top of page

Resultados de busca

1062 resultados encontrados com uma busca vazia

  • EUA podem bloquear asilo por motivos de saúde pública

    WASHINGTON - Os Estados Unidos poderão negar o acesso de imigrantes ao asilo com base no argumento de que eles representam um risco à saúde pública, de acordo com uma ‌regulamentação recém-finalizada, elaborada durante a pandemia de Covid-19 no primeiro mandato do presidente Donald Trump. O ‌regulamento, que entra em vigor na quarta-feira, permite que as autoridades dos EUA impeçam o asilo com base em "preocupações emergenciais de saúde pública geradas por uma doença transmissível", segundo uma cópia publicada no Registro Federal nesta segunda-feira. As restrições não teriam nenhum efeito ‍imediato, mas forneceriam ao governo Trump outra ferramenta para recusar possíveis solicitantes de asilo na fronteira entre os EUA e o México. O número de imigrantes pegos atravessando ilegalmente a fronteira caiu para os níveis mais baixos em décadas ‌depois que Trump assumiu o cargo em janeiro e implementou ‌uma ampla proibição de asilo na fronteira. Quando a Covid-19 se alastrou em 2020 durante o primeiro mandato de Trump, seu governo usou uma autoridade de saúde dos EUA conhecida como Título 42 para enviar rapidamente os imigrantes pegos cruzando a fronteira de volta ao México, dizendo que era necessário limitar a propagação do vírus. O ex-presidente Joe Biden, um democrata que sucedeu Trump em 2021, manteve as restrições do Título 42 em vigor até 2023, em parte devido a desafios legais que paralisaram as tentativas de acabar com elas. Ativistas criticaram o uso de emergências de saúde para negar amplamente o acesso ao asilo, dizendo que a lei dos EUA foi distorcida para cumprir a meta de Trump de recusar imigrantes. "Considerando o grande poder discricionário que a regulamentação concede ao governo e a obsessão do presidente na fiscalização da imigração, podemos esperar que essa nova autoridade seja usada em excesso", afirmou Sarah Pierce, ‌diretora de política social do grupo de centro-esquerda Third Way. O governo Biden adiou a data de vigência da regulamentação cinco vezes, mas não tomou medidas para encerrá-la. Além do asilo, a medida também permite que agências federais neguem outra forma de proteção conhecida como "suspensão da deportação". **Com Reuters**

  • 'Trump descartou Bolsonaro porque não suporta perdedores', diz ex-embaixador dos EUA

    Feeley afirma que Trump se afastou de Bolsonaro porque detesta perdedores WASHINGTON - O recuo dos Estados Unidos nas ações tomadas contra o Brasil e autoridades do Judiciário brasileiro está mais relacionado ao comportamento errático de Donald Trump e a uma mudança na sua percepção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro do que a qualquer conquista do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante as negociações com Washington. Essa é visão de John Feeley, ex-embaixador dos EUA no Panamá que já foi considerado um dos maiores especialistas em América Latina do Departamento de Estado americano. O diplomata deixou o governo em 2018, durante o primeiro mandato de Trump, por discordar das decisões do republicano. Desde então atua como diretor executivo do Centro para a Integridade da Mídia das Américas (CMIA, na sigla em inglês). Em entrevista à BBC News Brasil, Feeley afirma que, após a prisão de Jair Bolsonaro, o presidente americano passou a ver o aliado político como "perdedor" e o descartou. "Assim que Bolsonaro perdeu, ou seja, assim que foi condenado e preso, Donald Trump o viu como um perdedor, e se há algo que Donald Trump não tolera são perdedores", diz. "Não acho que Donald Trump saiba muito sobre Bolsonaro. Posso quase garantir que ele não acorda todos os dias pensando no Brasil. E assim que Bolsonaro deixou de ser uma referência na política brasileira e o Estado de Direito e a justiça democrática prevaleceram no Brasil, Donald Trump simplesmente o descartou." Também segundo Feeley, Trump é extremamente imprevisível e "narcisista", o que torna quase impossível negociar com ele. Por isso, diz o diplomata, o resultado das tratativas entre o Brasil e os EUA nos últimos meses pode ser considerado sorte. "Acho que Lula, francamente, teve sorte", afirma. "E eu encorajaria tanto Lula quanto praticamente qualquer líder a se manterem fora da órbita de Trump, na medida do possível." Os EUA impuseram, em julho, tarifas de 40% sobre diversos produtos agrícolas importados do Brasil. Posteriormente, incluíram o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, da lista de sancionados pela Lei Magnitsky. Tudo aconteceu em meio a pressões do governo de Donald Trump para tentar influenciar o julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Mas em 20 de novembro, o presidente americano assinou um decreto suspendendo as tarifas e, há cerca de duas semanas, retirou Moraes e a esposa da lista usada para punir estrangeiros autores de graves violações de direitos humanos e práticas de corrupção. "Acho que a reação inicial dos Estados Unidos, ou da administração Trump, ao julgamento de Bolsonaro foi resultado direto do lobby de Eduardo Bolsonaro, seu filho, em Washington", avalia John Feeley sobre a imposição das tarifas e sanções. Em sua entrevista à BBC News Brasil, o diplomata também comentou os últimos acontecimentos em torno da tensão entre Estados Unidos e Venezuela, com a imposição por Washington de um "bloqueio total" a navios-petroleiros sancionados que entrem ou saiam do país sul-americano. Para Feeley, o bloqueio é muito mais eficaz em ferir o governo de Nicolás Maduro do que as operações realizadas anteriormente pelo governo Trump contra embarcações acusadas de envolvimento com o narcotráfico. O ex-embaixador dos EUA no Panamá afirma ainda que a execução das sanções por meio do cumprimento dos mandados de apreensão deve causar efeitos secundários na população, mas não deve ser apontada como a causa principal do sofrimento dos venezuelanos. "É sempre um erro criticar qualquer embargo ou bloqueio a um país que tem sido sistematicamente abusado pelos seus próprios líderes nas últimas duas décadas, atribuindo-o como a principal causa da miséria da população", diz. "Não podemos nos enganar: a razão pela qual os venezuelanos estão vivendo na miséria, a razão pela qual existem 7 a 8 milhões de caminantes, venezuelanos que literalmente abandonaram o seu próprio país, é o desastroso modelo econômico de Nicolás Maduro." **Com BBC**

