da da Ivy League. A decisão da juíza distrital dos Estados Unidos, Allison Burroughs, em Boston, representou uma grande vitória legal para Harvard, que busca fechar um acordo que possa pôr fim ao conflito em várias frentes da Casa Branca com a universidade mais antiga e mais rica do país. Sediada em Cambridge, Massachusetts, Harvard tornou-se o foco central da ampla campanha do governo de usar o financiamento federal para forçar mudanças nas universidades dos EUA, que, segundo Trump, estão dominadas por ideologias antissemitas e de "esquerda radical". Entre as primeiras medidas tomadas pelo governo contra Harvard está o cancelamento de centenas de bolsas concedidas a pesquisadores, com o argumento de que a universidade não fez o suficiente para lidar com o assédio a estudantes judeus em seu campus. Harvard entrou com um processo, argumentando que o governo Trump estava violando seus direitos de liberdade de expressão e agindo em retaliação após a recusa da instituição em atender às exigências para que cedesse o controle sobre quem contrata e quem ensina. Nomeada pelo presidente democrata Barack Obama, Burroughs afirmou que o presidente republicano estava certo em combater o antissemitismo e que Harvard estava "errada em tolerar comportamentos odiosos por tanto tempo". Mas ponderou que o combate ao antissemitismo não era o verdadeiro objetivo do governo e que as autoridades queriam pressionar Harvard a atender às suas exigências, violando seus direitos de liberdade de expressão previstos na Primeira Emenda da Constituição dos EUA. Burroughs apontou ainda que é função dos tribunais salvaguardar a liberdade acadêmica e "garantir que pesquisas importantes não sejam indevidamente submetidas a rescisões arbitrárias e processualmente inválidas, mesmo que isso arrisque a ira de um governo comprometido com sua agenda, custe o que custar". A decisão impede que o governo encerre ou congele qualquer financiamento federal adicional a Harvard e impede que continue a reter o pagamento de subsídios existentes ou que se recuse a conceder novos financiamentos à escola no futuro. Em um comunicado, a porta-voz da Casa Branca, Liz Huston, chamou Burroughs de "juíza ativista nomeada por Obama" e disse que Harvard "não tem direito constitucional aos dólares dos contribuintes e continua inelegível para receber subsídios no futuro". "Vamos recorrer imediatamente dessa decisão flagrante e estamos confiantes de que, no final, prevaleceremos em nossos esforços para responsabilizar Harvard", disse ela. Harvard não respondeu aos pedidos de comentários. ** Com Reuters **