  • Tempestades de inverno deixam 30 milhões de pessoas sob alerta nos EUA

    À medida que o sistema avança de segunda para terça-feira o frio se deslocará para o norte e para o leste NOVA YORK - Mais de 30 milhões de pessoas estão sob alertas climáticos de inverno do centro-oeste ao nordeste dos Estados Unidos. Longos trechos da Interestadual 35 – uma importante rodovia que vai do Texas a Minnesota – foram fechados ou considerados inseguros para viajar, atrapalhando os deslocamentos de final de ano. De acordo com a PowerOutage.US , mais de 125 mil clientes, mais da metade deles em Michigan, ficaram sem energia na manhã desta segunda-feira, 29. Partes do estado registraram quase trinta centímetros de neve. As viagens aéreas também foram impactadas, com milhares de voos atrasados ​​ou cancelados no domingo (29), incluindo interrupções no Aeroporto Internacional O’Hare de Chicago, onde tempestades provocaram uma parada temporária. Mais ao sul e ao leste, a frente fria provocou uma série de fortes tempestades no domingo à tarde e à noite, com ventos devastadores e alguns tornados em partes de Illinois. Em Springfield, Illinois, as temperaturas caíram de 21°C para 4°C em apenas algumas horas, destacou o Serviço Meteorológico Nacional relatou neve e temperaturas negativas. Os piores impactos climáticos de inverno em todo o centro-oeste continuaram durante a noite de domingo, até o início desta segunda-feira. As autoridades pediram às pessoas que evitem viagens desnecessárias, especialmente em áreas sob avisos de nevasca, onde a visibilidade pode ser prejudicada. À medida que o sistema avança de segunda para terça-feira (30), o frio se deslocará para o norte e para o leste, enquanto grande parte do Vale do Ohio e do corredor I-95 registrará chuva. Partes da Nova Inglaterra podem enfrentar chuvas congelantes, aumentando o risco de acúmulo de gelo nas estradas e cortes de energia. Após a tempestade, uma queda brusca de temperatura atinge grande parte do centro e do sul dos EUA de segunda para terça-feira, marcando um retorno às condições mais frias após o período de calor. A tempestade contribui para um período de viagens já desafiador, com a expectativa de que mais de 100 milhões de pessoas peguem as estradas para viagens de final de ano. **Com Agências **

  • ICE usa Papai Noel em campanha para incentivar autodeportação de imigrantes nos EUA

    Governo Trump promete uma explosão de deportações em 2026 WASHINGTON - O ICE recorreu à figura de Papai Noel uma campanha publicitária de Natal para defender a repressão contra imigrantes em situação irregular. Com estética típica das festas de fim de ano, mas linguagem intimidatória, o vídeo incentiva a autodeportação imediata, oferecendo dinheiro, passagem aérea gratuita e a alternativa explícita entre deixar o país voluntariamente ou ser preso e removido à força. A peça mostra um homem caracterizado como Papai Noel, inicialmente sorridente, que em seguida veste um colete à prova de balas, empunha uma arma e passa a atuar como agente do ICE, participando de abordagens nas ruas, processando imigrantes em instalações do governo e conduzindo deportações até aeronaves. A mensagem central é evitar “a lista do Papai Noel” por meio da autodeportação registrada no aplicativo CBP Home, relançado em março pelo governo de Donald Trump. A ferramenta, que na gestão anterior era utilizada para facilitar entradas legais, passou a ser apresentada como um canal para formalizar a saída voluntária de imigrantes sem status legal. Na legenda do anúncio, o governo afirma que imigrantes indocumentados que optarem por sair do país até o fim de 2025 receberão US$ 3 mil, além de transporte gratuito para o país de origem. Segundo o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS), o valor do incentivo foi triplicado especificamente para o período natalino. Desde janeiro, o governo Trump já deportou cerca de 622 mil pessoas em 2025, abaixo da meta de um milhão anunciada durante a campanha, mas com uma parcela relevante de saídas voluntárias. Ainda assim, integrantes do governo afirmam que a política migratória deve se tornar mais dura em 2026, com a ampliação de operações e do orçamento destinado à repressão. **Com Agências**

  • Aposta única fatura US$ 1,81 bilhão na Powerball

    Sortudo levou o segundo maior prêmio da história das loterias dos EUA CABOT - Uma única aposta faturou o prêmio principal de US$ 1,81 bilhão da loteria Powerball nos Estados Unidos, após o sorteio realizado na véspera de Natal, informou a organização responsável pela loteria. O bilhete vencedor foi vendido na cidade de Cabot, no Arkansas, e corresponde ao segundo maior prêmio já pago na história das loterias norte-americanas. Os números sorteados foram 4, 25, 31, 52 e 59, com a Powerball 19. O ganhador poderá optar entre um pagamento único de US$ 834,9 milhões ou o recebimento do valor total em parcelas ao longo de cerca de 30 anos. Ambas as modalidades estão sujeitas à incidência de impostos. O maior prêmio já registrado na loteria dos Estados Unidos foi de US$ 2,04 bilhões, sorteado em novembro de 2022, para um bilhete vendido no estado da Califórnia. As chances de acertar o prêmio máximo da Powerball são de 1 em 292,2 milhões. Para o próximo sorteio, marcado para sábado (27) à noite, o jackpot será reiniciado em US$ 20 milhões. **Com AFP**

  • EUA atacam EI no Natal por "matança de cristãos" da Nigéria

    Destroços são vistos dentro da mesquita Al-Adum Jumaat um dia após explosão no local (Foto: Reuters) WASHINGTON - Os Estados Unidos lançaram na quinta-feira, 25, um ataque aéreo contra forças do Estado Islâmico na Nigéria após o presidente Donald Trump acusar por semanas o governo do país africano de não conter o que interpreta como uma perseguição aos cristãos. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, publicou na rede social X: “O presidente foi claro no mês passado: a matança de cristãos inocentes na Nigéria (e em outros lugares) precisa acabar”, destacando que o ataque aconteceu no dia de Natal. Já Trump declarou que os ataques aéreos foram direcionados contra militantes do Estado Islâmico “que têm como alvo e matado brutalmente, principalmente, cristãos inocentes”. A crise de segurança na Nigéria afeta tanto cristãos, predominantes no Sul, quanto muçulmanos, maioria no Norte. O governo nigeriano já criticou os EUA por enquadrar a crise de segurança como uma ameaça específica aos cristãos. Múltiplos desafios de segurança O Ministério das Relações Exteriores da Nigéria afirmou que os ataques aéreos no Estado de Sokoto.feira foram uma operação conjunta contra o terrorismo. A cooperação incluiu troca de inteligência e coordenação estratégica de maneira “consistente com o direito internacional, respeito mútuo à soberania e compromissos compartilhados com a segurança regional e global”, segundo um porta-voz. Nesta semana, homens armados invadiram uma escola católica e capturaram 303 estudantes e 12 professores, em mais um sequestro em massa de alunos no país. Tanto os EUA quanto a Nigéria sinalizaram que poderá haver novos ataques. O país abriga múltiplos grupos armados, incluindo pelo menos dois afiliados ao Estado Islâmico — um braço do grupo extremista Boko Haram conhecido como Província do Estado Islâmico da África Ocidental, no nordeste, e o menos conhecido grupo Lakurawa, presente nos estados do noroeste, como Sokoto. Estes grupos usam vastas áreas de florestas que conectam estados como esconderijos. Analistas de segurança acreditam que o alvo dos ataques dos EUA tenha sido o Lakurawa, que no último ano se tornou cada vez mais letal na região, frequentemente atacando comunidades remotas e forças de segurança. A incursão de extremistas no noroeste nigeriano é atribuída por especialistas à quase ausência do Estado e das forças de segurança, permitindo a estes grupos armados exercer controle de fato sobre o território. País de “preocupação especial” O presidente americano já ordenara ao Pentágono no mês passado que começasse a planejar uma possível ação militar na Nigéria. O Departamento de Estado anunciou recentemente que restringiria vistos para nigerianos e seus familiares envolvidos na morte de cristãos. Os EUA também designaram recentemente a Nigéria como “país de preocupação especial” sob a Lei Internacional de Liberdade Religiosa. A população da Nigéria, de 220 milhões de pessoas, é quase igualmente dividida entre cristãos e muçulmanos, e ambos sofrem com ataques de motivação religiosa. O grupo extremista Boko Haram, por exemplo, busca estabelecer sua interpretação radical da lei islâmica e tem também como alvo muçulmanos que considera insuficientemente religiosos. Já agricultores e pastores travam conflitos por recursos escassos, somando-se a rivalidades comunitárias, ações de grupos separatistas e tensões étnicas. Com presença hoje reduzida na África, forças militares dos EUA provavelmente teriam que ser deslocadas de outras partes do mundo para uma eventual intervenção de maior escala na Nigéria. **Com Agências**