  • Brasileiros deportados em avião da Gol desmentem companhia

    Brasileiros usavam roupas de presidiários e chegaram ao Brasil sem documentos NOVA YORK - Brasileiros extraditados dos Estados Unidos que desembarcaram semana passada no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, afirmam que deixaram o país depois de serem coagidos a aderir a um programa de deportação voluntária lançado este ano pela Casa Banca. A medida, dizem, buscou acelerar a saída do grupo do território americano. O Boeing737MAX-8 aterrissou em Confins na quarta-feira (27), sendo a primeira vez que uma empresa comercial prestou o serviço para o governo americano expulsar imigrantes. Via assessoria, a Gol informou que fretou a aerenave para o o transporte de brasileiros que aderiram ao CBP One, programa que prevê a saída de estrangeiros dos EUA sem o risco de prisão e promente US$ 1 mil após chegar no país de origem. A viagem foi computada como um fretamento convencional. "A companhia reforça que não há nenhuma distinção nos serviços entre estes voos com qualquer outro fretamento operado, sempre com foco na segurança dos passageiros", diz a nota da Gol. Relatos mostram outro cenário Mas os relatos e as condições dos brasileiros que desembarcaram em Belo Horizonte revelam outro cenário. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo , eles também reclamaram das condições de transporte e dos maus-tratos durante o processo de deportação. O desembarque, testemunhado pela reportagem da Folha, foi rápido. O grupo atravessou o portão em menos de 30 minutos. Eles vestiam uniformes usados em centros de detenções e traziam apenas uma sacola com alguns pertences. Nem todos portavam documentos. Algum deles denunciam que foram coagidos a assinar a autodeportação já na entrada da aeronave, após a soltura das algemas pelos oficiais do ICE. Erivelton Natalino da Silva, que morava com a esposa nos EUA havia mais de 20 anos --ela continua no país com duas filhas do casal conta que ele lutava para permanecer no país. Silva diz que os dois tinham o número do seguro social, necessário para residentes permanentes ou para trabalhadores temporários, e uma vida estável. Em janeiro, segundo ele, receberam a aprovação de mais cinco anos de permanência. Tudo mudou em 6 de junho, de acordo com seu relato, quando foi abordado e preso. O advogado da família que cuidava do processo de residência definitiva entrou com uma petição para impedir a deportação, mas não adiantou. Segundo a esposa, Erivelton já tinha sido submetido a três tentativas de deportação, mas, por ter um processo de permanência tramitando na Justiça, era impedido de embarcar. Então, a saída encontrada pelos agentes do serviço de imigração foi colocar o homem no voo de deportação voluntária, supostamente de forma clandestina. Na quarta (27), sem documentos, ele desembarcou em Minas Gerais para surpresa da família, que não sabia do seu paradeiro e ainda tinha esperanças de que a situação fosse revertida. Carlos Fagundes é outro brasileiro que estava no voo. Ele já havia passado por oito penitenciárias diferentes durante os três meses em que ficou detido. Enquanto aguardava a deportação, disse que fez os trajetos entre penitenciárias sempre algemado, em ônibus e sem alimentação ou água. "Chegamos a ficar até 20 horas sem comer nem beber nada. A gente via a comida, a garrafa de água, mas eles não queriam nos dar. No voo de volta saímos às 6h e só fomos comer à meia-noite", disse. "Nos EUA não existe mais lei, nem de imigração." Nos centros de detenção, afirmou, os brasileiros ficavam amontoados. "Era impossível ficar de pé. Se a gente ficasse, pisava nos outros. Foram muitos dias sem tomar banho e sem escovar os dentes." Sem dinheiro nem passaporte, Carlos aguardava a esposa no saguão do aeroporto para voltar para sua casa no Espírito Santo. Imigrantes relatam também que, assim como a higiene pessoal, a alimentação era restrita. Um colega de Carlos que não quis se identificar disse que as refeições do grupo consistiam em três sanduíches para todo o dia. Alguns dos passageiros mostraram à reportagem da Folha uma cópia de um documento que dizem ter sido obrigados a assinar com instruções para a retirada do auxílio de US$ 1 mil. No papel, consta o endereço de email do Project Homecoming, o nome em inglês do programa para a saída voluntária. Ainda no Aeroporto de Confins, em frente a uma casa de câmbio, alguns tentavam descobrir onde poderiam sacar o valor da ajuda. Enquanto outros, que ainda levavam alguma quantia em dólares, tentavam fazer a conversão para terminar a viagem. Assim como Carlos Fagundes, Erivelton deverá ter dificuldades para receber o auxílio prometido pelo governo americano. Para conseguir acessar a quantia, a pessoa precisa enviar uma comprovação de que já está no país de origem, além de uma foto do passaporte, documento que eles não possuem mais. Recuperação Judicial Curiosamente, a Gol anunciou em junho ter concluído sua recuperação judicial nos EUA, processo conhecido como Chapter 11. De saída, a companhia conseguiu US$ 1,9 bilhão em financiamentos por meio de um DIP —empréstimo oferecido a empresas em recuperação judicial. O diretor-presidente da Gol, Celso Ferrer, afirmou, recentemente, que pretende fazer com que a empresa tenha 25% de seus negócios no exterior, uma forma de diluir os riscos da variação cambial e do combustível, comercializado em dólar. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial deste material sem a autorização da MANCHETE USA. Todos os textos estão protegidos por copyright. Reproduções autorizadas devem conter crédito de AUTORIA para MANCHETE USA ( mancheteusa.com )