  • Suprema Corte dos EUA bloqueia envio da Guarda Nacional a Chicago

    Governo Trump insiste que administrações democratas falham em proteger agentes federais e a população WASHINGTON - A Suprema Corte dos Estados Unidos bloqueou nesta terça-feira, 23, os esforços do governo de Donald Trump para enviar tropas da Guarda Nacional à região de Chicago, em Illinois, enquanto o presidente republicano expande o uso de militares para fins domésticos em um número crescente de cidades lideradas por democratas, uma política que críticos chamam de tentativa de punir adversários e reprimir dissidência. "Nesta fase preliminar, o governo não conseguiu identificar uma fonte de autoridade que permitiria aos militares executar as leis em Illinois", escreveu em comunicado a maioria dos juízes. O Departamento de Justiça buscava permitir a mobilização enquanto o caso está em andamento. Três juízes conservadores da Suprema Corte disseram que discordaram da ordem: Samuel Alito, Clarence Thomas e Neil Gorsuch. Foi um revés raro para o governo Trump na Suprema Corte, que tem maioria conservadora de 6 a 3 e que, com frequência, apoia suas suas medidas desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro. Procurada, a Casa Branca não respondeu imediatamente a pedidos de comentários. Ações militares Trump ordenou tropas para Chicago, a terceira maior cidade dos EUA, e para Portland, Oregon, após envios anteriores para Los Angeles, Memphis e Washington. Trump e seus aliados descreveram cidades lideradas pelo Partido Democrata como sem lei, devastadas pelo crime e atormentadas por protestos vastos e violentos. Seu governo afirmou que as tropas são necessárias para proteger propriedades e funcionários federais. Prefeitos e governadores democratas, junto com outros críticos de Trump, disseram que essas afirmações são um relato falso da situação e um pretexto para enviar tropas, acusando Trump de abusar de seu poder. Trump usou como base uma lei que permite ao presidente mobilizar tropas da Guarda Nacional estadual para suprimir uma rebelião, repelir uma invasão ou se ele estiver "incapaz, com as forças regulares, de executar as leis dos Estados Unidos". Reação Illinois e Chicago foram à Justiça após o governo federalizar 300 tropas da Guarda Nacional de Illinois e também ordenar tropas do Texas para o Estado, chamando as ações de ilegais. Autoridades anunciaram desde então que a administração estava enviando de volta centenas soldados que foram enviadas a Portland da Califórnia, e a Chicago do Texas. A juíza distrital dos EUA April Perry, de Chicago, bloqueou temporariamente a medida em 9 de outubro, concluindo que as afirmações de violência durante protestos em uma instalação de imigração no subúrbio de Broadview, Illinois, onde um pequeno grupo de manifestantes se reunia diariamente por semanas, não eram confiáveis. Perry, uma nomeada do ex-presidente democrata Joe Biden, descobriu que não havia evidências de rebelião ou de que a lei não estava sendo aplicada, criticando autoridades por "equiparar protestos a motins e falta de apreciação pelo amplo espectro que existe entre cidadãos que estão observando, questionando e criticando seu governo, e aqueles que estão obstruindo, agredindo ou praticando violência". O envio da Guarda Nacional "só adicionaria combustível ao fogo", disse Perry. Um painel de três juízes do 7º Tribunal de Apelações do Circuito dos EUA, com sede em Chicago, recusou-se a suspender a ordem de Perry bloqueando o envio, concluindo que "os fatos não justificam as ações do presidente em Illinois". Dois dos três juízes foram nomeados por presidentes republicanos, incluindo um por Trump. O Departamento de Justiça disse à Suprema Corte que a avaliação dos protestos por autoridades locais era "implausivamente otimista", e que agentes federais "foram forçados a operar sob a constante ameaça de violência de multidões". Advogados de Illinois e Chicago disseram aos juízes que os protestos locais "nunca impediram a operação contínua" da instalação de Broadview, e que autoridades estaduais e locais responderam a todos os pedidos de assistência e contiveram qualquer perturbação esporádica. Autoridades de Portland e Oregon estão buscando um desafio legal separado ao envio planejado de Trump para aquela cidade. A juíza distrital dos EUA Karin Immergut, nomeada por Trump, bloqueou permanentemente esse envio em uma decisão de 7 de novembro. O governo federal apelou dessa decisão. Em outubro, a Suprema Corte pediu ao governo Trump, bem como a Illinois e Chicago, que fornecessem argumentos escritos sobre como interpretar as palavras "forças regulares" na lei em questão no caso. Em uma decisão escrita em 10 de outubro, Perry disse que fontes históricas indicam que "forças regulares" significam apenas membros regularmente alistados nas forças armadas, incluindo o Exército e a Marinha, em oposição à Guarda Nacional. A administração de Trump "não fez nenhuma tentativa de confiar nas forças regulares antes de recorrer à federalização da Guarda Nacional", disse Perry, acrescentando que existem outros limites ao uso dos militares para fins de aplicação da lei doméstica. O governo repetidamente buscou a intervenção da Suprema Corte para permitir a implementação de políticas de Trump impedidas por tribunais inferiores. A Suprema Corte, que tem uma maioria conservadora de 6-3, ficou do lado da administração em quase todos os casos que foi chamada a revisar desde que Trump retornou à Presidência em janeiro. **Com Reuters**

  • Explosão em lar de idosos deixa mortos e desaparecidos na Pensilvânia

    Prédio passou por inspeção no dia 10 e um plano de adequações estava sendo elaborado FILADÉLFIA - Pelo menos duas pessoas morreram e outras seguem desaparecidas após uma explosão que provocou o desabamento parcial de um lar de idosos no estado da Pensilvânia nesta terça-feira, 23. Segundo autoridades do condado de Bucks, ao norte da Filadélfia, a principal suspeita é de que um vazamento de gás tenha causado a explosão na Silver Lake Nursing Home. Parte do prédio ruiu, deixando moradores presos sob os escombros. “Até o momento, há pelo menos dois mortos e sabemos que ainda há pessoas desaparecidas”, afirmou governador Josh ShapirO em entrevista coletiva. O chefe dos bombeiros de Bristol, município onde fica a instituição, disse que ao menos cinco pessoas são consideradas desaparecidas, número ainda preliminar. De acordo com os bombeiros, havia forte cheiro de gás quando as equipes chegaram ao local. A explosão ocorreu por volta das 14h19 no horário local e causou um colapso estrutural significativo, com o desabamento de parte do primeiro andar. Moradores ficaram presos em escadas e elevadores. O governador elogiou a atuação das equipes de resgate, que retiraram idosos do prédio carregando alguns deles nas costas. Shapiro também informou que o edifício havia mudado de proprietários neste mês e que inspetores estaduais de saúde realizaram uma vistoria no local em dez de dezembro, com a definição de um plano para adequar as instalações às normas vigentes. **Com Agências**

  • Trump triplica 'bônus' para imigrantes ilegais deixarem os EUA voluntariamente até 2026

    WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos decidiu triplicar o valor oferecido a imigrantes em situação irregular que aceitarem deixar o país de forma voluntária até o fim do ano. O Departamento de Segurança Interna (DHS) anunciou o benefício como um gesto de “generosidade”. “Durante a temporada de Natal, o contribuinte americano está generosamente triplicando o incentivo para deixar voluntariamente o país aqueles que estão aqui ilegalmente — oferecendo um bônus de saída de US$ 3.000, mas apenas até o fim do ano”, afirmou a secretária Kristi Noem. Apesar de apresentar a medida como uma vantagem, Noem voltou a adotar um tom de ameaça ao se dirigir aos imigrantes sem documentação. Segundo ela, eles “devem aproveitar esse presente e se autodeportar, porque, se não o fizerem, nós os encontraremos, nós os prenderemos e eles nunca retornarão”. Nas redes sociais, o DHS divulgou a iniciativa como uma “oferta de tempo limitado” e um “bônus para ir para casa para as festas”, sugerindo que o país de origem seria o verdadeiro lar dos imigrantes ilegais. A publicação também traz um aviso em tom intimidatório: “Estamos riscando nomes da lista dos mal-criados. Não seja o próximo.” De acordo com as regras estabelecidas pelo governo Trump, os imigrantes interessados no incentivo precisam aderir ao programa por meio do aplicativo CBP Home, desenvolvido pelo Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA. A ferramenta reúne serviços migratórios, incluindo a opção de autodeportação. A gestão Trump planeja reforçar ainda mais a política anti-imigração em 2026, mesmo diante da queda de popularidade do presidente. O chamado czar da fronteira, Tom Homan, afirmou que os números de prisões de imigrantes ilegais e de deportações “vão explodir” no próximo ano. Ainda assim, as deportações já alcançaram níveis recordes em 2025. **Com Agências**