  • Imprensa Internacional repercurte primeiro dia do julgamento de Bolsonaro

    NOVA YORK - A imprensa internacional repercutiu o início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira, 2, e define como "plano sinistro" a tentativa de golpe de Estado do qual ele é acusado. Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, está sendo julgado junto a outros sete réus, apontados como os principais integrantes da suposta organização que tentou reverter a derrota eleitoral de 2022. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e a sentença deve sair até o dia 12 de setembro. The New York Times O The New York Times fez uma linha do tempo para descrever o planejamento e tentativa de execução do plano de golpe de Estado por Bolsonaro e seus aliados, a que chamou de "solução sinistra". O jornal cita que o ex-presidente tentou descreditar o resultado, chamando a eleição de fraude, depois, colocar em execução planos para assassinar o presidente Luís Inácio Lula da Silva, o vice Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes. A matéria observa que Bolsonar veio para os Estados Unidos enquanto seus apoiadores invadiam os prédios dos três poderes. O NYT afirmou que revisou dezenas de horas de depoimentos e centenas de páginas de documentos relacionados ao caso para contar a história, que ao que tudo indica terminará com uma condenação do ex-presidente. Antes, o jornal americano já havia destacado que o Brasil está fazendo algo que os EUA não conseguiram: levar um ex-presidente a julgamento por tentar se manter no poder após perder uma eleição. The Guardian O The Guardian entrevistou o trompetista Fabiano Leitão, que viralizou ao tocar uma "marcha fúnebre" e o hino antifascista "Bella Ciao" após Bolsonaro se tornar réu por golpe de Estado. Leitão disse ao jornal britânico que está "fazendo o velório político" de Bolsonaro e que estará na frente do STF para receber o ex-presidente em sua chegada ao julgamento. “Vai ser algo alegre! Tem que ser algo alegre!”, disse o trompetista ao jornal britânico. "Leitão está entre milhões de brasileiros progressistas que já têm o champanhe metafórico no gelo à espera da tão esperada condenação de Bolsonaro e de sete supostos co-conspiradores, cujo julgamento começa nesta semana", afirmou a reportagem. The Washington Post Com o julgamento de Bolsonaro, o Brasil enfrenta seu próprio passado autoritário e também o presidente Trump, que pressiona o país com retaliações econômicas e diplomáticas, destacou a reportagem do The Washington Post. Segundo o jornal americano, o julgamento "marca uma reviravolta significativa" no Brasil, já que o país "tradicionalmente escolhe a conciliação em vez da acusação quando se trata de supostos crimes contra o Estado democrático". "O julgamento de Bolsonaro também é o ápice de uma saga extraordinária que polarizou ainda mais o Brasil, testou a determinação do seu Judiciário e abriu um abismo cada vez maior com os EUA", acrescentou. Agora o julgamento de Bolsonaro deve ser "acompanhado de perto por pessoas de todo o país e pode estabelecer um novo precedente para a responsabilização política, dizem acadêmicos". The Economist O The Economist chamou Bolsonaro de "Trump dos trópicos" e publicou diversas reportagens sobre o julgamento no STF que "parece um sonho da esquerda americana, mas é realidade no Brasil". O jornal britânico classificou a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 como "esquisita e bárbara" por conta de um clima de festa que tomou os acampamentos em frente ao quartel de Brasília antes da invasão aos prédios do governo. "Na primeira semana de janeiro de 2023, centenas de barracas [estavam] dispostas desordenadamente do lado de fora do prédio. Estaria acontecendo algum tipo de festival? O acampamento estava repleto de barracas servindo cerveja, costelas grelhadas e tigelas de arroz com carne salgada, conhecido como arroz carreteiro." O The Economist disse também que Bolsonaro "falhou por incompetência e não por falta de intenção" e que seu julgamento ditará o ritmo da recuperação brasileira da febre populista. Em sua reportagem de capa da semana anterior, o jornal afirmou que o Brasil dá uma lição de democracia aos EUA, ao comparar o caso à tentativa de Donald Trump de se manter no poder após a derrota em 2020. A reportagem disse que "os dois países parecem estar trocando de lugar: os EUA estão se tornando mais corruptos, protecionistas e autoritários, em contraste, mesmo com o governo Trump punindo o Brasil por processar Bolsonaro, o próprio país está determinado a salvaguardar e fortalecer sua democracia." Em outro texto, descreveu o julgamento como um marco histórico, afirmando que esta será a primeira vez que o Brasil levará um ex-presidente a julgamento por tramar um golpe. O texto também citou a tentativa de Trump de intervir com tarifas, sanções e cancelamento de vistos. Segundo a publicação, Eduardo Bolsonaro se mudou para os EUA para fazer lobby junto a aliados do presidente americano contra Alexandre de Moraes. Mas as pressões externas não funcionaram e acabaram impulsionando a aprovação de Lula. BBC A BBC disse que o julgamento de Bolsonaro entrou na fase final a partir desta terça-feira, e que um colegiado de cinco ministros da 1ª turma do STF decidirá o futuro do ex-presidente. Segundo a rede britânica, a causa do ex-presidente brasileiro "foi abraçada" por Donald Trump. O presidente dos EUA, que também tem similaridades com Bolsonaro em seu currículo por conta da invasão de seus apoiadores ao Capitólio em 2021, chamou o julgamento no STF de "caça às bruxas". ** Com Agências **

  • Comitê da Câmara dos EUA divulga mais de 33 mil páginas do caso Epstein

    WASHINGTON - O Comitê de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos divulgou publicamente nesta terça-feira, 2, os arquivos recebidos do Departamento de Justiça sobre as investigações de tráfico sexual envolvendo Jeffrey Epstein e sua ex-namorada, Ghislaine Maxwell, em resposta à crescente pressão no Congresso americano para tratar o caso com transparência. Ainda assim, os arquivos contêm, em sua maioria, informações que já eram de conhecimento público ou estavam disponíveis. As pastas continham centenas de processos judiciais com anos de existência relacionados a Epstein e Maxwell. Também incluem vídeos do que parecem ser imagens de câmeras corporais de buscas policiais, bem como gravações e resumos de depoimentos de policiais com vítimas, detalhando os abusos que elas disseram ter sofrido. O presidente republicano da Câmara, Mike Johnson, está tentando reprimir a tentativa de parlamentares, inclusive do seu próprio partido, de forçar a votação de um projeto de lei que exigiria que o Departamento de Justiça divulgasse todas as informações contidas nos chamados arquivos de Epstein, com exceção das informações pessoais das vítimas. No Capitólio, nesta terça-feira, Johnson e um grupo bipartidário de deputados se encontraram com seis das vítimas de abusos cometidos por Epstein e Maxwell. "O objetivo aqui não é apenas descobrir e investigar os males de Epstein, mas também garantir que isso nunca mais aconteça e, em última análise, descobrir por que a Justiça foi adiada para essas mulheres por tanto tempo", disse Johnson, após sair da reunião de duas horas. "É indesculpável. E vai parar agora, porque o Congresso está engajado nisso", ele acrescentou. Mas ainda há intensas divergências sobre como os deputados devem proceder. Johnson está pressionando para que o inquérito seja conduzido pelo Comitê de Supervisão da Câmara e apoiando o comitê na divulgação de suas conclusões. O que há nos arquivos divulgados? Entre os arquivos divulgados nesta terça-feira estava o áudio de um funcionário de Epstein descrevendo a um policial como "havia muitas meninas muito, muito jovens" visitando a casa, mas não conseguia afirmar com certeza se eram menores de idade. Durante as visitas de Epstein à casa, o homem disse que mais de uma dúzia das garotas costumavam visitá-lo e ele era encarregado de limpar o quarto onde o patrão fazia massagens duas vezes ao dia. Algumas páginas foram quase totalmente redigidas. Outros documentos relacionados ao processo de Epstein na Flórida, que levaram a um acordo judicial criticado por ser muito brando, incluem e-mails entre a defesa e os promotores sobre as condições da liberdade condicional após a condenação do réu. Barbara Burns, promotora do Condado de Palm Beach, expressou frustração com a defesa pressionando por menos restrições ao seu cliente: "Não sei como transmitir a ele, mais do que já sei, que seu cliente é um criminoso sexual registrado que teve a sorte de conseguir o acordo do século." Algumas das entrevistas com policiais do Departamento de Polícia de Palm Beach datam de 2005, de acordo com os registros de data e hora lidos pelos policiais no início dos arquivos. A maioria, senão todos, dos documentos de texto publicados nesta terça-feira já eram públicos. Notavelmente, o depoimento de causa provável e outros registros da investigação de dez anos atrás sobre Epstein continham uma anotação indicando que haviam sido divulgados anteriormente em uma solicitação de registros públicos em 2017. O deputado Robert Garcia, o principal democrata no Comitê de Supervisão da Câmara, repreendeu os republicanos do painel por divulgarem material que, segundo ele, consistia quase inteiramente em informações já disponíveis. "As 33 mil páginas de documentos sobre Epstein que James Comer decidiu 'divulgar' já eram, em sua maioria, informações públicas. Ao povo americano - não se deixe enganar por isso", disse Garcia em um comunicado. Os deputados divulgaram milhares de páginas e vídeos por meio de um pesado Google Drive, deixando para leitores e espectadores a tarefa de decifrar por conta própria as novidades e informações interessantes. A iniciativa também deixou em aberto a questão de por que o Departamento de Justiça não divulgou o material diretamente ao público em vez de operar através do Capitólio. Membros de ambos os partidos continuam insatisfeitos e exigem mais detalhes sobre a investigação de anos de duração sobre Epstein, o rico e bem relacionado financista cuja morte em 2019 em uma cela de prisão de Nova York, enquanto enfrentava acusações de tráfico sexual, gerou amplas teorias da conspiração e especulações. ** Com AE **