  • Leão 14 amplia conceito 'pró-vida' para incluir imigrantes

    Papa Leão 14 afirma que não há como ser pró-vida e contra os imigrantes CIDADE DO VATICANO - A maioria das nomeações do papa Leão 14 para bispos católicos nos Estados Unidos tem pedido melhor tratamento para imigrantes no país, em uma tendência que pode moldar como a igreja responde às políticas anti-imigração do presidente Donald Trump. Pelo menos dez das 13 escolhas feitas até agora por Leão 14, incluindo o novo arcebispo de Nova York, anunciado na quinta-feira (18) para substituir o conservador Timothy Dolan, falaram publicamente sobre o assunto. Em diversas declarações, alguns chamaram as ações contra os imigrantes de cruéis; outros instaram o governo a usar o devido processo legal antes de deportar imigrantes. Um dos conselheiros americanos mais próximos de Leão 14 disse que as nomeações do papa mostram que o tratamento dos imigrantes agora é parte firme da posição da Igreja de que a vida é sagrada desde a concepção até a morte, um dos ensinamentos mais fortes da denominação de 1,4 bilhão de membros em todo o mundo. "Isso sinaliza um amadurecimento do nosso entendimento do que significa ser pró-vida", disse o cardeal Blase Cupich, de Chicago, que faz parte de um escritório do Vaticano que aconselha o papa sobre quais padres católicos nomear como bispos. Leão 14 amplia significado dos ensinamentos 'pró-vida' A agenda pró-vida dos bispos americanos se concentrou por décadas em acabar com o aborto legal no país, com sua conferência nacional apoiando uma marcha anual em Washington e fazendo lobby para acabar com a decisão da Suprema Corte de 1973, agora revogada, que permitia o procedimento em âmbito nacional. Leão 14 começou a ampliar o guarda-chuva pró-vida em setembro, quando questionou se as políticas de Trump estavam alinhadas com os ensinamentos da igreja, provocando uma forte reação de alguns católicos conservadores proeminentes. "Alguém que diz que é contra o aborto, mas concorda com o tratamento desumano dos imigrantes nos Estados Unidos, não sei se isso é pró-vida", disse o papa em resposta às perguntas de jornalistas fora de sua residência em Castel Gandolfo, na Itália. Em seus primeiros sete meses como papa, Leão 14 nomeou novos bispos católicos em cidades por todos os EUA, de San Diego a Austin e Pittsburgh. O bispo Ronald Hicks, 58, nomeado na quinta-feira para substituir Timothy Dolan em Nova York, fez seus primeiros comentários naquele dia em uma entrevista coletiva preferindo falar em em espanhol e só depois mudou para o inglês. Leia também: Papa Leão substitui cardeal de Nova York em reformulação na Igreja dos EUA Hicks, que liderará 2,8 milhões de católicos em Nova York, é um ex-missionário em El Salvador. Ele reiterou um endosso anterior a uma declaração de novembro da conferência dos bispos dos EUA, que condenou a repressão à imigração de Trump. Nomeações de bispos são 'legado mais duradouro' dos papas Como os bispos católicos normalmente só se aposentam por motivos de saúde ou idade e podem servir até os 80 anos, muitos dos novos bispos nomeados por Leão 14 poderiam permanecer em suas funções por décadas. "Certamente o legado mais duradouro de qualquer papa são as nomeações episcopais que ele faz", disse Natalia Imperatori-Lee, professora da Universidade Fordham. "Cada nomeação é importante, e cada uma significa algo." Trump, que uma vez chamou o falecido papa Francisco de "desrespeitoso" por criticar as políticas de imigração do presidente, não respondeu diretamente às críticas de Leão 14. A repressão do governo incluiu a implantação de soldados da Guarda Nacional em cidades por todo o país e batidas de agentes do ICE em locais de trabalho, empresas e nas ruas das cidades. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, um convertido ao catolicismo, disse ao veículo de direita Breitbart em novembro que estava ciente dos comentários do papa e afirmou que as políticas do governo Trump eram humanitárias. "Toda nação tem o direito de controlar suas fronteiras", disse o republicano. Bispos participam de protestos e acompanham imigrantes ao tribunal Quatro das escolhas de Leão 14 como bispos dos EUA são eles próprios imigrantes. Um quinto nasceu no Texas, mas passou a maior parte de sua infância no México. O bispo de San Diego, Michael Pham, um ex-refugiado vietnamita nomeado pelo sumo pontífice em maio, tem acompanhado solicitantes de asilo ao tribunal, numa tentativa de impedir que agentes do ICE os prendam quando vão às audiências. O bispo Ramon Bejarano, que cresceu em Chihuahua, no México, e em breve liderará a Igreja em Monterey, na Califórnia, participou de um protesto em fevereiro com milhares de pessoas no centro de San Diego contra a repressão à imigração. O bispo de Pittsburgh, Mark Eckman, nomeado pelo papa em junho, chamou as políticas de imigração de "cruéis e desumanas" em uma carta aberta de novembro. Imperatori-Lee disse que Leão 14 "está colocando em prática o que o Evangelho convida a todos a fazer, nomeando homens que defenderam com força os imigrantes e defenderam a dignidade humana." **Com Reuters**

  • 'Grande grupo brasileiro': o elo do caso Jeffrey Epstein com o Brasil revelado em novos documentos