  • Juiz barra uso de tropas pelo governo Trump em Los Angeles

    Trump enviou soldados federais para inibir protestos contra as ações do ICE SAN FRANCISCO - Um juiz distrital suspendeu nesta terça-feira, 2, o envio da Guarda Nacional para o Distrito Norte da Califórnia em resposta a uma ação impetrada pelo governador Gavin Newsom. A queixa do democrata alerta que as tropas violam as normas vigentes Estados Unidos e uma lei conhecida como Posse Comitatus, que limita drasticamente o uso de tropas federais para a aplicação da lei nacional. Em seu parecer, o juiz Charles Breyer disse que as evidências no julgamento mostraram que o governo Trump usou tropas e veículos militares para estabelecer perímetros de proteção, bloquear o tráfego e se envolver no controle de multidões. "Em resumo, os réus violaram a lei Posse Comitatus", escreveu Breyer ao interromper a intervenção federal até 12 de setembro. Em junho, Trump ordenou que 4 mil membros da Guarda Nacional e 700 fuzileiros navais da ativa dos EUA fossem para Los Angeles, em resposta aos protestos contra as operações de imigração em larga escala na segunda maior cidade do país. A Casa Branca argumenta que a Constituição permite que os presidentes usem tropas para proteger funcionários e propriedades federais como uma exceção à lei Posse Comitatus. A administração de Donald Trump deve recorrer. Em junho, Breyer já havia considerado que o envio da Guarda Nacional da Califórnia por Trump era provavelmente ilegal e ordenou que as tropas fossem devolvidas ao controle de Newsom. Isso foi revertido pela Corte de Apelações do 9º Circuito dos EUA uma semana depois. ** Com Reuters **

  • EUA aprovam taxa extra de US$ 250 para emissão de visto

    Adicional representa alta de quase 150% para tirar o visto americano WASHINGTON - A lei One Big Beautiful Bill sancionada no 4 de Julho pelo presidente Donald Trump aumenta mais de 100% o valor do visto americano ao exigir uma taxa extra de US$ 250 para o documento. A Visa Integrity Fee ("taxa de integridade do visto") eleva a taxa consular de US$ 185 para US$ 435. Mas o preço final é ainda maior já que a nova legislação também exige a cobrança do formulário I-94, preenchido durante o voo, ao valor de US$ 24. Isso significa que o visto de não imigrante, incluindo turistas e viajantes a negócios (categoria B), estudantes (F), alunos em intercâmbio (J), trabalhadores temporários (H) e atletas e artistas (P), entre outros, custará, no total, US$ 459, uma alta de quase 150%. A taxa adicional será cobrada apenas na emissão do visto – ou seja, quem teve o pedido negado não pagará o valor. Ela poderá ser reajustada anualmente, de acordo com a inflação, e o custo do adicional pode ser alterado pela secretária de Segurança Nacional, Kristi Noem. Reembolso A lei prevê o reembolso da tarifa extra quando o viajante: cumprir todas as condições do visto de não imigrante após sua entrada nos EUA, incluindo “não aceitar emprego não autorizado”; não buscar extender a estadia nos EUA durante a validade do visto e partir do país em até 5 dias após o último dia desse período; durante a validade do visto, conseguir a extensão do status de não imigrante ou se tornar um residente permanente legal. A lei diz que o retorno do dinheiro deve ocorrer somente após a expiração da validade do visto, que, para cidadãos brasileiros, pode chegar a dez anos. Não há informação disponível sobre os procedimentos para a realização do reembolso. ** Com Agências **

  • Visto americano fica mais caro e burocrático a partir de hoje

    Entrevista passa a ser uma exigência em processo de visto para os EUA BRASÍLIA - Solicitar um visto para os Estados Unidos ficou mais caro e burocrático a patir desta terça, 2, impactando diretamente turistas, estudantes e profissionais que desejam entrar no país – seja pela primeira vez ou quem para pretende apenas renovar o documento. A “taxa de integridade de visto”aumenta o preço da solicitação para mais de US$ 420 e a possibilidade de uma entrevista presencial exigem que tudo seja mais planejado são as principais mudanças. Todos precisam fazer entrevistas presenciais? Todas as pessoas que vão solicitar vistos de não imigrante pela primeira vez precisarão agendar uma entrevista presencial com um oficial consular. Antes, normalmente não era necessário o agendamento de entrevista  para menores de 13 anos e maiores de 80. Quem está isento de fazer entrevista presencial? Candidatos com os vistos A-1, A-2, C-3 (exceto empregados domésticos), do G-1 ao G-4, Nato-1 ao Nato-6 e Tecro E-1, além de solicitantes de vistos diplomáticos ou oficiais estão isentos de entrevistas. Já aqueles que forem renovar o visto B1 (normalmente utilizado para negócios), o B2 (normalmente usado no turismo) ou o B1/B2 (que une as duas esferas) podem ser elegíveis para a isenção da conversa presencial. Mas o Departamento de Estado dos EUA deixa claro que as entrevistas presenciais podem ser exigidas mesmo em casos que, por via de regra, estão dispensados. Quanto custa tirar o visto americano? Além dos US$ 185 (o equivalente a cerca de R$ 1.006) de taxa para emissão de visto, agora, há uma taxa extra no valor de US$ 250 (cerca de R$ 1.360) chamada de Visa Integrity Fee. Ela será cobrada quando o visto for emitido, se somando às taxas já existentes. Leia também: EUA aprovam taxa extra de US$ 250 para emissão de visto Assim, o custo total de um visto padrão de não imigrante sai por US$ 435, cerca de R$ 2.367. Caso o visto seja negado, o solicitante não será cobrado pela taxa extra. ** Com AE **

  • Bessent espera que Suprema Corte mantenha legalidade das tarifas de Trump, mas cogita Plano B