    WASHINGTON - Um "grande grupo brasileiro" é mencionado em documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre o caso do bilionário Jeffrey Epstein, criminoso sexual condenado nos Estados Unidos e morto em 2019. Os arquivos foram tornados públicos na sexta-feira (19/12), após determinação do Congresso americano, e reúnem materiais de investigações sobre abusos sexuais e tráfico de mulheres e meninas atribuídos a Epstein. A referência identificada pela BBC News Brasil aparece em anotações manuscritas baseadas em uma entrevista do FBI, de 2 de maio de 2019. O conteúdo trata de pessoas que podem ter sido levadas como possíveis vítimas para encontros sexuais, inclusive menores de idade. Grande parte do material está tarjada, o que impede a identificação de pessoas envolvidas ou a compreensão integral do contexto. O arquivo leva o título de "Entrevista de [informação tarjada]". A seguir, no campo da descrição, é possível ler "notas originais da entrevista de [informação tarjada]. Fotos fornecidas por [informação tarjada]." "Amigos de amigos [informação tarjada]. Grande grupo brasileiro", diz o texto da entrevista, anotado à mão. Os registros fazem parte de um conjunto maior de milhares de arquivos que inclui fotos, vídeos e documentos de investigação reunidos por autoridades americanas ao longo de anos. 'Ele não queria garotas escuras' Segundo o documento do depoimento, uma pessoa que é citada como "JE" (possivelmente Jeffrey Epstein) teria imposto critérios sobre as meninas que lhe eram apresentadas, afirmando que não queria "spanish or dark girls" (pelo contexto, aparentemente referindo-se a latinas/hispânicas). Em um trecho, as anotações descrevem características físicas de uma pessoa citada como de "pele mais escura" e "aparência amazônica", que teria sido "trazida no final, em momento de desespero", quando os envolvidos estariam "ficando sem garotas". Em outra parte do relato manuscrito há uma menção a alguém que "teria acabado de vir do Brasil" e "era modelo". O documento diz que JE "realmente estava apaixonado por ela" e que "talvez tenha falado em fazer um esboço ou pintura". Uma anotação lateral diz "vivendo com a mãe aos 13, saiu de casa aos 14". O mesmo documento traz ainda fotos cujas legendas falam sobre uma "festa brasileira" e um "desfile brasileiro", mas tarjas impedem a identificação do local ou das pessoas envolvidas. O relato fala também sobre a idade das meninas, com uma preferência de Epstein por menores. "Em certo momento, [tarja] o viu pedindo documento de identidade para as meninas. Ele queria se certificar de que tinham menos de 18 anos porque não estava acreditando nelas, já que [tarja] tinha bagunçado tudo ao levar garotas mais velhas." Rastro Além do relato envolvendo brasileiros agora divulgado, reportagens publicadas nos últimos anos no Brasil e em outros países afirmam que um conhecido parceiro de Epstein esteve no Brasil em 2019, o ex-agente de modelos francês Jean-Luc Brunel, também acusado de ter traficado mulheres. Brunel foi encontrado morto na prisão em Paris, na França, em 2022. Estava detido desde o início de uma investigação formal, após ser acusado de assédio sexual e estupro contra jovens com idades entre 15 e 18 anos na França. Ele negava as acusações. O agente era cofundador da agência de modelos francesa Karin Models, criada em 1977, e da MC2 Models Management, nos EUA, e contava com financiamento de Epstein. Documentos apontam que Brunel recrutava garotas para Epstein, prometia contratos no mundo da moda para elas e as traziam da França em um avião. Uma reportagem do jornal britânico The Guardian, publicada em agosto de 2019, relata que enquanto aliados de Epstein desapareceram da vida pública nos anos seguintes ao seu acordo judicial, "Brunel continuou a viajar pelo mundo em busca de mulheres jovens e meninas para transformá-las em modelos". O jornal afirmou que Brunel esteve no Brasil em 2019 para "encontrar novas modelos para levar aos Estados Unidos" e que, quando um repórter visitou um apartamento em Miami de propriedade do agente, a porta foi atendida por uma jovem que disse ser uma modelo brasileira que estava lá para trabalhar para a MC2, sua agência, e que havia pelo menos outras três modelos hospedadas no apartamento. Outra reportagem da Agência Pública, publicada em novembro, mostrou uma foto de Brunel divulgada em 2019 por uma agência de modelos, a Mega Model Brasília, com legenda afirmando que ele "esteve aqui [em Brasília] hoje para um casting para levar os nossos modelos para Nova York". Nivaldo Leite, diretor da agência, diz que não houve qualquer contato com Brunel depois da visita e que nenhum modelo da agência brasileira teria viajado com ele. Segundo a reportagem, Brunel também teria visitado cidades em outros Estados do Brasil. A BBC News Brasil encontrou a mesma imagem ainda disponível na rede social, com legenda em inglês, na página da agência na rede social Facebook. Além da foto, há ao menos dois vídeos de modelos desfilando na mesma publicação, republicados pelo diretor da agência em seu perfil no Facebook, com o mesmo texto que diz que Brunel e sua equipe "sempre serão bem-vindos à nossa casa." "Certeza absoluta que nenhuma! Quem faz internacional da agência sou eu pessoalmente", diz. Ele afirmou que a empresa não foi contatada por nenhuma autoridade para dar informações sobre Brunel. Leite diz que Brunel estava em Brasília visitando agências e perguntou se podia conhecer a Mega Model. "Havíamos acabado de inaugurar a estrutura física no shopping." Leite afirma que não conhecia Brunel nem Epstein, nem mesmo de nome. "A agência ficava no shopping aberta a todo mundo. Lembro que ele estava até apressado devido ao voo", afirma. "Conheceu o espaço, me falou que era dono de uma agência internacional na Europa, se não me engano. Acho que deixou um cartão de visita dele, caso eu tivesse interesse em parcerias. Logo após veio a pandemia e nunca mais ouvi falar dele. Não sei nem se ele está vivo e tampouco sobre a agência dele", prossegue. "Não sabia nem de relações dele e nem desta pessoa [Epstein] que está me perguntando. Não conversei absolutamente nada com ele com viés pessoal." A reportagem perguntou ao governo brasileiro se há ou houve qualquer iniciativa no sentido de identificar brasileiros no caso Epstein. O Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Itamaraty informaram que a demanda deveria ser feita à Polícia Federal, que por sua vez respondeu que "não se manifesta sobre investigação em curso". **Com BBC**