    Tarifaço de Trump pode ser anulado por Justiça nos próximos dias WASHINGTON - O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta segunda-feira, 1, que está confiante de que a Suprema Corte manterá a legalidade do uso, por parte do presidente Donald Trump, de uma lei de poderes emergenciais de 1977 para impor tarifas abrangentes sobre a maioria dos parceiros comerciais do país. No entanto, acrescentou que o governo tem um plano alternativo, caso isso não ocorra. Bessent disse que está preparando um memorando jurídico para o procurador-geral dos EUA, que supervisionará o recurso do governo junto à Justiça. O documento enfatizará a urgência de abordar décadas de desequilíbrios comerciais e interromper o fluxo de fentanil mortal para os Estados Unidos. Na última sexta-feira, um tribunal de apelações dos EUA, dividido, decidiu que a maioria das tarifas impostas por Trump são ilegais, minando o uso dessa ferramenta como pilar da política econômica do presidente republicano. A corte permitiu que as tarifas permanecessem em vigor até 14 de outubro, dando ao governo Trump a chance de apresentar recurso à Suprema Corte. A decisão, tomada por 7 votos a 4 pela Corte de Apelações do Circuito Federal em Washington, D.C., avaliou a legalidade das chamadas tarifas “recíprocas” impostas por Trump como parte de sua guerra comercial em abril, bem como um conjunto separado de tarifas aplicadas em fevereiro contra China, Canadá e México, com o objetivo de barrar a entrada de fentanil. A decisão não afeta tarifas impostas com base em outras autoridades legais, como as tarifas de Trump sobre as importações de aço e alumínio. Trump justificou ambos os conjuntos de tarifas, assim como tarifas mais recentes, com base na Lei de Poderes Econômicos Internacionais de Emergência (IEEPA) de 1977, que concede ao presidente poderes para lidar com “ameaças incomuns e extraordinárias” durante emergências nacionais. “Estou confiante de que a Suprema Corte vai manter, que vai confirmar a autoridade do presidente para usar a IEEPA. E há muitas outras autoridades que podem ser usadas, não tão eficientes, não tão poderosas”, disse Bessent. Ele falou à Reuters durante uma visita a uma lanchonete nos subúrbios de Washington. Uma dessas alternativas, segundo ele, seria a Seção 338 da Lei Tarifária Smoot-Hawley de 1930, que permite ao presidente impor tarifas de até 50% por cinco meses sobre importações de países que discriminem o comércio com os EUA. Entrada de fentanil Bessent afirmou que o influxo do fentanil, droga ligada a cerca de 70 mil mortes por ano nos Estados Unidos, constitui um motivo legítimo para declarar estado de emergência nacional. “Se isso não é uma emergência nacional, o que seria?”, disse Bessent, referindo-se às milhares de overdoses relacionadas ao fentanil. “Quando é que se pode usar a IEEPA, se não for para combater o fentanil?” Ele disse que o memorando jurídico, a ser enviado entre está terça e quarta-feira, destacará que os déficits comerciais dos EUA com outros países vêm crescendo há anos e estão chegando a um ponto crítico, o que poderia gerar consequências muito maiores. “Tivemos esses déficits comerciais durante anos, mas eles continuam crescendo. Estamos nos aproximando de um ponto de ruptura… então, prevenir uma calamidade é uma emergência,” afirmou. Bessent observou que ações tomadas pelo então presidente George W. Bush em relação às hipotecas talvez tenham evitado a crise financeira global de 2008-2009, que foi desencadeada pela especulação excessiva sobre imóveis. Relações internacionais Bessent minimizou a ideia de que as tarifas de Trump estariam aproximando países como Rússia, China e Índia, classificando uma reunião em Xangai com 20 líderes de países não ocidentais como “performática”. “Isso acontece todo ano com a Organização de Cooperação de Xangai,” disse ele. “É mais do mesmo. E veja, são atores nocivos… A Índia está abastecendo a máquina de guerra russa, a China está abastecendo a máquina de guerra russa… Em algum momento, nós e nossos aliados vamos agir”. Ele disse que os EUA estão fazendo progresso em convencer a Europa a se juntar a Washington na pressão contra a Índia, devido à compra de petróleo russo, por meio de uma tarifa adicional de 25%, mas não comentou se os EUA aplicariam pressão semelhante sobre a China. Segundo Bessent, a China teria dificuldade em encontrar mercados alternativos suficientes para seus produtos fora dos Estados Unidos, Europa e países de língua inglesa. “Eles não têm renda per capita alta o suficiente nesses outros países,” disse. ** Com Reuters **

  • EUA perdem mais de 1 milhão de trabalhadores sob política anti-imigrante

    Economistas afirmam que "fuga" de imigrantes também prejudica geração de empregos WASHINGTON - Mais de 1,2 milhão de imigrantes deixaram a força de trabalho dos Estados Unidos entre janeiro e julho, mostram dados preliminares do Censo analisados pelo Pew Research Center. O número inclui tanto estrangeiros em situação irregular quanto residentes legais. Os imigrantes correspondem a quase 20% da mão de obra nos EUA. De acordo com a pesquisadora sênior Stephanie Kramer, do Pew, eles representam 45% dos trabalhadores na agricultura, pesca e silvicultura, cerca de 30% na construção civil e 24% no setor de serviços. Leia também: EUA registram queda inédita na população imigrante, mostra pesquisa A diminuição ocorre justamente quando o país registra a primeira queda na população imigrante em geral, depois que o número de pessoas em situação irregular atingiu o recorde de 14 milhões em 2023. “Não está claro quanto dessa queda desde janeiro se deve a saídas voluntárias em busca de novas oportunidades ou à tentativa de evitar deportações, remoções, subnotificação ou outros problemas técnicos”, afirmou Kramer. “Ainda assim, acreditamos que os números preliminares, que indicam migração líquida negativa, refletem suficientemente a realidade para não comprometer a tendência observada.” O presidente dos EUA, Donald Trump, fez campanha prometendo deportar milhões de imigrantes em situação irregular. Ele afirma que concentra os esforços em “criminosos perigosos”, mas a maioria dos detidos pelo ICE não tem condenações criminais. Ao mesmo tempo, o número de entradas ilegais pela fronteira caiu com suas políticas. Pia Orrenius, economista do Federal Reserve de Dallas, disse que imigrantes normalmente respondem por pelo menos 50% do crescimento do emprego nos EUA. “O fluxo na fronteira, pelo que podemos perceber, basicamente parou — e foi daí que vieram milhões de migrantes nos últimos quatro anos”, afirmou. “Isso teve um enorme impacto na capacidade de gerar empregos.” ‘Colheitas ficaram no campo’ Em McAllen, no Texas, na fronteira com o México, plantações de milho e algodão estão prestes a ser colhidas. Elizabeth Rodriguez teme que faltem trabalhadores para operar descaroçadores e outras máquinas após a colheita. Fiscalizações do ICE em fazendas, empresas e canteiros de obras paralisaram tudo, disse Rodriguez, diretora de defesa dos trabalhadores rurais no National Farmworker Ministry. “Em maio, no auge da safra de melancia e melão, houve atrasos. Muitas colheitas ficaram no campo”, relatou. No condado de Ventura, na Califórnia, ao noroeste de Los Angeles, Lisa Tate administra o negócio da família, que cultiva frutas cítricas, abacates e café em oito propriedades com 800 acres (323 hectares). A maioria dos trabalhadores são diaristas contratados por prestadoras de serviço. Houve dias, neste ano, em que as equipes apareceram reduzidas. Tate evita atribuir isso diretamente às políticas de imigração, mas reconhece que o medo de operações do ICE se espalhou rápido. Dezenas de trabalhadores da região foram presos no fim da primavera. “Pessoas estavam sendo levadas de lavanderias, de beiras de estrada”, contou Tate. Lidia, a trabalhadora rural que falou à AP com ajuda de um intérprete, disse que seu maior temor é ser enviada de volta ao México. Hoje com 36 anos, ela é casada e tem três filhos em idade escolar, todos nascidos nos EUA. “Não sei se conseguiria levar meus filhos”, disse Lidia. “Também me preocupa muito ter que começar do zero. Minha vida inteira foi nos Estados Unidos.” Da construção civil à saúde Os canteiros de obras em McAllen e arredores também “estão completamente parados”, disse Rodriguez. “Temos uma grande força de trabalho não documentada”, afirmou. “Vimos o ICE mirando especialmente em obras de construção e tentando fiscalizar oficinas mecânicas e de reparo.” O número de empregos na construção caiu em cerca de metade das áreas metropolitanas dos EUA, segundo análise da Associated General Contractors of America baseada em dados oficiais. A maior perda foi na região de Riverside-San Bernardino-Ontario, na Califórnia, com 7,2 mil postos a menos. Em Los Angeles-Long Beach-Glendale, a queda foi de 6,2 mil empregos. “O emprego na construção parou ou recuou em muitas regiões por diversos motivos”, disse Ken Simonson, economista-chefe da associação. “Mas empreiteiras relatam que contratariam mais gente se houvesse trabalhadores qualificados e dispostos, e se a fiscalização imigratória não estivesse prejudicando a oferta de mão de obra.” Kramer, do Pew, também alerta para o impacto potencial na saúde. Segundo ela, imigrantes representam cerca de 43% dos cuidadores domiciliares. O Service Employees International Union (SEIU) representa cerca de 2 milhões de trabalhadores na saúde, no setor público e em serviços prediais. Na Califórnia, aproximadamente metade dos cuidadores de longo prazo filiados ao SEIU 2015 são imigrantes, disse Arnulfo De La Cruz, presidente do sindicato local. “O que vai acontecer quando milhões de americanos não conseguirem mais encontrar cuidadores?” questionou De La Cruz. “O que acontece quando não houver imigrantes para colher nossas lavouras? Quem vai atender nossos hospitais e lares de idosos?” ** Com AFP **

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