  • Governo Trump quer retirar cidadania de mais americanos nascidos no exterior

    Governo quer a revisão de até 200 casos de cidadania por mês   WASHINGTON - A Casa Branca planeja intensificar os esforços para revogar a cidadania de alguns americanos naturalizados, marcando uma nova fase agressiva na repressão à imigração promovida pelo presidente, de acordo com orientações internas obtidas pelo jornal The New York Times . A orientação, emitida na terça-feira (16) para os escritórios regionais do Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS), solicita que eles “apresentem ao Escritório de Litígios de Imigração de 100 a 200 casos de desnaturalização por mês” no ano fiscal de 2026.   Se os processos forem bem-sucedidos, isso vai representar uma escalada massiva de desnaturalizações na era moderna, disseram especialistas. Em comparação, desde 2017 foram registrados pouco mais de 120 casos, segundo o Departamento de Justiça (DOJ). De acordo com a lei federal, as pessoas só podem perder a cidadania se cometerem fraude ao solicitar a cidadania ou em algumas outras circunstâncias específicas.  Mas o governo Trump demonstrou grande interesse em usar todas as ferramentas à sua disposição para perseguir imigrantes legais e ilegais. A abrangente campanha, que foi além da expulsão de imigrantes ilegais, inclui bloqueios ao pedido de refúgio na fronteira sul, uma suspensão dos processos asilo dentro dos EUA e a proibição de entrada para viajantes provenientes principalmente de países africanos e do Médio Oriente.    As autoridades afirmam que a reavaliação das cidadanias torna o país mais seguro e preservam os valores nacionais. “Não é segredo que a guerra do Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA [USCIS] contra a fraude prioriza aqueles que obtiveram a cidadania americana ilegalmente — especialmente durante o governo anterior”, avisa Matthew J. Tragesser, porta-voz da agência.  Em entrevistas, alguns ex-funcionários da agência expressaram preocupação com a dimensão das metas de desnaturalização defendidas pela liderança do USCIS.  “Impor metas numéricas arbitrárias para casos de desnaturalização corre o risco de politizar a revogação da cidadania”, observa Sarah Pierce. “E exigir cotas mensais dez vezes maiores que o número total anual de desnaturalizações nos últimos anos transforma uma ferramenta séria e rara em um instrumento grosseiro, alimentando medo e incerteza desnecessários para milhões de americanos naturalizados ", acrescenta a ex-funcionária. Os defensores de leis de imigração mais rigorosas afirmam que é necessário erradicar de forma mais agressiva as pessoas que receberam cidadania indevidamente.  “Não acho que estejamos nem perto de cassar a cidadania de muita gente”, reconhece Mark Krikorian, diretor do Centro de Estudos de Imigração, um grupo que defende políticas de imigração restritivas. Para ele, o país está “tão longe de cassar a cidadania” de pessoas suficientes que tal esforço não atingiria aqueles que não deveriam ser alvo.  Segundo o Censo, existem cerca de 26 milhões de americanos naturalizados no país. Mais de 800 mil novos cidadãos prestaram juramento no ano passado, a maioria nascida em México, Índia, Filipinas, República Dominicana ou Vietnã.   A orientação divulgada na semana passada faz parte de um documento que define as prioridades do USCIS para o ano fiscal de 2026, que começou em outubro. Entre as metas listadas, estão “proporcionar oportunidades de feedback aos funcionários”, “fortalecer a gestão de casos de alto risco” e “buscar a desnaturalização”.  O DOJ já havia declarado que priorizaria a cassação da cidadania. Em um memorando divulgado no primeiro semestre, as autoridades detalharam sua estratégia, afirmando que visariam indivíduos em diversas categorias, inclusive aqueles que cometeram fraude na obtenção da cidadania. “A divisão cível deverá priorizar e conduzir ao máximo os processos de desnaturalização em todos os casos permitidos por lei e comprovados por evidências”, escreveu o departamento em junho. O USCIS desempenha um papel fundamental na cassação da cidadania. A agência encaminha os casos ao DOJ, que, por sua vez, deve passar por um tribunal federal para revogar a cidadania de alguém. O processo pode ocorrer tanto na esfera cível quanto na criminal. Na cível, os advogados do governo precisam apresentar "provas inequívocas" de que a pessoa obteve a cidadania ilegalmente ou ocultou um fato relevante durante o processo.   Como o governo precisa passar por um processo judicial complexo, os casos de cassação de cidadania têm sido raros desde a década de 90. Uma análise da Bloomberg Law constatou que o número de casos de cassação de cidadania movidos pelo governo desde então atingiu o pico em 2018, quando 90 ações criminais e cíveis foram ajuizadas.  “A Suprema Corte afirmou repetidamente que a cidadania e a naturalização são preciosas demais e fundamentais para a nossa democracia para que o governo as retire por capricho. Em vez de desperdiçar recursos vasculhando os arquivos de cidadãos americanos, o USCIS deveria cumprir sua função de processar os pedidos, conforme determinado pelo Congresso”, disse Amanda Baran, ex-funcionária sênior do USCIS durante o governo Biden.  Trump também intensificou as cassações de cidadania durante seu primeiro mandato. Em um caso amplamente divulgado, um homem de Nova Jersey nascido na Índia, Baljinder Singh, teve sua cidadania revogada depois que o DOJ constatou que ele havia chegado ao país sem documentos de viagem ou comprovante de identidade e que havia usado um nome falso.  Este ano, o governo apresentou 13 casos de cassação de cidadania e venceu oito deles, segundo Chad Gilmartin, porta-voz do DOJ. Gilmartin afirmou em uma publicação nas redes sociais no início deste ano que mais de cem casos foram levados aos tribunais durante o primeiro mandato de Trump, em comparação com 24 durante o governo Biden. Em 2017, a Suprema Corte decidiu que o governo deve provar não apenas que alguém mentiu durante o processo de solicitação de cidadania, mas também que a mentira teve impacto na emissão do benefício. NYT

bottom of page